zou-tanuki (“texugo, comprador de saquê”).

No Japão é comum encontrarmos na entrada de algumas lojas um gracioso animal – o tanuki. Sua presença indica que naquele estabelecimento é vendido o saquê e outros tipos de bebidas alcoólicas. 

Feito de cerâmica, ele pode ser encontrado em todos os lugares, mas é um pouco mais difícil de se deparar com o verdadeiro animal. O tanuki é uma criatura de pernas curtas, razoavelmente corpulenta, com um pequeno e espesso rabo, e é membro da família dos caninos. Embora o nome do tanuki em inglês seja ‘cachorro raccoon’, ele é freqüentemente confundido com o texugo japonês, anaguma, um animal completamente diferente.

Foi desde o início da Era Edo que a população passou a consumir o saquê refinado. Nessa época, os adultos mandavam as crianças aos Sakaya (lojas de bebidas alcóolicas) e essas retornavam à sua casa com uma garrafa de saquê (tokkuri). Antigamente, os produtores de saquê de Nada (região de Hyogo) diziam “Sem a presença de um texugo pequeno, não é possível fabricar um saquê delicioso!!!”. Segundo este ditado, para produzir um saquê de qualidade é necessário tradição e experiência. Assim, foi criado kozou-tanuki. Desde então, o Tanuki passou a ser visto também como um amuleto de sorte.

Folclore:

No folclore japonês, o Tanuki possui grande força física, e poderes sobrenaturais, incluindo poder de transformação e, assim como a raposa vermelha, chamada kitsune , é um mestre do disfarce que utiliza para iludir ou irritar as pessoas.

É uma criatura travessa, utilizando todas as formas de disfarces para iludir ou perturbar os viajantes. Posicionando-se em pé na calçada com suas patas traseiras, ele distende sua barriga (ou melhor, região pélvica), e bate nela com suas patas dianteiras. O tanuki também é simbolizado numa forma semelhante a uma raposa, fazendo brincadeiras loucas, perigosas e de mau gosto com sua enorme barriga, que mede oito tapetes de tatami!

Devido à sua pança, o Tanuki é associado com duas outras figuras que possuem grandes estômagos, o peixe Fugu (Baiacú), e Hotei, o gordo, Deus da Sorte. Também é dito que ele tem alguma ligação com a chaleira, por causa de sua aparência. O Shogun, Ieyasu Tokugawa, era irreverentemente referido como Furu Tanuki, velho Tanuki. A expressão ‘Tanuki-gao’ é às vezes utilizada para descrever mulheres de rosto redondo. No Japão dos dias de hoje então, você freqüentemente vê a estátua de um Tanuki do lado de fora de uma loja ou restaurante, sinalizando aos clientes que venham visitar o estabelecimento.

As suas oito características peculiares são conhecidas como “hassou engi” (cada característica associada a uma lição):

1- O chapéu japonês de bambu do kozou-tanuki significa proteção contra desastres inesperados.

2- Os olhos grandes significam a decisão certa.

3- A expressão amorosa do kozou-tanuki diz para nunca esquecer o sorriso no rosto.

4- A garrafa de saquê significa que esforço do dia-a-dia resulta nas virtudes que cada um possui.

5- O livro significa valorização da confiança e importância da caderneta financeira(o sucesso financeiro). No livro há um símbolo  hachi (kanji de 8). Este símbolo, brasão da família Owari Tokugawa, significa seu domínio sobre Owari-hachi-gun. Na epoca, Tokugawa Ieyasu tinha o apelido de ”Tanuki”  e, por isso, a introdução do brasão no livro foi aceito com grande sucesso.

6- A barriga saliente significa serenidade e equilíbrio para tomadas de decisão.

7- O saco com dinheiro expressa capacidade de aumentar riqueza e sabedoria para utilizar o dinheiro sem desperdícios.

8- O formato da cauda do texugo (cauda grossa com ponta afinada) significa que as tarefas que foram iniciadas devem ser executadas firmemente até a sua conclusão.

Essas estátuas são vendidas em lojas, e os tanuki geralmente são representados segurando uma garrafa de saquê e, como uma amostra do ácido humor japonês, com testículos exagerados. Acreditam que esses testículos (chamados coloquialmente de kintama – literalmente, “bolinhas douradas”) são símbolos de boa sorte.

 

O Animal original:

No passado, ele era caçado no Japão pela sua carne, sua pele marrom e preta (utilizada para fazer pincéis), e seus ossos, aos quais eram atribuídas qualidades medicinais. Eles foram introduzidos nas partes ocidentais da antiga U.S.S.R. para o cultivo de peles. Alguns escaparam (ou foram soltos), e desde os anos 50 espalharam-se pela Escandinávia e sul, chegando até na França.

Eles vivem em áreas altamente arborizadas, geralmente próximo à água, alimentando-se de invertebrados, pequenos animais (sapos, lagartos, roedores e pássaros que vivem ou constroem seus ninhos no chão) e (particularmente no outono), sementes e frutas silvestres. Quando vivem próximos ao mar, os tanukis também procuram comida ao longo da linha da maré, buscando caranguejos e outros animais marinhos que ficam expostos. Eles são mais ativos após o pôr do sol, e ao longo do anoitecer, depois novamente nas primeiras horas da manhã, período no qual eles podem chegar a vagar por 10 a 20 km, em busca de comida.

Como os tanukis entraram em áreas suburbanas e até urbanas no Japão durante os anos 80 e 90, começaram a procurar comida em aterros de lixo, e chegam até a ser alimentados por pessoas, em seus jardins, que é uma das razões que fazem com que eles sejam associados aos texugos, que sobrevivem nos aterros de lixo de muitas cidades. É improvável que você veja um tanuki durante o inverno porque, embora ele não hiberne, acumula gordura no outono e então recolhe-se à sua toca, desde novembro até meados de abril. Ele pode surgir algumas vezes para se alimentar, e nos períodos mais quentes, pode chegar a ficar sem dormir.

O futuro do Tanuki é incerto, já que muitos tanukis têm sido afetados pela ‘sarcoptic mange’, uma condição causada por um parasita. Os tanukis que contraem esse parasita sofrem deterioração de pele, e progressiva perda de pêlo, deixando-os parcialmente, ou completamente, sem pêlos. Nesse estado, a probabilidade que eles sofram e morram de hipotermia aumenta enormemente, e desde por volta de 1990, muitos têm sido encontrados mortos durante o inverno. Ao que parece, o parasita conseguiu espalhar-se de áreas suburbanas com altas densidades de tanukis até áreas selvagens também, levando a sérios declínios particularmente nas populações dos estados de Kanagawa e Miyagi. Durante o final dos anos 80 e início dos anos 90, o parasita espalhou-se rapidamente, e os números de animais infectados aumentaram bastante.

Por outro lado, os números de caçadores no Japão decaíram durante os anos 80, e num período de 10 anos, o número de tanukis mortos por caçadores caiu pela metade, de um pico de aproximadamente 75,000 em 1981, para aproximadamente 33,000 em 1990. Isso pode, de alguma forma, estar contrabalanceando o efeito do mange sobre a população de tanukis durante os últimos vinte anos.

A arte marcial e seus beneficios: gerando modismos e ações oportunistas

Quem pratica artes marciais seja ela qual for(claro que com professores e grupos sérios) sabe dos inegáveis benefcicios que estas trazem para sua vida de uma forma global.

Principais benefícios:

– Fortalecimento muscular (sem ficar “marombado” e pesadão )
– Melhora da função cardiovascular
– Ganho de massa corporal
– Perda de calorias
– Tonificação dos músculos
– Aumento da coordenação motora
– Aumento da percepção geral.
Voltando um pouco os 5 primeiros são mais fáceis de se obter em muitas atividades.  Os 2 últimos são beneficios mas especificos das artes marciais, principalmente o último.  Se bem orientado em um arte marcial séria, e sendo conduzida por sensei ( ou sifu ou outro nome do instrutor responsável de acordo com a origem da arte) sério e capacitado também.
Os 5 primeiros pode-se até conseguir com as aulas de educação física aerobicas ou com uma daquelas “power marcial yoga dance aerobic turbo especial” que aparecem todos os anos para chamar público para as academias no verão. Os profissionais de ginástica são muito expertos… ninguém percebeu ainda essa estratégia…
A muito tempo o pessoal de educação física está de olho no público que frequenta ou procura as artes marciais e seus beneficios.  Que são indiscutivelmente amplos como falado anteriormente. Muita gente não se contenta com a repetibilidade das aulas de ginástica aerobica ou de musculação.
Por isso ele inventam essas “hiper high lambaero power strongs ginásticas”: Venham para a novidade do momento! O método revolucionário que vai resolver sua condição física! Vai perder 10.800 calorias por aula de 1 hora e ficar mais forte que o hulk em apenas 3 meses a tempo de desfilar seu corpo sarado na praia daqui a 3 meses! E no carnaval é claro!! E tudo isso se divertindo e sem tédio algum!
Tudo isso isso quer mascarar uma verdade absoluta na vida: Não existe nada na vida, nenhum resultado, sem dedicação e trabalho contínuo. Sem suor. Seja no trabalho, seja na ginástica, arte marcial ou qualquer coisa. Falo em minhas aulas que tem muita gente que gostaria que fossem as coisas iguais ao filme matrix: Quero aprender kung fu! O programador fazia um download para a tua cabeça do programa e voce virava um mestre. Infelizmente é um pouco mais complicado que isso..
Quando o pessoal tecnocrata ave de rapina da educação física(não generalizando existem pessoas mal intencionadas em tudo, inclusive nas artes marciais. E com certeza muitos profissionais de educação física sérios. Trabalho e trabalhei com muitos) criou o famigerado CONFEF que tinha os olhos compridos em arrecadação do pessoal de artes marciais e dos proprios profissionais de ed. física.
Mas acredito que as artes marciais sobreviverão bem a todos esses modismos e oportunismos. O maior desafio que se tem é chegar ao verdadeiro público das artes marciais, que tem um perfil muito característico. Ele é perseverante, não está preocupado em luta ou defesa pessoal somente, mas no beneficio global, tem comnsciencia dos beneficios diretos e indiretos da arte marcial (ou tem alguma vaga noção disso) e sabe que abraçar uma arte marcial é uma mudança de estilo de vida e não apenas a procura somente dos seus 7 beneficios citados acima. Estes são consequencias.
É claro que estou falando das atividades que se encaixam no conceito de arte marcial e não naquelas que considero como uma luta simples ou em um esporte como hoje são conduzidas.  Seja pela atual caracteristica da atividade, seja pelo ritmo que é conduzida em determinado local/grupo. Mas isso é assunto para outro texto….

Ninguém é

Ninguém é tão forte
Que nunca tenha chorado.
Ninguém é tão auto-suficiente
Para nunca ser ajudado.
Ninguém é tão fraco
Que nunca tenha vencido.
Ninguém é tão inválido
Que nunca tenha contribuído.
Ninguém é tão Grande
Que não possa aprender.
Ninguém é tão pequeno
Que não possa ensinar.
Ninguém é tão sábio
Que nunca tenha errado.
Ninguém é tão errado
Que nunca tenha acertado.
Ninguém é tão corajoso
Que nunca teve medo.
Ninguém é tão medroso
Que nunca teve coragem.
Ninguém é tão alguém
Que nunca precisou de alguém.

Enquanto os ventos sopram

Conta-se que, há muito tempo, um fazendeiro possuía muitas terras ao longo do litoral do Atlântico. Horrorosas tempestades varriam aquela região extensa, fazendo estragos nas construções e nas plantações. Por esse motivo, o rico fazendeiro estava, constantemente, a braços com o problema de falta de empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar naquela localidade. As recusas eram muitas, a cada tentativa de conseguir novos auxiliares. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia idade, se apresentou. Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro. Bom, respondeu o pequeno homem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram. Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer ao anoitecer. O fazendeiro deu um suspiro de alívio, satisfeito com o trabalho do homem. Então, numa noite, o vento uivou ruidosamente, anunciando que sua passagem pelas propriedades seria arrasadora. O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados. O pequeno homem dormia serenamente. O patrão o sacudiu e gritou: Levante depressa! Uma tempestade está chegando. Vá amarrar as coisas antes que sejam arrastadas. O empregado se virou na cama e calmo, mas firme, disse: Não, senhor. Eu não vou me levantar. Eu lhe falei: posso dormir enquanto os ventos sopram. A resposta enfureceu o empregador. Não estivesse tão desesperado com a tempestade que se aproximava, ele despediria naquela hora o mau funcionário. Apressou-se a sair para preparar, ele mesmo, o terreno para a tormenta sempre mais próxima. Para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos estavam nos viveiros e todas as portas muito bem trancadas. As janelas estavam bem fechadas e seguras. Tudo estava amarrado. Nada poderia ser arrastado. Então, o fazendeiro entendeu o que seu empregado quis dizer. Retornou ele mesmo para sua cama para também dormir, enquanto o vento soprava. * * * Se os ventos gélidos da morte lhe viessem, hoje, arrebatar um ser querido, você estaria preparado? Se reveses financeiros, instabilidade econômica levassem seus bens de rompante, você estaria preparado? A religião que professamos, a fé que abraçamos devem nos preparar o Espírito, a mente e o corpo para os momentos de solidão, pranto e dor. Enquanto o dia sorri, faz sol em sua vida, fortifique-se, prepare-se de tal forma que, ao chegarem as tsunamis, soprarem os ventos e a borrasca lhe castigar, você continue firme, sereno. Pense nisso e comece hoje a sua preparação

Passado e presente

Semana da Cultura Pop Japonesa na Capital

A União Sul Americana de Aikido, na pessoa do Sensei Carlos Alberto Grisalt, está representada neste evento em Santa Catarina.

Fonte: Jornal Diário de Santa Catarina

Em Santa Catarina, a seda do kimono está muito mais próxima da renda de bilro do que se imagina. Para mostrar isso, a comunidade nipônica realiza, de hoje até o dia 23, a Semana da Cultura Pop Japonesa, no Campus da UFSC, na Capital.

Nos próximos seis dias, a Associação Nipocatarinense preparou uma série de atividades onde o tradicionalismo será mostrado junto o que há de mais atual em termos de tecnologia.

A semana será aberta hoje, às 18h com a exposição Hinamatsuri e Dia das Crianças e retrata a maneira como o Japão celebra a presença das crianças em sua sociedade. Também estão previstos workshops como A Cerimônia do Chá, Como Vestir Kimono, aulas de Ikebana, Origami, Tai chi chuan, Aikido e apresentação de taiko. Haverá também palestras sobre moda e comportamento do jovem japonês, mitos e lendas dos guerreiros japoneses, cosplay e outros.

Ao mesmo tempo, a semana enfoca ainda o fenômeno da cultura pop do país que tem se tornado cada vez mais popular entre os jovens brasileiros. Por meio de uma parceria com o evento Wasabi Show haverá exibições de animes, concursos de cosplay, venda de mangás e outros produtos orientais. Também estão programados torneio de games, karaokê, jogos de perguntas e respostas, gincanas e prêmios.

A progressão das técnicas do Aikido de básicas a avançadas

por George Ledyard  Published Online

Uma área de muita confusão no Aikido é a relação entre a prática avançada e os fundamentos básicos da técnica. A visão de Morihei Ueshiba andando imperturbável rodeado por atacantes que parecem incapazes de tocá-lo e que, ao contrário, voam em todas as direções com pouco ou nenhum contato físico, é a que a maioria dos praticantes de Aikido tem visto. O Interessante é que não existe um consenso geral ou ponto de sobre o que o O-Sensei, Fundador do Aikido, estava realmente fazendo quando ele apresentava o seu Aikido ao público. Entre tantos estilos diferentes de Aikido e entre um grupo ainda maior de instrutores, muitos dos quais tendo treinado com o próprio Fundador, quase não existe um consenso sobre quando e como a arte progride de suas bases, que diferem pouco de estilo para estilo ou instrutor para instrutor, para o nível “Avançado”. Para alguns professores Aikido “avançado” se parece muito mais com as suas próprias bases fundamentais, mais simples e suave, muito menos esforço, fluindo como a corrente de um rio de técnica em técnica. Aqui, avançado parece simplesmente indicar o nível de não–esforço e relaxamento alcançado por um praticante ao lidar com ataques sinceros iniciados por um parceiro / oponente. Mas parece que não há nenhuma tentativa por parte desses professores de “perder a forma” como o Fundador claramente demonstrava. Outros professores parecem ter tomado Morihei Ueshiba aos oitenta para representar a quinta essência do Aikido, e esses professores têm tentado duplicar a ausência de forma exibida pelo Fundador no fim de sua carreira. Esses professores dão mais importância em serem sensitivos a cada mudança de energia, física ou psíquica, do parceiro do que em desenvolver uma técnica forte e boa. Alguns, de fato, menosprezam o poder do treino físico indo de encontro à intenção do Fundador. O problema com ambas as abordagens é que o Aikido para O-Sensei era um processo que continuou até o momento de sua morte. Aqueles que tentam capturar um determinado momento na vida do Fundador no qual ele estava praticando um Aikido “ortodoxo”, inevitavelmente falham em compreender as fundações em que estavam apoiadas o Aikido daquele período particular, o que, para ele, representou décadas de treinos constantes. Eles também escolheram ignorar tudo o que o Fundador desenvolveu depois daquele ponto no tempo. Fazer isso parece ser mais fruto de uma preferência pessoal do que algo que esteja embasado em uma justificativa qualquer. Aqueles que desejam pular diretamente para o final da carreira do Fundador e fazer de suas últimas técnicas avançadas o modelo de sua própria prática, estão tentando entender uma arte sem entender as fundações sobre a qual o edifício repousa. Alguns professores sustentam que nós não devemos re-inventar a roda, uma vez que o Fundador fez a maior parte desse trabalho para nós, então não deveríamos nos preocupar. Esse argumento poderia ter alguma solidez se houvesse algum exemplo na realidade. No entanto, eu nunca encontrei um único exemplo no qual alguém tenha alcançado um nível assombroso em sua técnica sem ter tido experiência em treinos físicos bastante duros. Tentativas de transmitir o seu entendimento aos seus alunos sem fazer com que eles passem pelo mesmo processo, em minha própria experiência, falharam completamente. A razão para isso parece bastante óbvia em cada enfoque, toda a epifânia que leva a um salto qualitativo no nível do treino parece estar baseada na firme fundação do entendimento de um conhecimento anterior. Eu mesmo tenho visto alunos pulando estágios e indo direto aos níveis mais altos do treinamento sem passarem pelos necessários passos anteriores de um processo mais físico e mecânico. Sem exceção, as tentativas que eu tenho encontrado de provocar esse salto, têm resultado em estudantes cujos movimentos são ocos, faltando a intenção necessária para executar a técnica nesse nível. Então o que eu gostaria de fazer é enfatizar o que eu vejo (no estágio atual de meu próprio treino) como a progressão natural da técnica, partindo das bases, como dependente de um entendimento sólido da mecânica de como o corpo trabalha, de como utilizar o seu movimento para desenvolver força e como unir esse poder com o outro sem conflito. Aquele que avançou depende muito mais do aiki como interação do físico com o energético, o lugar no qual o corpo é afetado pela mente e a técnica se torna menos e menos física e mais uma questão do princípio em ação. Isso deveria possibilitar ao estudante de Aikido ver a relação entre os diferentes passos na progressão do básico ao avançado. Esta relação está presente igualmente nas técnicas de mão vazias e naquelas com armas. O primeiro nível do treinamento é revelado via técnica estática. Este nível da técnica é designado para desenvolver uma compreensão da estrutura. Como alguém pode perceber o seu trabalho corporal e o trabalho corporal do parceiro? Para passar deste nível uma pessoa tem que compreender as mecânicas da arte, o componente do jiu-jutsu, por assim dizer. A pessoa precisa aprender a relaxar e entender a “geometria” básica da técnica. Nesse treino nós encorajamos o parceiro a ser o mais poderoso o possível, de forma que possamos receber o retorno no que concerne ao nosso “entendimento” tal como expresso por nossa técnica. O próximo passo na progressão (que, geralmente, é realizado simultaneamente com o primeiro estágio) é a técnica em movimento. Ao mesmo tempo em que exige uma atenção contínua nas habilidades desenvolvidas via treino estático, o treino com movimento começa a ensinar como a manipulação do espaço (ma-ai) e do tempo (de-ai) pode ser utilizada para neutralizar o poder do atacante. O “centro” forte, desenvolvido através do treino estático agora aparece no movimento, onde quer que o praticante esteja, mesmo ao se mover, aquele sentimento do centro é mantido. Nesse estágio o nage permite ao uke iniciar um ataque e ele recebe o ataque utilizando o seu movimento para se unir ao ataque. A energia do ataque é, então, redireciona para dentro da estrutura do uke em técnicas de apreensão ou dentro dos pontos de equilíbrio do uke para uma técnica de projeção. É nesse estágio do treinamento que o estudante começa a trabalhar o conceito de como “conduzir” a energia ou a atenção do parceiro. Conduzir o Ki do oponente é um a das pedras fundamentais da técnica do Aikido. Do ponto de vista marcial o nível anterior de treinamento é limitado no sentido que concede um poder considerável ao atacante ao permiti-lo decidir qual e quando um ataque se dará. Dado o fato de que todas as pessoas têm um certo tempo de reação entre perceberem alguma coisa e poderem agir ao que viram (cerca de meio segundo para a maior parte das pessoas), permitir ao atacante ter a iniciativa é dar a ele uma vantagem significativa. Isto é um problema, já que significa que, a) do início da técnica o nage está sendo re-ativo ao uke e, b) se o atacante escolhe utilizar menos do que o completo comprometimento na técnica tal como afrouxar, o uke pode fazer com que o nage se mova do modo que ele quiser e, de repente, mudar o ataque, fazendo, assim, com que a tentativa do nage de realizar a técnica seja falha. Então o próximo nível da técnica muda quem tem a iniciativa. Agora o nage não ceita simplesmente o que é imposto pelo uke. Ele utiliza o seu próprio movimento para traçar uma reação do ataque no momento de escolha do nage. Se o nage fecha o ma-ai (espaço) com uke, ele irá atingir um ponto no qual o uke PRECISA estar comprometido com o seu ataque ou retornar. A falha em realizar uma dessas coisas irá resultar em ele ficar aberto a um ataque do nage. Uma vez que é o nage quem determina quando irá cruzar o ponto de ma-ai e chegar a “distância crítica” ele não tem “tempo de reação”, porque ele sabe quando o uke está comprometido. Isto é muito importante no desenvolvimento de uma técnica marcial efetiva e precisa ser pesquisado com cuidado. A diferença entre este estágio e o
último é que no último estágio o nage permitiu ao uke iniciar e agora ele dirige a “atenção” do uke segundo o seu próprio movimento. Nesse nível da técnica ele tem o controle do “tempo”, manipulando o “espaço”, o que faz com que considerações como “rápido e devagar” sejam irrelevantes para a técnica. O praticante começa a operar fora da zona temporal e ele começa a controlar as questões relativas ao tempo e ao espaço. O que tem acontecido até agora no desenvolvimento desses “estágios” é que a técnica se torna progressivamente menos física à medida que os princípios de tempo e espaço são utilizados para moldar o movimento do atacante. No próximo nível da técnica o nage não apenas inicia a ação a fim de conduzir os movimento do uke, mas utiliza a energia de sua ação a fim de conduzir a resposta que o uke lhe dá. Nesse estágio da prática o atacante termina por ficar quase completamente sob a ação do nage. O nage está controlando as suas ações mesmo antes delas começarem a ocorrer. A técnica parece ser mais suave e mais energética do que poderosa e física embora, neste nível, seja sempre possível realizar uma técnica bastante poderosa se assim se desejar. Isto é realizado através da manifestação de princípios como atemi waza ao invés de técnicas de projeção e aprisionamento. Uma técnica marcial bem explosiva e efetiva pode ser gerada desta forma. Na prática, claro, atemi waza não é utilizado para infligir dano ou gerar desconforto físico. Ao contrário, isto é um modo de utilizar uma energia explosiva em potencial para gerar uma resposta do uke. Isso pode servir para distraí-lo e dissipar a sua energia da área do corpo na qual a técnica está sendo realizada (como numa técnica de apreensão) ou pode ser utilizado para tirar a sua atenção realizando uma entrada possível, sem ser atingido. Em outras palavras, neste nível da técnica o atemi diz respeito a dirigir a atenção ou a energia do parceiro em direção ao que ele deseja e para longe do que ele não deseja.Quando este nível de técnica é atingido, não existe quase contato físico que preceda o “lançamento”. Uma técnica que havia sido, em sua forma básica, uma técnica que havia alguma forma de pegada, estaria ajustada ao tempo de tal maneira que não há maneira de se agarrar. Pode ou não haver uma intenção de se agarrar, mas a técnica genuína foi elevada a um estágio de energia no qual o ataque do parceiro é desviado pelo nage, então, conduzindo a atenção do atacante e produzindo movimento através da exposição das aberturas (suki) do oponente, o nage ganha controle sobre o centro do atacante sem manipula-lo fisicamente, mas ao contrário, criando uma situação na qual o atacante se move como deseja. Um atemi, que é colocado no espaço que o uke deseja ocupar para terminar o seu ataque irá resultar na perda de seu próprio equilíbrio a fim de escapar de ser atingido. Quando esse nível de técnica é alcançado, a técnica é operada via princípio puro ao invés dos fatores físicos que produziram a técnica nos níveis mais básicos. Uma técnica como ryote-tori tenchi-nage, exemplifica o princípio da “dissipação” da energia (física ou mental) do parceiro. Quando a técnica finalmente atinge a sua expressão energética ela não precisa mais do ataque em ryote-tori. De fato o tenchi-nage pode ser realizado, por exemplo, contra um chute frontal. O tenchi existe na forma como a atenção do atacante é dissipada de seu alvo e direcionada para fora, permitindo ao nage entrar sem ser atingido. Mas esta manifestação do “princípio da dissipação” não pode ser conseguida sem um minucioso entendimento do princípio básico de execução da técnica. Isso não pode ser ignorado. Quando a técnica é apresentada aos estudantes desta maneira, com variações progredindo das versões elementares, físicas e estáticas para as versões avançadas, energéticas e fluídas, isso pode ajudar o estudante a compreender tanto de onde uma técnica surge quanto para onde ela deve ir em seu desenvolvimento. Isto pode servir para desmistificar a energia envolvida nas técnicas avançadas uma vez que os princípios podem ser decodificados e ensinados, mas isso também mostra claramente quais os elementos que são essenciais em proporcionar os fundamentos de uma técnica antes que o movimento em direção a uma versão mais sofisticada possa ser realizado. Cada nível compreende um entendimento do nível anterior. Utilizando este tipo de metodologia talvez haja mais estudantes que atinjam os níveis mais altos desta arte criada para nós pelo Fundador do Aikido.

Novembro 2004

Ensinamento de Kawai Sensei – Harmonia

Aikido é a arte marcial cujo os movimentos mantém o corpo em plena condição física e harmonia com a natureza. Todos os movimentos são circulares pois não pretende vencer os outros, mas sim a si mesmo. Quando o praticante consegue chegar a este estágio está em completo domínio de si mesmo e passa a ser invencível. Este é um ensinamento que devemos levar para fora do tatami. Além deste ensinamento acredito que todos devam seguir algumas regras básicas para praticar a harmonia: – Nunca guardar rancor de ninguém; – Interpretar as maledicências como uma fraqueza indisfarçavel daqueles que as emitem; – Nunca deixar de trabalhar enquanto viver; – Não lamentar a chegada da velhice; – Não se considerar velho enquanto puder moviemntar o seu corpo; – Defender a sua família acima de todas as coisas; – Estar consciente que a soberba é a origem do fracasso; – Não lamentar as coisas que deixou de fazer no passado; – Encarar o fracasso como um ponto de partida para o sucesso; – Honrar sempre seus compromissos; – Ter sempre a coragem de reiniciar tudo, caso venha a perder toda a sua fortuna e títulos; – Desenvolver de modo resoluto a confiança em si mesmo. Este artigo foi uma contribuição de Nereu San de curitiba que nos mandou um recorte. Ele foi publicado originalmente no antigo boletim bimensal produzido por nagao sensei para a União Sul Americana..

Por que treinar AIKIDO

Por Stanley Pranin.
Todo principiante de AIKIDO aparece motivado por alguma razão em particular e um conjunto de objetivos. Entre os mais comuns estão os de auto defesa, desenvolver a forma física, ou travar relacionamentos.
Com o passar do tempo os objetivos vão mudando e a pessoa vai percebendo que o AIKIDO está provocando transformações em sua vida.
Considerando que o AIKIDO, assim como outras artes marciais de um modo geral, ensinam técnicas capazes de machucar e mesmo matar um adversário, todas têm que ser praticadas com seriedade e atenção a detalhes por força dos riscos naturais, inerentes à atividade.
Treinar assim, respeitando a concentração vai-se alcançando passo a passo o aperfeiçoamento do que pode ser descrito como um “espírito de marcialidade”.
O termo marcial é aqui empregado no mesmo sentido que o Fundador do AIKIDO usava a palavra japonesa “bu”, normalmente traduzida por “arte marcial” (de guerra).
“Bu”comporta duas interpretações distintas: primeiro,serve para distinguir um sistema que engloba técnicas de lutas de origem clássica dirigidas originariamente para o ensino de auto defesa.
“Bu” acaba abrangendo o conceito de uma atividade ou prática destinada a conduzir o indivíduo através de um caminho de crescimento espiritual.

Quando o treinamento objetiva a luta em si.

O elemento marcial – ou “bu” é um componente tão vital do treinamento de AIKIDO que removê-lo totalmente significaria reduzir a arte a um conjunto de meros exercícios visando a saúde física.
Acaba ficando implícita uma consciência de existência de perigos inerentes que acaba produzindo uma ultra-sensibilidade ao pensamento.
Eis a seguir alguns comportamentos que auxiliam no desenvolvimento desse espírito de marcialidade.

A etiqueta

A etiqueta é um dos pilares do comportamento adequado a um dojo.
É comum menosprezarem a importância das formalidades adotadas em um dojo. Os padrões observados antes, durante e após os treinos têm o objetivo de gerar um ambiente em que técnicas perigosas possam ser praticadas com segurança.
A etiqueta também possui grande significado fora do dojo, servindo como um lubrificante nas relações interpessoais.
Pessoas bem educadas raramente fazem inimigos e desenvolvem um caráter adequado à prática de artes marciais.

O papel do uke
(aquele que simula o ataque e vai sofrer o movimento de aikido):

O treino de AIKIDO consiste no revezamento entre os parceiros: enquanto um simula o ataque (uke) o outro (o nague, ou tori – hitori) aplica a técnica de aikido)
No AKIDO a técnica a ser aplicada é sempre de prévio conhecimento de ambos, o que garante um treino seguro.
De forma que também é importante que o uke esboce o ataque de forma clara, sincera e segura, sem antecipar a reação do nague baseados nesse conhecimento prévio.
O nague precisa de um ataque sincero a fim de absorver os conhecimentos de equilíbrio, coordenação motora e o fluxo da energia.
A atitude marcial adotada pelo uke vai protegê-lo de ferimentos e promover seu próprio progresso e o do companheiro.
O uke será também recompensado por seus esforços adquirindo flexibilidade e condicionamento físico através das quedas – uma experiência perturbadora quando não perigosa para a maioria das pessoas.

O papel do nague.

Conforme descrito acima, conhecendo a natureza do ataque, o nague pode se concentrar em sua postura, no distanciamento e no desequilíbrio a que irá submeter o uke.
O stress emocional, que normalmente existe em confrontos da vida real, passa a estar ausente do contexto básico do treino.
O movimento inicial do nague deve ser no sentido de desequilibrar o uke, que não oferecerá resistência aos efeitos da força da gravidade, pois estará sem centro.
Os benefícios da prática contínua, para o nague, é que as técnicas de AIKIDO vão se tornar uma sua segunda natureza.
Seus instintos serão reestruturados para evitar ataques iminentes de forma a adotar as posturas harmoniosas que caracterizam as técnicas de AIKIDO.
Ele aprende a manter o equilíbrio físico e mental diante de ataques que normalmente seriam desorientadores para pessoas sem treino.
Enquanto o processo de aprendizado se desenvolve ( conscientemente ou não) o nague amplia seu nível de sensibilidade ao mover-se em seu ambiente.
Torna-se capaz de perceber o que possa ser ou não algum tipo de ameaça. Essa atitude de alerta constante é um componente fundamental da arte marcial e destaca as pessoas com esse conhecimento.

Identificando objetivos do treino.

Praticantes de AIKIDO devem regularmente passar em revista suas atividades normais e as circunstâncias a fim de estar sempre identificando e dando atenção situações de perigo ou fraqueza.
Um exemplo: aikidocas costumam ver pontos fracos em sua arte, quando a comparam com outras artes marciais.
Consequentemente ele passa a se sentir tentado a discutir situações hipotéticas com relação às técnicas de AIKIDO do tipo “e se….?”
Na verdade não se treina aikido para se descobrir capaz de enfrentar o campeão mundial de karatê, ou de box ou de luta-livre.
A partir do momento em que eu canalizo minhas energias para esse tipo de pensamento, como se esse fosse o meu objetivo em treinar AIKIDO, como poderei eu estar preparado para todo e qualquer outro tipo de ameaça ou ataque a que a gente se sente exposto o tempo todo durante o dia-a-dia, durante a vida?
Pensar assim só é bom para discussões acadêmicas. Não há como hierarquizar as artes em termos de eficácia nem como ficar especulando sobre a relatividade de seus métodos.
Quem pensa assim é melhor que nem comece a treinar AIKIDO.
A abordagem do AIKIDO não é por esse lado.
O objetivo é proteger a vida, a saúde, a integridade física, a liberdade, a propriedade, e não para derrotar o semelhante como num torneio.
Vamos supor que a gente se depare com algum ataque aleatório. A gente pode ser surpreendido caminhando pela rua, dirigindo o carro, e mesmo dentro de casa. No mundo real assaltantes geralmente portam armas de fogo, facas e vêm acompanhados de comparsas.
O elemento surpresa geralmente é o que dá sucesso a esse tipo de ataque aleatório.
Não se trata de avaliar a qualidade, a sofisticação do ataque, mas sim o fato de que a vítima quase sempre é apanhada desprevenida, com a guarda baixa, no que vai resultar em sua derrota, ou morte.
Aqui é quando se deve dar ênfase muito mais ao preparo psicológico do que ao conhecimento de qualquer técnica específica de defesa.
Temos que desenvolver um constante estado de alerta a fim de responder imediata e instintivamente a ameaças inesperadas. Temos que nos tornar saudáveis, flexíveis e indivíduos bem preparados para nos adaptar rapidamente a qualquer mudança de situação.

Por que AIKIDO?

Essa pergunta traz à mente uma dúvida razoável. Por que estudar AIKIDO e não qualquer outra coisa que traga um resultado mais imediato em caso de violência urbana, como treinamento com armas e técnicas de brigas de rua?
Dependendo de cada um, talvez seja mesmo o caso de se praticar outras disciplinas. Nesse sentido há fortes argumentos quanto aos benefícios de se saber várias coisas ao mesmo tempo.
Aqui é que entra o segundo componente da proposta inicial, mencionada no início, relativamente ao “bu”.
Acontece que o AIKIDO é também, e mais ainda, um caminho para o desenvolvimento espiritual da pessoa.
Ele contém um imperativo moral de cultivo e respeito por todo ser vivo.
O AIKIDO propõe uma visão idealista de um mundo vivendo em harmonia e as técnicas da arte tornam essa visão abstrata em algo físico, concreto, tangível.
Mais que qualquer outro princípio, as técnicas de AIKIDO se baseiam no princípio da não resistência, conforme o ensinamento do fundador, Morihei Ueshiba, o que deve estar sempre presente na mente de todo praticante de AIKIDO.
O que não deixa de consistir em uma excelente fórmula de viver bem a vida em meio a esse mundo atemorizado pelo perigo e pela discórdia.

Epílogo: tomando decisões em tempos difíceis.

A maioria dos desafios que enfrentamos no dia-a-dia não são os de embates físicos. A maioria dessas batalhas são de origem interior, São travadas num plano psicológico, posto que nossa vida consiste em uma luta constante e interminável contra problemas e incertezas.
O espírito marcial cultivado durante anos de treinamento de AIKIDO acaba se transformando em um acervo precioso, de valor incalculável nessas horas.

Trad. Nereu – 14/Out/08 – Fudoshin Dojo – Curitiba

A Natureza de um ataque

Traduzido por Jaqueline Sá Freire

O artigo que se segue foi feito com a assistência de Brian Workman, dos EUA Um assunto de fundamental importância para todos os estudantes de Aikido é a seguinte questão: “qual é a natureza de um ataque?”

É o reconhecimento de um ataque que dá início a decisão de usar as técnicas do Aikido para restaurar a paz em uma situação hostil. Depois que uma pessoa adquire um repertório básico de técnicas de Aikido e conseqüentemente está livre de uma preocupação excessiva com o mecanismo do movimento, começa a cultivar um estado de alerta para os mais leves sinais que marcam um possível ataque. Por exemplo: podem ser sutis sinais de linguagem corporal como a mudança do peso ou a tensão do corpo, que podem revelar a intenção de um possível atacante. Tendo antecipado calmamente e corretamente a ação agressiva, o Aikidoista pode tomar medidas para limitar as opções para o atacante de várias maneiras: colocando seu corpo em movimento, assumindo uma base diferente com relação ao oponente, projetando ativamente uma imagem de força, etc. Agindo desta maneira, a pessoa habilidosa passa novas informações que podem servir para perturbar o agressor e efetivamente neutralizar seu ataque. Quando vemos filmes com O-Sensei, freqüentemente parece que os atacantes não estão se esforçando muito para atingi-lo. O que não pode ser completamente apreciado é o impacto da sutil atividade que ocorre milésimos de segundo antes que o contato físico aconteça. A sensibilidade e a habilidade de reconhecer hostilidade que se adquire com o estudo do Aikido pode ser estendida além do tatame para incluir áreas de atividade verbal ou social. Formas não físicas de ataque podem igualmente ser detectadas em estágios iniciais, e trabalhadas de maneira mais bem sucedida. Realmente existem vários sinais perceptíveis pela atitude verbal e linguagem corporal que podem alertar o participante mais sensível da interação social para que ele possa adotar uma postura apropriada para reduzir a tensão no grupo e o conflito.

Até onde irei? Superando a nós mesmos pela perseverança.

No AIKIDO, regularmente são realizados exames para que cada um de seus participantes nos mais diversos níveis executem suas técnicas para atingirem um estágio superior, prática comum, acredito eu, em todas as artes marciais modernas.
Quando são verdadeiramente dedicados os alunos atingem um bom resultado. Eles tem a confiança baseada no trabalho duro em cima de metas determinadas individualmente por ele e pelo professor.
O interessante disso é que por mais que conheçamos sobre determinado assunto, quando este é posto a prova, nós nos sentimos desafiados e aí surge o temor, o nervosismo e a ansiedade, isto ainda com um sentido de se ter a responsabilidade de fazer bem feitos os movimentos que determinarão o aparente sucesso ou fracasso de todo o treinamento realizado. Queremos ser bem avaliados, muitas vezes por nosso orgulho ou muito vezes pela gratidão que temos com nosso Sensei de mostrar retorno a tudo que ele nos tentou passar. Alguns Sensei merecem outros não. Alguns praticantes são agradecidos outros não.
Mas será que estamos preparados para o caminho que virá? Muitos vão tomar conhecimento do problema depois que de fato ele existir. Não querem sofrer por antecipação. Eu estes dias falei a um aluno que somente até a faixa verde eu pensei ainda no exame como uma meta a ser alcançada. Depois, (até por que este demorou por problemas profissionais), eu aguardei a azul sem mais pensar se iria chegar ou não. Apenas treinando. Fazendo o que gosto. Na hora que o professor chegava e dizia: Treinar para o exame, eu pensava então: Tá bom, o que tenho dúvida? Vamos lá… O processo, não o produto. Entretanto a verdadeira dedicação é necessária..
Existe o outro lado: A pessoa encara o treino como uma ginástica laboral, aula de aeróbica, ou algo despretensiosos qualquer. A arte marcial exige mais que isso pois é mais complexa e de maior resultado também. Essa visão é muito simplista. Outro ficam com medo de se machucar e dizem: “Eu vou mais devagar, não vê estes mestres e graduados como estão todos machucados, com problemas nos joelhos etc?” Só tem um detalhe: Qual a atividade física que não tem risco e deixa algum risco ou seqüela possível? Me lembro da palestra do nosso Oscar, do Basquete, que disse: Só minha esposa é que sabe como acordo de manhã e que dores carrego pelo treino constante durante tantos anos… Entretanto todas adoram quando eu estou nas quadras, apareço na mídia, ganho títulos para o Brasil.. As pessoas gostam muito do glamour, mas do trabalho árduo quantas estão dispostas? Quantas pessoas sentaram para assistir aulas e quantas chegaram para treinar, super entusiasmadas, mas ao ver o quanto tem que se dedicar acabam arrefecendo? Algumas após um mês, após um ano, dois ou quando chegam na faixa preta. Repito sempre: Aikido está disponível para todo mundo, mas não é para todo mundo. Aumentando a abrangência: Arte Marcial, em linhas gerais, é disponível para todo mundo, mas não é para todo mundo. Ou mais ainda: PERSEVERANÇA está ao alcance de todo mundo… Mas não é para todo o mundo! No final, o caminho de tudo, arte marcial e outros, passa pelo nível de perseverança. Isto determina vencedores e vencidos. Não falo em relação a um ou outro mas em relação a vida.

A QUESTÃO DA REFERENCIA:
Muitas pessoas ainda não têm consciência de que, quando se gradua em uma arte marcial ou em qualquer atividade, nós nos tornamos uma referência, passamos a ser avaliados constantemente e de forma diversa, sejam por nossos pares ou por aqueles que virão posteriormente. A cobrança, principalmente para aquele que ensina é exaustivamente testada nos mais diversos níveis, sejam estes técnicos ou teóricos, o que obriga o praticante a se preparar mais e mais, fazendo dele um eterno Sensei e Sempai de si mesmo.

E quando este resultado não é atingido, como nos portaremos? Já vi pessoas que abandonaram tudo, outras ficaram inconformadas transferindo a culpa de seu resultado para outras pessoas, algumas começam a treinar de forma semi-motivada e algumas, com mais tranqüilidade, absorveram o resultado e buscam polir as arestas. É interessante que o fator “reprovação” esteja presente, nem que dentro de nós mesmos, e seja uma constante na vida do praticante. Ser melhor a cada dia e ajudar outros a se desenvolverem se faz necessário para o desenvolvimento marcial, pois polimos o nosso espírito nas dificuldades nas agruras de um treinamento. Meu professor dizia, e sempre repito, para chegar ao paraíso é preciso passar pelo purgatório. Alguns alunos acham o treino forte, pesado, mas não tem ideia do que já passamos e como isto determina o bom praticante e o praticante não tão bom… E é interessante que também são estes muitas vezes aqueles que admiram tanto a técnica dos grandes shihan, sem ter a mínima vontade de passar pelo 1/3 do treino que eles passaram. Como os fãs do Oscar que querem ser eles sem passarem pelos dores e sacrifícios de um treino…

Aprendemos a superar os limites vencendo inicialmente a nos mesmos, encarando nossas fobias e desafiando as nossas preguiças e dificuldades. Por quantas vezes, quando chega a hora de ir para a academia, nos sentimos aquela preguiça, pensamos “ah, só faltarei hoje, que mal fará?”, ou, “será que vou ter que repetir aquela técnica novamente?”, (como se o praticante a dominasse perfeitamente). Alguns gostam de técnicas de armas ou de determinada técnica Tai jutsu, pois acham que já sabem. Tenho, e tive, muitos alunos que acham que é só uma coreografia a ser executada com velocidade. E você que conhece olha um outro do lado e é como se visse um jogador de sinuca profissional e um amador lado a lado em uma mesa: Os instrumentos, técnicas são as mesmas, mas a precisão e a efetividade são algo muitas vezes tão dispares como o mar e a montanha. Enfim, começamos superando em nossa mente estas pequenas dificuldades, que se não superadas se tornarão grandes, transformando-se em um obstáculo ao crescimento. Uma das primeiras ações é acorrentar o ego.

Os nossos limites são estabelecidos por nós mesmo. Pelo controle do ego, pela perseverança e no conhecimento interno, dosando empenho com maestria e racionalidade, superando cada obstáculo, sorvendo o conhecimento adquirido com tranqüilidade e sabedoria. Acatando nosso limites mas sem indolência. Sendo verdadeiramente sinceros com nós mesmos e com a arte. Que é difícil, mas tem muito o que nos oferecer.

Está frio e chuvoso. Muitas faltarão por causa da chuva. Ficarão em casa vendo DVD, Talvez um DVD de luta; ou um jogo de basquete na TV a cabo, quem sabe? “Há se luta-se assim…” “Há se joga-se como esse cara.. Como ele faz isso!?”