Pense profundamente. Fale gentilmente. Ame bastante. Ria freqüentemente. Trabalhe com afinco. Dê com generosidade. Pague pontualmente. Ore fervorosamente. Seja bom. Abra seus braços para as mudanças, mas não deixe que ultrapassem seus valores. Ao perder algo, não perca a lição. Quando envelhecer isso será muito importante. Fortaleça seu conhecimento. É um meio de se atingir a imortalidade. Lembre-se de que grandes paixões e grandes realizações envolvem grandes riscos. Não acredite em tudo o que escutar, não gaste tudo o que tiver e nem durma tanto quanto você quer. Não deixe que pequenas disputas machuquem uma grande amizade. Nunca zombe dos sonhos dos outros. Passe algum tempo sozinho. Quando for dizer “desculpe” olhe nos olhos da pessoa. Quando perceber que cometeu um erro, corrija-o rapidamente. Tenha um forte comprometimento e paixão pelo trabalho. (Elmer Wheeler)
Pedras no caminho
Pedras no caminho…
O distraído nela tropeçou.
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já David matou Golias,
e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela
escultura…
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
Não existe “pedra” no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
Eu encontrei algumas e fiz bom uso delas… Algumas até me foram atiradas e acabaram sendo ótimas materias-primas no meu caminho. Isso é aplicação do aikido..
Aplicação do principio da arte do sabre
Por Kishomaru Ueshiba.
O caminho do aiki e o caminho do sabre são, na aparência, radicalmente diferentes. O Aikido é praticado apenas com as mãos nuas, sem armas, enquanto que a arte do sabre requer o uso de uma arma. Mas, se tirarmos a casca, numerosos pontos comuns aparecem. Faz-se referência aqui ao Kenjutsu, arte do sabre de combate e não ao Kendo que é um esporte de competição. O Aikido apresenta similitudes mais com a arte antiga que com sua expressão moderna.
Admite-se que o Aikido se aproxima mais do Judo que da arte do sabre. Isso é compreensível se se considera que essas duas formas de arte marcial são praticadas com mãos nuas, e que se nos referimos superficialmente ao passado do fundador Morihei Ueshiba, o Jujutsu desempenhou um papel preponderante na criação do Aikido. O fundador, que por muito tempo praticou o Jujutsu da escola Daitô, adaptou um certo número de seus princípios ao Aikido; e técnicas tais como a chave de punho, as pancadas, as projeções ou as imobilizações foram elaboradas a partir do Jujutsu tradicional ou de sua forma moderna, o Judô. Mas as semelhanças se eclipsam pelas diferenças. No Aikido, por exemplo, não existe equivalente à pegada da manga ou da lapela do quimono indispensável no Judô. Além da ausência de corpo a corpo e da competição, o Aikido não integra técnicas ofensivas. Não existem técnicas no solo visando imobilizar o adversário por chaves ou estrangulamentos.
Os fundamentos
Entre as numerosas semelhanças entre o Aikido e a arte do sabre, encontram-se certos fundamentos: a posição de guarda, a distância ou o espaço que separa as duas pessoas, o olhar, os deslocamentos de pés, assim como as aplicações técnicas que são espantosamente parecidas, para não dizer idênticas. Enquanto que no Judô o quimono é usado frouxo, a fim de facilitar o corpo a corpo, no Aikido como no Kenjutsu, a vestimenta padrão é o hakama, a longa saia-calça tradicional dos japoneses que oferece uma grande liberdade de movimentos quando duas pessoas se encontram face à face. O hakama é usado igualmente em Kendo acompanhado de diversas proteções. No Aikido, os iniciantes geralmente não usam o hakama. A comparação detalhada do Aikido e da arte do sabre revela apenas um pouco das diferenças. A tomada de distância (ma-ai) pode ser um exemplo disso. Na arte do sabre, a distância correta entre duas pessoas é dada pelas duas extremidades dos sabres, se enfrentando, devendo cruzar-se ligeiramente a fim de que, com um único passo, seja possível dar um golpe mortal no adversário. No Aikido, quando duas pessoas se enfrentam, na posição hanmi, as mãos simbolizando as lâminas dos sabres não se tocam, e a distância correta deve permitir um máximo de eficácia na entrada (irimi). De mais a mais, com um sabre, o princípio de base continuará o mesmo quando da tomada de distância, qualquer que seja a altura da lâmina. No Aikido, ele vai variar segundo a técnica: os dois parceiros ajoelhados, um parceiro ajoelhado e o outro em pé, ou os dois parceiros em pé; um praticante enfrentando vários adversários ou um adversário armado.
Em relação a isso, não é possível estabelecer uma equivalência escrupulosa entre o Aikido e a arte do sabre, mas como nós sublinhamos, antes, os princípios de base, os movimentos e as maneiras de aplicação apresentam numerosos pontos comuns. Essas similitudes não são obras do acaso, mestre Ueshiba tendo, desde o início desejado fazer um bom uso das vantagens inerentes à arte do sabre. Ele se esforçou a dedicar muito tempo e energia a adaptá-los para integrá-los ao Aikido.
O estudo do sabre
Desde a mais tenra idade, mestre Ueshiba se interessou pela prática do sabre. Com efeito, antes de estar totalmente absorvido pelo Daitô jûjutsu, ele empregou seu tempo ao estudo do sabre, para dominar seus princípios. Mesmo depois de ter colocado o Aikido no ranking do budo, ele gostava de praticar o sabre e o bokuto (sabre de madeira). Houve um tempo onde o Kobukan Dojo abrigava um curso de Kendo, e entre 1936 e 1940, vários membros eminentes do Yushinkan, Nakakura,Kiyosji, Haga Jun’ichi, Nakajima Gorozo e outros freqüentaram nosso dojo. Na minha juventude, o fundador me incitou a estudar a arte do sabre da escola Kashima shinto, o que demonstra bem sua profunda ligação com essa arte e o respeito que ele lhe prestava. O Aikido não faz uso de nenhuma arma, é fundamentalmente uma arte marcial que se pratica de mãos nuas, mas a mão, por exemplo, não é uma simples extensão do corpo.. falar do sabre da mão (tegatana) permite sugerir que a mão se torna uma arma que corta como o sabre. E quando a mão é utilizada como um sabre, o movimento segue naturalmente o movimento do sabre. Esse é o exemplo da manifestação concreta de um princípio da arte do sabre em um movimento de Aikido.
Shiho-nage é o exemplo disso por excelência. O princípio da técnica é calcado sobre a manipulação do sabre. Em pé, em guarda à direita ou à esquerda, o sabre é levantado para cortar em quatro, dezesseis ou oito direções. A partir das técnicas de base do Aikido, entrada e espiral, o sabre da mão projeta os parceiros em quatro, oito ou dezesseis direções. Esta técnica pode ser modulada ao infinito, segundo a situação ou urgência. Quando o ataque é um golpe vindo da direita ou da esquerda do adversário, é possível responde-lo com shiho-nage. Se o ataque consiste em segurar os dois punhos por trás, e ainda possível, a partir dessa posição, realizar o shiho-nage. Quando os atacantes agarram os ombros de um parceiro ajoelhado, esse último pode se defender com um shiho-nage qualquer que seja a situação, shiho-nage segue mais ou menos a mesma construção.
Em um primeiro tempo, o equilíbrio do adversário é desestabilizado pela entrada e o movimento de rotação. Em um segundo tempo, o adversário é levado a seguir o movimento de rotação do defensor. Para terminar, a mão esquerda ou a mão direita (algumas vezes as duas) é utilizada como um sabre, levado acima da cabeça para descer de novo a fim de projetar o adversário.
No shiho-nage, cada movimento é ditado pela vontade de utilizar a mão como um sabre. Isso significa também que a mão do adversário é percebida como uma lâmina. Se bem que nenhuma das partes esteja armada, a ação é tão intensa como se duas lâminas nuas devessem se encontrar. Shiho-nage supõe que potência e eficácia emanam da concentração do ki e que o escoamento do ki, saído da respiração-energia, se exprime totalmente a través da mão – a lâmina do sabre – em um corte preciso e poderoso. Entre as técnicas do Aikido, shiho-nage é considerada como marca do começo e do fim da prática, a perfeição em sua realização como a demonstração do domínio em Aikido. Isso é devido ao fato de que essa técnica simboliza mais que qualquer outra a relação íntima existente entre o Aikido e a arte do sabre.
Apesar de que o Aikido ser fundamentalmente uma arte marcial que não faz uso de nenhuma arma, e que o treinamento consiste o mais frequentemente a opor dois adversários de mãos nuas, existe numerosas aplicações das técnicas de base para as quais será necessário recorrer a um sabre, faca, bastão curto ou longo. Nesses casos particulares, o princípio de usar a mão como um sabre será invertido, as armas sendo utilizadas e manipuladas não mais como objetos mas como extensões do corpo.
O gênio do fundador
O que foi dito deveria ser suficiente para demonstrar a relação estreita entre o Aikido e a arte do sabre. Mas isso não nos ajuda a compreender porque o fundador integrou a arte do sabre ao Aikido. De mais a mais, é preciso reconhecer o gênio do fundador que criou o Aikido inspirando-se fundamentalmente em duas artes marciais evidentemente de natureza diferente: o Jûjutsu clássico e a arte do sabre. Sua originalidade não reside unicamente na combinação assim obtida mas igualmente na maneira de se fazer um novo budo que soube tirar do que havia de melhor dos budos anteriores.
Criando o Aikido, o fundador realizaria seu mais ardente desejo: preservar no mundo moderno a herança inestimável do budo. A fim de chegar a seu objetivo, ele ultrapassou as querelas da forma para apreender a essência de cada arte marcial, desejando vê-la reviver em um novo budo. Ele foi guiado, nesse caso, pela profundidade de busca espiritual, procurando descobrir por entre o budo uma filosofia capaz de dar a vida e de preservá-la. O coração do budo foi transformado para se tornar o coração do Aikido, o caminho da Harmonia e do amor.
Kishomaru Ueshiba
Traduzido por Maria Imaculada de Araujo Walla
Feng Shui Interior
A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da
desorganização.
A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível. A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades.
De acordo com o Feng Shui Interior – uma corrente do Feng Shui que mistura aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes – bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relacionamentos.
Para evitar tudo isso fique atento às
REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA:
1. Jogue fora o jornal de anteontem.
2. Somente coloque uma coisa nova em casa quando se livrar de uma velha.
3. Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as diariamente.
4. Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com a cor e fique só com as que utiliza mesmo.
5. Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.
6. Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de
papelão marcadas: lixo, consertos, reciclagem, em dúvida, presentes, doação. Após enchê-las, dê o destino apropriado.
7. Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida.
Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas
energias. Conheça cada uma dessas ações para evitar a “crise energética pessoal”.
ATITUDES QUE DRENAM ENERGIA:
1. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo– Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.
2. Pensamentos obsessivos– Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em
atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos.
Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.
3. Sentimentos tóxicos– Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas.
Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.
4. Fugir do presente– As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado.
Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.
5. Falta de perdão– Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica “energeticamente obeso”, carregando fardos passados.
6. Mentira pessoal-Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo
esforço.
7. Viver a vida do outro– Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.
8. Bagunça e projetos inacabados– A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo.
À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia.
Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!” Isso gasta uma energia tremenda.
Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.
9. Afastamento da natureza– A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia.
A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais. Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d’água para acalmar o ambiente são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia.
Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos
ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.
A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas, tais como: o falha de memória (o famoso “branco”); o cansaço físico, o sono deixa se ser reparador; o ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas.
Para economizar energia, o crescimento pessoal, a prosperidade e a satisfação diminuem, os talentos não se manifestam mais por falta de energia, o magnetismo pessoal desaparece, medo constante de que o outro o prejudique, aumentando a competição, o individualismo e a agressividade, falta proteção contra as energias negativas e aumenta o risco de sofrer com o “vampiro energético”.
Mentalize que, quando todos colocarem essas regras em prática, o mundo será mais justo e mais belo. Vamos tentar melhorar nossa energia pessoal. Atitudes erradas jogam energia pessoal no lixo.
S.Bernardelli
Kashima Shinto-Ryu
por Meik Skoss
Aiki News #99 (1994)
Traduzido por Nelson Wagner Santos
Às vezes é muito difícil saber em quem acreditar ou o que pensar quando aqueles numa posição de saber não podem, ou não dão à informação exata. Um caso sobre este ponto foi quando eu comecei a perguntar para alguns de meus professores e seniores sobre os antecedentes técnicos e influências históricas no desenvolvimento do aikido. O jujutsu do Daito-ryu é sentido geralmente como a base para técnicas desarmadas, mas as técnicas de armas vistas geralmente na arte foram atribuídas a um número de fontes. A maioria das pessoas com quem eu falei o pensa que o trabalho com espadas foi derivado do Yagyu-ryu ou do Yagyu Shinkage-ryu e que o uso do bastão vieram do Hozoin-ryu. Algumas pessoas eram enfáticas em dizer que todas as técnicas no aikido eram inteiramente criações do fundador da arte, Morihei Ueshiba. Depois que eu comecei a estudar o kobudo (artes marciais clássicas) eu mesmo e me tornei familiar com as características de muitos dos koryu diferentes (tradições marciais clássicas, escolas, ou estilos das artes), eu fui muito surpreendido ao ver que as armas que treinam seqüências mais frequentemente associadas com aikido de Ueshiba se assemelharam mais claramente àquelas do Kashima Shinto-ryu. Em todas as minhas conversas com professores e seniores nos dojos do aikido onde eu treinei ou visitei, eu nunca ouvi o nome deste koryu mencionado; as pessoas com quem eu falei confessaram a ignorância ou negaram qualquer conexão, e eu nunca recebi uma explanação satisfatória.
Logo depois que eu levantei estas questões, em 1978 ou 79, eu visitei o dojo do falecido Mestre Koichiro Yoshikawa, 64º Grão Mestre do Kashima Shinto-ryu. Responderam graciosamente muitas perguntas sobre a história e as técnicas do ryu. Além disso, mostrou-me um registro das pessoas que tinham entrado no Kashima Shinto-ryu e tinham feito keppan (literalmente “selo de sangue,” assinando o registro e selando-o com seu próprio sangue como amostra de sinceridade e intenção séria) datados de antes da Segunda Guerra Mundial. Adivinhem fãs do esporte? Um dos nomes no registro era o de Morihei Ueshiba, junto com o de Zenzaburo Akazawa, seu deshi. Foi-me dito que um monte de alunos da Kobukan, incluindo Morihei Ueshiba, estudou por um período de vários anos. Mais uma vez, quando eu trouxe à tona o assunto do Kashima Shinto-ryu e sua influência no aikido, diversas pessoas do aikido, incluindo um dos instrutores mais antigos no Aikikai, me asseguraram que eu estava confundido. A única ligação que eu poderia fazer era esta: a) Eu posso ler japonês, e b) eu vi o registro com meus próprios olhos (se pode discutir com um professor e seniores em inglês sem parecer impertinente, mas é quase impossível fazer algo assim no contexto japonês). Mais tarde, eu mencionei tudo isto a Stan Pranin, editor da Aiki News, e ele tinha estabelecido isto e muitos outros detalhes contundentes não publicados previamente do treinamento de Morihei Ueshiba nas artes marciais clássicas e a influência dos koryu em cima do desenvolvimento do aikido moderno. Muito mais trabalho, entretanto, permanece para ser feito.
Kashima Shinto-ryu é uma das tradições marcial mais antiga do Japão. Seus membros seguem a história do ryu há seiscentos anos até Kuniazuno Mabito, considerando ele ser o shiso, ou o progenitor, do original Ichi no Tachi ou Kashima no Tachi. Mesmo se alguém datar a história da tradição para época de Tsukahara Bokuden (Nascido. 1489), que é considerado por membros do Shinto-ryu ser o verdadeiro ryuso (fundador), há uma linha de sucessão direta contínua que dura mais de quinhentos anos.
Kuniazuno Mabito era um antepassado direto de Bokuden. Foi indicado para o cargo de curador, ou guardião, do Grande Templo do Kashima. Uma de suas responsabilidades era a manutenção da paz e da ordem dentro dos recintos do templo (o domínio manorial do Templo pode ser uma descrição mais exata; ele é grande atualmente, mas foi um dos latifundiários principais na região inteira e de exercia grande poder). Um espadachim notável, Mabito criou um grande corpo de técnicas e de métodos de treinamento e ensinou muitos estudantes que serviram como a guarda do Templo. Seus descendentes foram os Yoshikawa Urabe. Serviram como adivinhos assim como curadores do Templo, e fornecer a segurança armada transformou-se em um de seus deveres hereditários. Bokuden nasceu nesta família, mais tarde transformando-se em um yoshi, ou genro adotado do clã de Tsukahara.
Bokuden é frequentemente citado como kensei. Traduzido literalmente, a palavra significa a “santo da espada,”, mas ela significa mais corretamente um espadachim que transcendeu as técnicas meramente físicas e penetre à essência da esgrima, um cuja arte imbuída com uma dimensão espiritual extraordinária. Bokuden aprendeu o Katori Shinto-ryu de seu pai adotivo e aperfeiçoou mais tarde suas habilidades realizando o musha shugyo (treinamento ascético do guerreiro), viajando durante todo Japão e treinando com a maioria dos expoentes hábeis, conhecidos de seu tempo. Sistematizando mais tarde o ensino das artes marciais locais da área de Kashima. Após ter recebido uma inspiração divina de Takemikazuchi-no Kami, a divindade do Templo Kashima, “kokoro arata ni koto ni atare” ([aqueles] que mantém a mente de um novato [perspectiva nova; uma mente aberta à mudança], terá sucesso [pode confrontar/negociar, lidar com] em qualquer coisa), Bokuden pegou os dois caracteres (kanjis) para o novo e suceder, junto com o nome do Templo e deu um nome formal a seu sistema: Kashima Shinto-ryu.
O Kashima Shinto-ryu foi formado durante o Sengoku Jidai (idade de estados guerreiros), quando o país inteiro estava envolvido em uma série de guerras pelos senhores feudal que disputavam o controle militar e político. Suas técnicas são baseadas naturalmente nas experiências ganhas no campo de batalha e refletem a maneira em que se luta quando paramentado com a armadura da época o domaru e o gusoku yoroi. Os movimentos são dirigidos contra ao que seriam os pontos fracos ou as aberturas na armadura, particularmente as superfícies internas dos braços e dos pés e a área entre o peitoral e o pescoço ou as coxas. Muitas técnicas incorporam o atemi, golpeando com o pomo ou as costas da arma, para nocautear, ferir ou imobilizar o oponente. Os movimentos são grandes e parecem relativamente lentos nas técnicas projetadas para combate com armadura. As técnicas para o combate quando vestidos com roupas comuns ou somente protegidas mìnimamente pela armadura foram desenvolvidas mais tarde, e são, mais rápidas, menores e imperceptíveis, e alvejam um grande número de áreas no corpo do inimigo. O aprendizado esta centralizado na espada, mas incluem a lança (yari), o bastão (Jô e bô) e a alabarda (naginata).
Geralmente falando, os kamae (posturas de combate) no Kashima Shinto-ryu são enraizados, com os pés bem separados e o corpo um tanto abaixado (mi wa fukaku atae). Isto fornece uma base contínua, estável para os movimentos em campo aberto e ajuda para movimentos poderosos. A postura psicológica ou intenção do praticante de Kashima Shinto-ryu é agressiva (kokoro wa itsumo kakari nite ari), mas o corpo é mantido em uma maneira atenta, sem brandir a espada para o inimigo (tachi wa asaku nokoshite). Expondo-se ligeiramente para eliciar um ataque ou sondar a habilidade física do oponente e o estado mental (saguriuchi), podendo derrotar o oponente utilizando suas fraquezas.
O omote no tachi é compreendido de doze técnicas executadas com o bokuto reto, como de armadura. O primeiro destes, ichi no tachi, é quase idêntico a um exercício do mesmo nome ensinado por Morihiro Saito. O Ni no tachi do Kashima Shinto-ryu tem diversos elementos em comum com seqüência de treinamento do Saito, como san no tachi, mas há um número de diferenças também. Eu acredito que as diferenças refletem os ensinamentos que Saito recebeu de Ueshiba, e é relacionado à finalidade do treinamento da espada do aikido ao contrário daquele da esgrima clássica. Em todo o caso, foi observando o omote no tachi waza do Kashima Shinto-ryu que acendeu meu interesse nas conexões entre esta tradição clássica e o desenvolvimento do aikido.
Além do omote no tachi>, há um total de dezessete técnicas no chu gokui. Embora possam ser feitos com bokuto, é executada geralmente usando o fukuro shinai, uma espada do treinamento feita de bambu rachado encerrado em um saco do couro ou de lona. Esta arma permite que os praticantes experimentem o treinamento aplicado com mais segurança, porque o impacto do shinai não causa ferimento sério. A maioria das técnicas envolve treinar de encontro a um outro espadachim, mas diversas delas envolvem respostas à lança e a alabarda. O kojo okui jukka no tachi é uma série de dez técnicas com as espadas longas e curtas, sozinhas ou em conjunto, usando espadas de metal. Se as espadas forem reais, com bordas afiadas, esta pode ser chamada como habiki; na prática, entretanto, as espadas com (sem corte) bordas rebatidas (mugito) são usadas geralmente. O Tonomono tachi é uma seqüência de doze técnicas que concentram em aspectos sutis e dos princípios da esgrima. Há oito bojutsu kata, dando ao estudante do Kashima Shinto-ryu o completo conhecimento no uso do rokushakubo (bastão de madeira de seis pés). A parcela de sojutsu (lança) do currículo contém mais de trinta exercícios, e inclui técnicas com e de encontro ao kamayari (lança com gancho, lança com barra transversal), e a naginata (alabarda), assim como o bajo sojutsu (uso da lança quando montado a cavalo). Finalmente, há vinte e seis battojutsu, técnicas de sacar a espada. Incluem técnicas simples para sacar e cortar, lidando com oponentes múltiplos, e ataques de surpresa.
Atualmente, os treinos ocorrem somente uma vez por semana durante a maior parte do ano. Em janeiro, durante a parte mais fria do inverno, entretanto, a prática é feita diariamente. Os alunos variam de meninos na adolescência a diversos homens na casas dos oitenta anos. Como são comuns com a maioria dos koryu, as licenças ao invés da graduação de Dan (dan-i) são concedidos, indicando o grau de proficiência alcançado e a quantidade do currículo que se estudou. A permissão para ensinar é dada somente após ter alcançado um determinado nível, e somente com a autorização expressa do Grão Mestre do ryu. Atualmente, quatro homens da Inglaterra se juntaram ao ryu e treinaram-no por um período de tempo considerável antes de retornar para casa. Os estudantes de Aikido interessados em aprender mais sobre as raízes técnicas de sua arte podem considerar as possibilidades de treinar nesta tradição clássica.
Copyright ©1993 Meik Skoss. Todos os direitos reservados.
Meik Skoss começou a treinar artes marciais em 1966 em Los Angeles, quando se juntou ao dojo de aikido de Takahashi Isao. Foi ao Japão em 1973 continuar treinando o aikido e o iaido de Muso Jikiden Eishin-ryu com Hikitsuchi Michio. Após mudar-se para Tokyo em 1976, Skoss começou seu estudo do jojutsu de Shinto Muso-ryu com o Shimizu Takaji, um naginatajutsu de Toda-ha Buko-ryu com o naginatajutsu de Muto Mitsu, e do Tendo-ryu com Sawada Hanae, bem como continuar a praticar o aikido no Dojo do Aikikai Hombu. Foi também nesta época que começou a trabalhar com Donn F. Draeger e acompanhou o mestre hoplologista em um número de viagens a campo no Sudeste Asiático. Em 1979 começou a estudar o battojutsu sob o Grão Mestre da 21ª geração, Yagyu Nobuharu Toshimichi do Yagyu Shinkage-ryu heiho/kenjutsu e de Yagyu Seigo-ryu. Praticou também o judo, tai-chi chuan, karatedo do estilo Goju-ryu e, além do koryu acima, atualmente treina judo, atarashii naginata e jukendo. Skoss possui a graduação de 4º Dan de aikido (Aikikai), 5º Dan de jodo de Zen Nihon Kendo Renmei, 5º Dan de Jukendo, 3º Da de Tankendo, 2º Dan de atarashii naginata, okuden mokuroku e shihan licenciado em naginatajutsu do Toda-ha Buko-ryu, e sho-mokuroku no jojutsu de Shinto Muso-ryu. É um dos inúmeros hoplologistas que continuam o trabalho de Donn F. Draeger e viajou por todo o Japão para visitar muitos koryus e os dojos modernos de budo para coletar as informações em artes marciais japonesas. Atualmente reside em New Jersey, e com sua esposa ensinam o jojutsu, o kenjutsu e o naginatajutsu em um dojo em Madison. Pode ser encontrado no e-mail: mskoss@koryubooks.com
Curvando-se à Realidade
por David Lynch
Aikido Journal #116 (1999)
Traduzido por Jefferson Bastreghi
Parece incrivelmente óbvio, contudo eu me deparo continuamente com pessoas que parecem incapazes de dizer a diferença entre treinar e lutar.
Alguns insistem, por exemplo, que você deveria manter seus olhos fixos no seu parceiro enquanto se curva, para o caso de você ser golpeado na nuca, receber uma joelhada no rosto, ou sujeitar-se a algum outro ataque covarde.
Espanta-me minha imaginação, entretanto, de que alguém se curvaria em uma briga real – deixando-se de lado se “briga” é a palavra certa para se dirigir ao Aikidô – então eu não posso entender de onde estas pessoas estão vindo. A menos, é claro, que esta é uma questão de manter algum código arcaico de honra no qual combatentes se curvam uns aos outros antes de se atracarem em uma luta de vida ou morte.
Em uma versão contemporânea, isto envolveria um floreio elaborado do boné de baseball: “Fred Bloggs, da nobre família Bloggs, a seu serviço, Senhor. Permita-me a honra de uma luta até a morte. Canivetes ou correntes de bicicleta? A escolha é sua.” Eu acho ridículo confundir treino no dojô, isto é, aprender as técnicas e os princípios por trás delas em um ambiente seguro com um parceiro cooperativo, com alguma espécie de vale-tudo.
No dojô, cortesias são observadas, linhas são traçadas, e é entendido por todos os participantes (de fato?) que você está treinando, não lutando. De qual outro modo você aprenderia técnicas potencialmente mortais? De qual outro modo compreenderíamos os princípios mentais e espirituais da arte?
Se treinar no dojô é suposto a se igualar a uma “luta real” haveria pouco sentido em usar um uniforme e treinar com os pés descalços no tatame, usando (pior ainda) formas de ataque pré-arranjadas. Que irrealista!
Poderia ser que a confusão sobre isto vem do fato que tantas artes marciais se tornaram esportes competitivos? Ou é porque a indústria cinematográfica de Hong Kong tem saturado tanto a mente do público com cenas de heróis e vilões esbanjando força bruta para provar qual dojo é o melhor, que esta imagem celulóide se tornou a única a que algumas pessoas se relacionam?
A etiqueta no dojô é levada a sério no Aikidô, e curvar-se é considerado uma parte importante disso, complementar ao aspecto marcial. O ato de se curvar originou-se, como o aperto de mão, como um gesto de respeito e confiança. Curvar-se com nada além de desconfiança no seu coração seria negar completamente este significado. Seria também extremamente má conduta, e realmente não entendo a lógica daqueles que insistem em fazer isso. Estou aberto a correções, mas eu sinto que este é outro exemplo de uma atitude competitiva mal-orientada, o que é particularmente inapropriado ao treinamento do Aikidô. Nós vemos isso também naquelas pessoas que continuamente resistem a técnicas.
De onde vem esta necessidade desesperada por “realismo”? Parece ser um desenvolvimento moderno, julgando-se sua completa ausência nas formas antigas de treinamento, incluindo aikijujutsu.
Eu não tenho grande experiência de “luta de rua” (estou geralmente no meu carro quando saio nas ruas!), então pode haver algo que eu não esteja compreendendo. A visão que há muitas pessoas sórdidas, não-confiáveis “lá fora” pode sustentar esta abordagem negativa ao treinamento. Mas desconfiança constante ao companheiro seria um modo muito patético de vida – ou melhor, modo de morte – e a sociedade certamente ainda não atingiu aquele nível sombrio.
Treinamento em “estar atento” (uma idéia com tantas interpretações quanto ela tem advogado) é importante, mas isto não depende somente dos olhos. Na verdade, muitos mestres de budô instruem especificamente os seus estudantes a não olharem diretamente nos olhos dos seus oponentes. Eu não vejo conflito entre treinamento cooperativo no Aikidô e treinamento em “estar atento”. Ao invés de competir uns com os outros, nós deveríamos tentar aumentar nossa atenção durante o treino para que cada movimento nosso se torne vivo e não apenas uma repetição mecânica.
Aprendizado repetitivo de técnicas poderia levar a reações não apropriadas em algumas situações (o que é o porquê nós somos alertados a não ficarmos presos na forma), mas não posso imaginar alguém indo tão longe a ponto de automaticamente curvar-se a um agressor seriamente intencionado a machucá-lo. Há uma piada sobre o vilão, preso seguramente em uma chave de pulso por um oficial de polícia, que sinaliza com o sinal ortodoxo de submissão do dojô batendo com sua mão livre, e imediatamente foge quando o oficial reflexivamente solta sua pegada. Parece possível, embora improvável, que tais hábitos de treino poderiam se mostrar no momento errado.
Devo admitir, entretanto, que uma vez fui beneficiado por uma ação reflexiva similar em um campo de treinamento, onde eu fui “atocaiado”. No dia final do campo, voluntários pisaram no tatame para lidar com múltiplos ataques por diversos números de ukes. Quando foi minha vez, alguém tinha secretamente espalhado a palavra e o grupo inteiro de umas cinqüenta e tanto pessoas levantaram-se simultaneamente e começaram a me atacar. Depois de uns poucos segundos evitando os primeiros, eu soltei um alto kiai, da variedade “hai, iiiiii….” e preparei-me para encontrar meu destino. Eu pensei que pelo menos iria tombar lutando.
Para o meu espanto, todos repentinamente pararam de me atacar, ajoelharam-se e curvaram-se respeitosamente. Aparentemente eles acharam que eu tinha gritado “Yame!” (“Pare!”), este foi o kiai mais efetivo que eu poderia ter desejado, embora eu me senti um pouco tolo quando a oposição esmagadora repentinamente se evaporou.
Nós somos criaturas de hábito – produtos, sem dúvida, de nosso ambiente, do qual não é fácil nos separarmos.
Observei este fato recentemente, de um ângulo diferente, quando eu questionei um instrutor japonês de elevado ranking sobre como ele aplicava seus 40 e poucos anos de Aikidô em sua vida diária.
Suas respostas foram fascinantes: “Quando eu fico bêbado, eu volto para casa e faço exercícios de respiração aiki para reduzir a ressaca da manhã seguinte.” E: “Eu tenho acumulado altas dívidas, mas meu treino tem me capacitado a ser filosófico sobre isto, enquanto que uma pessoa comum (não treinada) iria provavelmente ficar doente de preocupação.”
Aparentemente, não ocorreu a este sensei usar seu conhecimento para ficar sóbrio ou para gerenciar melhor suas finanças. Seu ambiente evidentemente ainda assim exerceu uma influência considerável sobre ele. É mais fácil ver isto nos outros, é claro, do que em nós mesmos.
Exercitando o corpo enquanto ainda somos jovens
Por Gozo Shioda Sensei 9 dan.
Como um princípio fundamental do Aikido, treinamos sem usar forças desnecessárias. Diferente de outras artes marciais, onde existem muitos exercícios para treinamento muscular, o treino de Aikido não inclui este tipo de atividade. A questão é: porque não usamos treinamento muscular e, se usarmos, até que ponto devemos fazê-lo? Caso Ueshiba Sensei visse pessoas levantando e puxando pesos, ele comentaria: “Que exercícios tediosos” e nos aconselharia a não fazê-los.
Mas, de fato, quando eu estava sozinho costumava praticar vários tipos de exercícios para treinar meu físico. Era jovem e cheio de energia, e como estava muito ávido para ficar forte, não me sentia satisfeito, a não ser que fizesse todos os tipos de exercícios até me cansar e tratar meu corpo com dureza.
Pensando melhor sobre isso, desafiando meus limites físicos, estava simultaneamente construindo minha força mental. Faria muitas flexões: facilmente 250 por dia. Barra horizontal também, quando estivesse com disposição. Poderia fazer mais de 300 por vez. Barra com uma mão era fácil também. Quando estava no segundo ano do colegial, representava a região de Kanto na ginástica. Como um jovem, estava bastante confiante na minha força física e habilidade.
Foi graças a esse tipo de treinamento que pude ganhar de Masahiko Kimura no braço-de-ferro. Naquele tempo éramos dois estudantes da Universidade Takushoku, da mesma classe de inglês. O braço-de-ferro era muito popular. Era só um de nós querermos uma disputa que uma das mesas da classe imediatamente se transformava em cena de confronto.
O sr. Kimura já era o melhor judoca do Japão e muito mais forte que a média. Um tipo de “Hércules”. Ele podia entortar uma moeda entre os dedos, quebrar uma porta japonesa entre seus braços ou mesmo entortar uma barra de chumbo. A primeira vez que lutamos me lembro da minha mão direita sendo imobilizada nas mãos de Kimura. Lembro-me também de ter esperado algum tipo de reação por parte dele. Mas tão logo o sinal do início foi dado, juntei toda minha força contra ele antes que ele pudesse usar qualquer força. Surpreso, e quase sem resistência, sua grande força não utilizada, sr. Kimura virou-se e caiu. Ele riu vigorosamente, dizendo: “Eu perdi antes que pudesse ter feito qualquer coisa.”
Foi assim que ganhei no nosso primeiro confronto, mas como meu oponente era um homem particularmente forte, as outras vezes não foram tão boas assim. A vez seguinte, perdi. Nós tentamos de novo, muitas vezes perdendo e ganhando em turnos.
NO FINAL DO PROCESSO DE
TREINAMENTO “ESPARTANO”, A FORÇA SE FOI
Houve um tempo que eu era orgulhoso da minha força física. Naquele tempo, usava só o poder e a força das mãos quando executava as técnicas. Aliás, no Dojo Ueshiba, havia sempre entre 20 jovens estudantes da religião Omoto Kyo, que estavam sempre se confrontando e testando uns aos outros, com o uso de muita força. Durante o processo de treino, isto é aceitável. Mesmo que eu peça para os jovens não usarem força, naturalmente eles usam. Esta é a realidade quando somos jovens. Para testar e limitar o uso da força, perdemos a proposta de nosso treino.
O importante é fazer nosso melhor a cada estágio de nosso progresso. Devemos levar nosso corpo e mente até o limite e, se não treinarmos até nos satisfazermos, então não podemos sentir e assimilar mentalmente com nosso corpo o que é realmente vital.
Os KIDOTAI, polícia de choque, que treinam em nosso Dojo, são um bom exemplo. Não falo para eles para não usarem força. Nós os levamos até seus limites e quando eles estão tão cansados que suas pernas e quadris mal podem suportá-los, não usam mais força. Anteriormente, quando o Dojo era em Musashi Koganei, todo mês de abril os funcionários da estação ferroviária podiam olhar para o corrimão da escada e dizer “parece que a polícia começou seu treino na Yoshinkan novamente este ano.”
Os treinees estavam tão exaustos com seu treino que seguravam nos corrimões para se arrastarem para cima e para baixo na escada mantendo-os, assim, limpos e polidos.
Se não treinarmos duro não poderemos realizar o Aikido como arte marcial. Entretanto, nem todo mundo é capaz de fazer ou seguir este tipo de treino. Por isso, hoje em dia no nosso Dojo temos um modelo de ensino.
Quando somos jovens, podemos forçar nosso corpo fisicamente. Fazendo isso, entendemos melhor sobre nós mesmos e começamos a desenvolver nossa força mental. Assim que começamos a envelhecer, nossa força física gradualmente desaparece. Quando isso acontece, somos capazes, pela primeira vez, de sentir e realizar efetivamente o poder e o foco do Kokyuryoku, o qual não depende de força física.
Entretanto, esse nível só é alcançado através do treino duro e absoluto feito enquanto somos jovens. Se nós nos restringirmos desde o começo e fizermos treinos leves durante os anos seguintes, então de nada terá adiantado. Ueshiba Sensei nos disse para não usar força, mas na verdade ele treinou muito forte quando jovem. Chegando ao fim de sua vida, alcançou o estágio que podia demonstrar “técnicas divinas” por causa de sua experiência. Não podemos esquecer esse ponto.
DEVEMOS CONSTRUIR FÍSICOS QUE SE MOVAM NATURALMENTE
O que significa para pessoas que seguem um treinamento espartano “construir o físico de alguém?” Vamos olhar o físico que Ueshiba Sensei tinha. Mesmo o físico do Sensei sendo bem largo, ele não possuía grandes músculos. Em fotos, nós o vemos com o corpo enrugado.
A realidade era um pouco diferente. Seu corpo não era duro, mas era, no todo, macio e liso. Tinha sempre que lavar as costas do Sensei no banho ou que massagear seu corpo e com isso tive muitas oportunidades de tocá-lo. Mesmo hoje, me lembro o quanto ele era flexível e suave. Quando o segurava com pressão dos dedos por um momento e depois soltava, sua pele voltava ao estado normal suavemente – era esse o tipo de físico dele. Quando segurávamos suas mãos, havia um sentimento estranho. Primeiro nós não sentíamos força ou poder, mas sem se dar conta do que tinha acontecido, nós nos sentíamos presos. Em outras palavras: ele era leve, mas era uma leveza com um terrível tipo de poder e de força que poderia ser despertado, se necessário.
Porque Ueshiba Sensei é o fundador do Aikido e tinha este tipo de físico, nós poderíamos ser levados a pensar que todos que treinam Aikido deveriam ter o mesmo tipo de constituição. Este, entretanto, não é o caso. Ueshiba Sensei costumava dizer que nós deveríamos estar prontos e preparados para construir nosso corpo, mas de modo que estivesse de acordo com a nossa estrutura e constituição. “Por isso Shioda, se você tentar desenvolver um corpo igual ao meu, você não será capaz de se mover naturalmente”, ele me disse uma vez. Em outras palavras, Ueshiba Sensei estava querendo dizer que o Aikido é uma das maiores formas de Budo porque é natural. Por esse motivo, não devemos tentar construir um corpo contra a natureza, mas sim um corpo que combine conosco.
No entanto, muitas pessoas confundem a natureza. Por exemplo, é estranho quando o corpo envelhece e se transforma, fica rígido, para forçar a fazer os mesmos tipos de exercícios que os jovens fazem. Isto somente tende a prejudicar os músculos. É igualmente estranho se nós tentamos e construímos músculos desnecessários num corpo pequeno através de levantamento de pesos até o corpo ficar forte. Este tipo de tentativa vai contra a natureza. Se nós persistirmos em ir contra a natureza, podemos ficar fortes em musculatura, mas não seremos capazes de alcançar o segredo do Aikido.
Até o ponto que o Aikido interessa, o desenho ideal para o físico é aquele que não é deficiente para o tipo de atividade que fazemos. A revelação de Ueshiba Sensei que a “postura natural quando andamos é Budo”, se aplica a esse assunto. O Aikido pode ser praticado por qualquer um. Pessoas com físico rígido praticam como pessoas rígidas. Aqueles com físicos gordos, como pessoas gordas. Qualquer situação onde nós podemos nos movimentar naturalmente está bom.
Contrariamente, podemos dizer que devemos mudar nosso corpo para este se tornar natural. Shugyo (treino “espartano”) afeta essa mudança, mas necessita de esforços contínuos para aperfeiçoar isso. Se desenvolvemos nosso corpo do melhor modo possível, de acordo com a nossa idade e nosso físico, então mesmo sendo velhos podemos ainda praticar Aikido.
(Traduzido da Revista Aikido Yoshinkan International)
Traduzido por Emy Yoshida
Hakama
Hakama é na verdade um tipo de calça pregueada, usada por cima de um Kimono ou um tipo de vestimenta. Hakama é usado hoje em ocasiões formais, e também usado na prática de artes marciais tradicionais como: Aikido, Kendo, Kenjutsu e nas artes do Arco e Flecha.
No manual das artes marciais, diz-se que as 7 pregas de um Hakama representam as setes virtudes do Bushido que são:
• Gi – a decisão certa;
• Yu – bravura;
• Jin – amor universal, benevolência com a humanidade, compaixão;
• Rei – ação correta, cortesia;
• Makoto – sinceridade, veracidade;
• Meyo – honra;
• Chugi – devoção, lealdade.
Um pouco de sua História
Houve muitos tipos de Hakama durante todo período de tempo entre o primeiro documentado no século X, até seu uso nos dias de hoje. Aqui pode-se ver um tipo de Hakama de pernas muito longas, pela qual era bem comum entre as classes mais altas da sociedade japonesa.Parece que a pré forma do primeiro Hakama desenvolvido no Japão, por volta do ano 900, era usado tanto por homens como por mulheres. Desde a corte, a vestimenta se espalhou para outras classes, que somente modificou sua aparência. Quanto a classe de guerreiros samurais formou-se no fim do século XII, o Hakama parecia ter sido espalhado na sociedade, os próprios samurais usavam esse tipo de calças largas quando estavam fora das campanhas de batalhas, poderia dizer que durante a vida civil, mas o tipo de denominação não está inteiramente correto, visto que os samurais estavam sempre de plantão por toda sua vida. O tecido aplicado na confecção do Hakama, também variou, dependendo da classe econômica da sociedade. As classes de mais poder aquisitivo podiam usar seus Hakamas de seda da melhor qualidade, enquanto as classes de baixa renda não podiam usar tal vestimenta, o tipo de roupas para eles era no entanto do tipo mais simples. As cores dos Hakamas variaram bastante durante sua longa história, dos escuros, das cores neutras até as brilhantes. Em diversos filmes de Akira Kurosawa podemos ver a história e o esplendor dos Hakamas. Isso até em filmes preto e branco, como Yojimbo, e os Sete Samurais, mas também nos filmes coloridos, por exemplo Kagemusha, que é bem evidente.
Muito frequentemente, o Hakama demonstrou intrigados tecidos de padrões florais ou simbólicos, o comprimento de suas pernas também variaram durante todo período, dos mais curtos, bem acima do tornozelo, aos mais compridos que se andavam completamente escondidos dentro do Hakama. Então levando-se em consideração todas as partes acima, entende-se que a total variação do Hakama tem sido enorme. Parece que o Hakama original era um tipo de vestimenta unissex, que era usada por ambos os sexos, tenho a impressão que de forma gradual o Hakama ficou sendo predominantemente usado pelos homens. Mulheres que serviam ao grande Santuário de Ise, sempre usaram Hakama vermelho e Kimono branco, uma tradição usada até hoje. Desde o século XIX, o Hakama tem sido novamente usado entre as mulheres, pelo menos durante certas ocasiões, por exemplo quando se formam em Universidades, podem escolher entre usar Hakama ou um yukata durante suas cerimônias de graduação, pelo menos em algumas Universidades. O casaco que ele usa é chamado Haori. Os samurais eram provavelmente os guerreiros mais habilidosos que o mundo já viu. Eles eram treinados em artes marciais desde os 5 anos de idade, e desde então acostumavam a prática repetitiva por diferentes senseis. Uma marca registrada desses guerreiros habilidosos eram seus Hakamas.
Na maioria das academias de Aikido, o Hakama é sinal que se alcançou o nível de Shodan (faixa preta). Em muitos países europeus, o Hakama é dado aqueles que alcançam o 3º kyu, que é a metade do caminho para faixa preta. No Yoshinkam Aikido, a interessante direção de Shihan Gozo Shioda, não se é permitido o uso do Hakama até o 4º Dan.No Aikido, o Hakama é para um certo nível. É um tipo de vestimenta do qual deve-se orgulhar. Se alguém que pratica Aikido se sente embaraçado ao usa-lo pela primeira vez, geralmente mudam de opinião logo nos primeiros movimentos, tornam-se mais conscientes de suas posturas. É como se o Hakama guiasse o corpo a ficar numa postura mais ereto e elegante.
Nas costas do Hakama, o nome do dono é geralmente colocado do lado direito, bordado em japonês com kanji chinês, ou sinais de katakana japonês. A cor da linha é laranja intenso ou amarelo.
Bambu
“BAMBU
Você sabia que depois de plantada a semente do bambu chinês não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo?
Durante cinco anos todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas… uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída.
Ocorre, então, que ao final do quinto ano, o bambu cresce até atingir uma altura de 25 metros.
A respeito disso, um escritor de nome Covey assim escreveu:
“Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês.
Você trabalha, investe tempo, esforço, enfim, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento. Às vezes não vê nada por semanas, meses, ou mesmo, anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo (seu esforço), seu quinto ano chegará, e, com ele, virá o crescimento e as mudanças que você jamais esperou…”
O bambu chinês nos ensina que não devemos desistir facilmente de nossos projetos e de nossos sonhos!!!
Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a persistência e a paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos!!!
É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.”
Querer vencer!
“No esporte, nas empresas e na vida, muitas vezes não são o preparo, a estratégia ou as táticas que fazem a diferença…. ….O que realmente faz a diferença são a emoção, o entusiasmo e a vontade de fazer acontecer. Vencer não é tudo na vida. Querer vencer, é…..