Esqueça os dias de nuvens escuras.
Mas lembre-se das horas passadas ao sol.
Esqueça às vezes em que você foi derrotado.
Mas lembre-se das suas conquistas e vitórias.
Esqueça os erros que já não podem ser corrigidos.
Mas lembre-se das lições que você aprendeu.
Esqueça as infelicidades que você enfrentou.
Mas lembre-se de quando a felicidade voltou.
Esqueça os dias solitários que você atravessou.
Mas lembre-se dos sorrisos amáveis que encontrou.
Esqueça os planos que não deram certo.
Mas lembre-se de SEMPRE TER UM SONHO…
O caminho da transformação
Pense profundamente. Fale gentilmente. Ame bastante. Ria freqüentemente. Trabalhe com afinco. Dê com generosidade. Pague pontualmente. Ore fervorosamente. Seja bom. Abra seus braços para as mudanças, mas não deixe que ultrapassem seus valores. Ao perder algo, não perca a lição. Quando envelhecer isso será muito importante. Fortaleça seu conhecimento. É um meio de se atingir a imortalidade. Lembre-se de que grandes paixões e grandes realizações envolvem grandes riscos. Não acredite em tudo o que escutar, não gaste tudo o que tiver e nem durma tanto quanto você quer. Não deixe que pequenas disputas machuquem uma grande amizade. Nunca zombe dos sonhos dos outros. Passe algum tempo sozinho. Quando for dizer “desculpe” olhe nos olhos da pessoa. Quando perceber que cometeu um erro, corrija-o rapidamente. Tenha um forte comprometimento e paixão pelo trabalho. (Elmer Wheeler)
Pedras no caminho
Pedras no caminho…
O distraído nela tropeçou.
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já David matou Golias,
e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela
escultura…
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
Não existe “pedra” no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
Eu encontrei algumas e fiz bom uso delas… Algumas até me foram atiradas e acabaram sendo ótimas materias-primas no meu caminho. Isso é aplicação do aikido..
Um olhar de senso comum para o Aikido
por Yoshio Kuroiwa
Aiki News #66 (February 1985)
Traduzido por Jefferson Bastreghi
Como não há competições no Aikidô, nós devemos avaliar cuidadosamente a natureza de nossa prática. O lado espiritual da prática também é importante, mas se nós o enfatizarmos demasiadamente, o nosso treinamento se tornará idealista por natureza e o aspecto realista será negligenciado. “Kata” (forma) e “waza” (técnica) devem ser corretamente reconhecidos na prática.
De Kata para Waza
Kata deveria ser praticado seguindo certa ordem ou método pré-arranjado, o qual é baseado numa relação racional (rial). Desta forma, nós não estamos caindo porque estamos sendo arremessados, mas sim praticando um kata que foi criado para sermos arremessados. Quando nós dominamos um movimento racional (kata), ele é expresso como um movimento natural (waza). Isto é, se você se torna hábil a executar um kata espontaneamente como resultado de prática repetida, você não está mais executando um kata e sim um waza. Nós aprendemos através do kata e nos tornamos inconsciente do fato. Em outras palavras, enquanto os movimentos necessitam de nossa atenção, eles são kata, quando os kata se tornam espontâneos, eles se tornam waza.
Nós praticamos inicialmente os kata básicos (kihon waza, técnicas básicas) para aprender os movimentos do Aikidô. A base é o padrão (o modo de ver e pensar) e uma perspectiva de senso comum para corretamente observar as coisas. Nós devemos entender a essência dos kata, não a aparência exterior dos mesmos.
Por exemplo, em um quebra-cabeça envolvendo peças de madeira que se encaixam, sabemos o lugar (estabilidade) de cada peça entendendo sua forma e natureza. Do mesmo modo, nós podemos expressar kata, os quais são comuns a todas as pessoas, mostrando as partes básicas comuns da estrutura do corpo humano (por exemplo, pontos como os cotovelos só se dobram para dentro) e devemos usar estas partes básicas racionalmente. Pode parecer exagerado usar os termos “racional” ou “lógico”, mas estes conceitos são somente um assunto de senso comum e não precisam de explicação.
Enquanto persistirmos em ver kata superficialmente, nós iremos começar a pensar que eles são de importância especial. Não podemos, sistematicamente ou racionalmente, explicar qualquer kata meramente aprendendo de uma maneira repetitiva sem um entendimento do porquê certos kata são considerados básicos. O que nós adquirimos aprendendo só repetitivamente é a preservação da forma (a transmissão da forma externa) e não a habilidade de criar (compreensão da essência do kata). Em outras palavras, nós não entendemos o quê estamos fazendo.
Base não é algo a ser praticado, mas a ser entendido. O que ela demonstra é a mecânica de como desequilibrar um oponente e criar uma oportunidade para a aplicação da técnica. Se você entende isso de forma errada significando liderar e guiar, irá passar a acreditar que alguém pode liderar o seu oponente circularmente. Isto acontece porque estamos inconscientes do fato de que liderar um parceiro circularmente implica em separação e não notamos que a prática é uma expressão de yin e o uso do poder em Aiki envolve empurrar.
Kata: Uma ferramenta para o treinamento
Nos treinamentos nós praticamos muitas técnicas, mas elas são todas variações de uma posição única. Por esta razão, ikkyo, shihonage e outras técnicas são a mesma coisa. A razão pela qual elas parecem diferentes é porque somente a aparência externa delas é vista. Kata são a expressão de um número de variações através de movimentos a partir de uma única posição e são nada mais do que uma ferramenta para treinar o corpo a se mover livremente. A idéia que um é todos e todos são um não é somente uma matéria espiritual. Isso é válido para nossos corpos também.
Não é que haja um método diferente dependente da técnica, por exemplo, ao dizer que ikkyo é praticado de um modo e tal e tal técnica de outro modo. Elas são todas manifestações de um único movimento. Podemos dizer que praticamos vários kata a fim de entender um único movimento original. Não é que ikkyo e shihonage têm valor como técnicas básicas. Nós as praticamos somente como meios convenientes de entender o yin e o yang de uma posição (fundamental).
A prática do Aikidô é uma prática yin. Usando Judô como um exemplo, é muito mais a prática com parceiro do que randori (prática livre). Prática yin representa primariamente uma seqüência de prática combinada. Desta forma, a mudança no treino da recepção do ataque à aplicação da técnica é somente possível onde existe uma diferença em habilidade. Quando a habilidade de um oponente é superior, isto não é possível. Este é um ponto-chave na prática.
Waza (movimento natural) são expressados de acordo com o nível da pessoa e a essência dos mesmos (técnicas) é manifestada diferentemente a cada vez. Isto se dá porque o que nós naturalmente possuímos (nossa habilidade como é posta para fora através da prática repetida) é expresso através de certas relações (formas).
Integrantes do Ganseki Dojo em Aula especial
Mais uma vez integrantes do Ganseki Dojo estiveram participando de Aula especial aberta do grupo Iwama Brasil. Como política do nosso grupo estamos sempre travando contato com os diversos grupos e conhecendo as diversas visões do aikido. Foi mais uma vez uma aula bastante instrutiva.
Nesta ocasião podemos também conversar com o Sensei Carlos Nogueira e conhecer algo mais da historia do aikido em Iwama e de Saito Sensei por meio de quem treinou diretamente com o grande e saudoso mestre.
Aplicação do principio da arte do sabre
Por Kishomaru Ueshiba.
O caminho do aiki e o caminho do sabre são, na aparência, radicalmente diferentes. O Aikido é praticado apenas com as mãos nuas, sem armas, enquanto que a arte do sabre requer o uso de uma arma. Mas, se tirarmos a casca, numerosos pontos comuns aparecem. Faz-se referência aqui ao Kenjutsu, arte do sabre de combate e não ao Kendo que é um esporte de competição. O Aikido apresenta similitudes mais com a arte antiga que com sua expressão moderna.
Admite-se que o Aikido se aproxima mais do Judo que da arte do sabre. Isso é compreensível se se considera que essas duas formas de arte marcial são praticadas com mãos nuas, e que se nos referimos superficialmente ao passado do fundador Morihei Ueshiba, o Jujutsu desempenhou um papel preponderante na criação do Aikido. O fundador, que por muito tempo praticou o Jujutsu da escola Daitô, adaptou um certo número de seus princípios ao Aikido; e técnicas tais como a chave de punho, as pancadas, as projeções ou as imobilizações foram elaboradas a partir do Jujutsu tradicional ou de sua forma moderna, o Judô. Mas as semelhanças se eclipsam pelas diferenças. No Aikido, por exemplo, não existe equivalente à pegada da manga ou da lapela do quimono indispensável no Judô. Além da ausência de corpo a corpo e da competição, o Aikido não integra técnicas ofensivas. Não existem técnicas no solo visando imobilizar o adversário por chaves ou estrangulamentos.
Os fundamentos
Entre as numerosas semelhanças entre o Aikido e a arte do sabre, encontram-se certos fundamentos: a posição de guarda, a distância ou o espaço que separa as duas pessoas, o olhar, os deslocamentos de pés, assim como as aplicações técnicas que são espantosamente parecidas, para não dizer idênticas. Enquanto que no Judô o quimono é usado frouxo, a fim de facilitar o corpo a corpo, no Aikido como no Kenjutsu, a vestimenta padrão é o hakama, a longa saia-calça tradicional dos japoneses que oferece uma grande liberdade de movimentos quando duas pessoas se encontram face à face. O hakama é usado igualmente em Kendo acompanhado de diversas proteções. No Aikido, os iniciantes geralmente não usam o hakama. A comparação detalhada do Aikido e da arte do sabre revela apenas um pouco das diferenças. A tomada de distância (ma-ai) pode ser um exemplo disso. Na arte do sabre, a distância correta entre duas pessoas é dada pelas duas extremidades dos sabres, se enfrentando, devendo cruzar-se ligeiramente a fim de que, com um único passo, seja possível dar um golpe mortal no adversário. No Aikido, quando duas pessoas se enfrentam, na posição hanmi, as mãos simbolizando as lâminas dos sabres não se tocam, e a distância correta deve permitir um máximo de eficácia na entrada (irimi). De mais a mais, com um sabre, o princípio de base continuará o mesmo quando da tomada de distância, qualquer que seja a altura da lâmina. No Aikido, ele vai variar segundo a técnica: os dois parceiros ajoelhados, um parceiro ajoelhado e o outro em pé, ou os dois parceiros em pé; um praticante enfrentando vários adversários ou um adversário armado.
Em relação a isso, não é possível estabelecer uma equivalência escrupulosa entre o Aikido e a arte do sabre, mas como nós sublinhamos, antes, os princípios de base, os movimentos e as maneiras de aplicação apresentam numerosos pontos comuns. Essas similitudes não são obras do acaso, mestre Ueshiba tendo, desde o início desejado fazer um bom uso das vantagens inerentes à arte do sabre. Ele se esforçou a dedicar muito tempo e energia a adaptá-los para integrá-los ao Aikido.
O estudo do sabre
Desde a mais tenra idade, mestre Ueshiba se interessou pela prática do sabre. Com efeito, antes de estar totalmente absorvido pelo Daitô jûjutsu, ele empregou seu tempo ao estudo do sabre, para dominar seus princípios. Mesmo depois de ter colocado o Aikido no ranking do budo, ele gostava de praticar o sabre e o bokuto (sabre de madeira). Houve um tempo onde o Kobukan Dojo abrigava um curso de Kendo, e entre 1936 e 1940, vários membros eminentes do Yushinkan, Nakakura,Kiyosji, Haga Jun’ichi, Nakajima Gorozo e outros freqüentaram nosso dojo. Na minha juventude, o fundador me incitou a estudar a arte do sabre da escola Kashima shinto, o que demonstra bem sua profunda ligação com essa arte e o respeito que ele lhe prestava. O Aikido não faz uso de nenhuma arma, é fundamentalmente uma arte marcial que se pratica de mãos nuas, mas a mão, por exemplo, não é uma simples extensão do corpo.. falar do sabre da mão (tegatana) permite sugerir que a mão se torna uma arma que corta como o sabre. E quando a mão é utilizada como um sabre, o movimento segue naturalmente o movimento do sabre. Esse é o exemplo da manifestação concreta de um princípio da arte do sabre em um movimento de Aikido.
Shiho-nage é o exemplo disso por excelência. O princípio da técnica é calcado sobre a manipulação do sabre. Em pé, em guarda à direita ou à esquerda, o sabre é levantado para cortar em quatro, dezesseis ou oito direções. A partir das técnicas de base do Aikido, entrada e espiral, o sabre da mão projeta os parceiros em quatro, oito ou dezesseis direções. Esta técnica pode ser modulada ao infinito, segundo a situação ou urgência. Quando o ataque é um golpe vindo da direita ou da esquerda do adversário, é possível responde-lo com shiho-nage. Se o ataque consiste em segurar os dois punhos por trás, e ainda possível, a partir dessa posição, realizar o shiho-nage. Quando os atacantes agarram os ombros de um parceiro ajoelhado, esse último pode se defender com um shiho-nage qualquer que seja a situação, shiho-nage segue mais ou menos a mesma construção.
Em um primeiro tempo, o equilíbrio do adversário é desestabilizado pela entrada e o movimento de rotação. Em um segundo tempo, o adversário é levado a seguir o movimento de rotação do defensor. Para terminar, a mão esquerda ou a mão direita (algumas vezes as duas) é utilizada como um sabre, levado acima da cabeça para descer de novo a fim de projetar o adversário.
No shiho-nage, cada movimento é ditado pela vontade de utilizar a mão como um sabre. Isso significa também que a mão do adversário é percebida como uma lâmina. Se bem que nenhuma das partes esteja armada, a ação é tão intensa como se duas lâminas nuas devessem se encontrar. Shiho-nage supõe que potência e eficácia emanam da concentração do ki e que o escoamento do ki, saído da respiração-energia, se exprime totalmente a través da mão – a lâmina do sabre – em um corte preciso e poderoso. Entre as técnicas do Aikido, shiho-nage é considerada como marca do começo e do fim da prática, a perfeição em sua realização como a demonstração do domínio em Aikido. Isso é devido ao fato de que essa técnica simboliza mais que qualquer outra a relação íntima existente entre o Aikido e a arte do sabre.
Apesar de que o Aikido ser fundamentalmente uma arte marcial que não faz uso de nenhuma arma, e que o treinamento consiste o mais frequentemente a opor dois adversários de mãos nuas, existe numerosas aplicações das técnicas de base para as quais será necessário recorrer a um sabre, faca, bastão curto ou longo. Nesses casos particulares, o princípio de usar a mão como um sabre será invertido, as armas sendo utilizadas e manipuladas não mais como objetos mas como extensões do corpo.
O gênio do fundador
O que foi dito deveria ser suficiente para demonstrar a relação estreita entre o Aikido e a arte do sabre. Mas isso não nos ajuda a compreender porque o fundador integrou a arte do sabre ao Aikido. De mais a mais, é preciso reconhecer o gênio do fundador que criou o Aikido inspirando-se fundamentalmente em duas artes marciais evidentemente de natureza diferente: o Jûjutsu clássico e a arte do sabre. Sua originalidade não reside unicamente na combinação assim obtida mas igualmente na maneira de se fazer um novo budo que soube tirar do que havia de melhor dos budos anteriores.
Criando o Aikido, o fundador realizaria seu mais ardente desejo: preservar no mundo moderno a herança inestimável do budo. A fim de chegar a seu objetivo, ele ultrapassou as querelas da forma para apreender a essência de cada arte marcial, desejando vê-la reviver em um novo budo. Ele foi guiado, nesse caso, pela profundidade de busca espiritual, procurando descobrir por entre o budo uma filosofia capaz de dar a vida e de preservá-la. O coração do budo foi transformado para se tornar o coração do Aikido, o caminho da Harmonia e do amor.
Kishomaru Ueshiba
Traduzido por Maria Imaculada de Araujo Walla
Fim de um ciclo. Novos caminhos.
Em 09 de fevereiro formalizei meu afastamento dos quadros da Nippon Kan Brasil. Considerando que as mudanças e novos paradigmas da organização demandam maior dedicação administrativa e política, acredito que minha participação seja neste momento muito restrita para o que se pretende (Tirar a Nippon Kan do patamar atual de pequeno grupo para um grupo maior e de maior estrutura). Na minha visão, batalhar por uma organização maior e mais estruturada demanda tempo e dedicação maior. Já ajudamos muito, mas os compromissos profissionais me impedem um pouco estar a frente no conselho NKB como estava. Mas fico tranqüilo, já que as pessoas que continuam a frente podem, com certeza, contribuir com o futuro da Nippon Kan Brasil melhor que eu possa no momento.
O Ganseki Dojo continua em seu trabalho e com suas aulas regulares apenas torcendo para que tudo dê certo com a Nippon Kan. Como caracteristica nossa, continuamos amigos dos alunos e instrutores da NKB e nos encontrando nos seminários e treinos em geral por aí para continuar a promover e incentivar esta arte marcial tão apaixonante, que permite tantas leituras e tantos caminhos a percorrer. A Nippon Kan Brasil e o Ganseki Dojo continuam a seguir e evoluir, não separados, mas em paralelo.
Feng Shui Interior
A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da
desorganização.
A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível. A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades.
De acordo com o Feng Shui Interior – uma corrente do Feng Shui que mistura aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes – bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relacionamentos.
Para evitar tudo isso fique atento às
REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA:
1. Jogue fora o jornal de anteontem.
2. Somente coloque uma coisa nova em casa quando se livrar de uma velha.
3. Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as diariamente.
4. Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com a cor e fique só com as que utiliza mesmo.
5. Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.
6. Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de
papelão marcadas: lixo, consertos, reciclagem, em dúvida, presentes, doação. Após enchê-las, dê o destino apropriado.
7. Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida.
Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas
energias. Conheça cada uma dessas ações para evitar a “crise energética pessoal”.
ATITUDES QUE DRENAM ENERGIA:
1. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo– Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.
2. Pensamentos obsessivos– Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em
atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos.
Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.
3. Sentimentos tóxicos– Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas.
Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.
4. Fugir do presente– As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado.
Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.
5. Falta de perdão– Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica “energeticamente obeso”, carregando fardos passados.
6. Mentira pessoal-Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo
esforço.
7. Viver a vida do outro– Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.
8. Bagunça e projetos inacabados– A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo.
À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia.
Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!” Isso gasta uma energia tremenda.
Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.
9. Afastamento da natureza– A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia.
A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais. Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d’água para acalmar o ambiente são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia.
Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos
ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.
A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas, tais como: o falha de memória (o famoso “branco”); o cansaço físico, o sono deixa se ser reparador; o ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas.
Para economizar energia, o crescimento pessoal, a prosperidade e a satisfação diminuem, os talentos não se manifestam mais por falta de energia, o magnetismo pessoal desaparece, medo constante de que o outro o prejudique, aumentando a competição, o individualismo e a agressividade, falta proteção contra as energias negativas e aumenta o risco de sofrer com o “vampiro energético”.
Mentalize que, quando todos colocarem essas regras em prática, o mundo será mais justo e mais belo. Vamos tentar melhorar nossa energia pessoal. Atitudes erradas jogam energia pessoal no lixo.
S.Bernardelli
Vinte anos a documentar a vida de um homem
Traduzido por Pedro Escudeiro.
Poucas pessoas saberão tanto sobre a história do Aikido como Stanley Pranin. Além disso, ninguém tem sido mais importante na procura de dados precisos da história do Aikido como ele. O Aikidonytt encontrou Stanley para uma entrevista fora do Dojo de Iwama, no final de Maio, depois de uma sessão de fotografias com Saito Sensei para o seu novo volume da série Takemusu Aikido.
Como editor-chefe de Aiki News do Aikido Journal ele tem, há mais de vinte anos, documentado a vida de Morihei Ueshiba, fundador do Aikido. Stanley Pranin é conhecido pelo seu cuidado nos detalhes e precisão. Apesar da sua pesquisa, de tempos a tempos, lhe causar problemas, uma vez que as suas descobertas às vezes contradizem a história oficial do Aikido, o seu profundo conhecimento é muito respeitado por toda a comunidade do Aikido.
Qual era o seu objectivo quando iniciou o Aiki News em 1974?
O que aconteceu foi que, uns anos antes, consegui obter alguns documentos japoneses que eram uma série de um jornal que falava acerca da vida de O´Sensei. Como não havia uma tradução deles em inglês, então, com um amigo japonês traduzimos os dezassete artigos. Mostrei-os a algumas pessoas e toda a gente os queria, por isso, começámos a fazer umas cópias mimeográficas deles. Está a ver as máquinas desse tempo, e começámos a dá-los e as pessoas ficaram muito contentes. Sempre gostei de escrever e decorriam alguns eventos na área norte da Califórnia, por isso pensei, Bem, vamos fazer um pequeno boletim. Usámos os artigos de O´Sensei como a parte principal e depois algumas notícias locais daquela área. Escrevi um curto editorial e de vez em quando as pessoas enviavam alguns artigos; e por vezes vinha algum mestre japonês, fazíamos uma entrevista e era colocada lá. Começou a partir daí. Era apenas um passatempo. Era como uma forma de distribuir o que tinha vindo a pesquisar privadamente a uma audiência mais vasta.
O que considera ter atingido com o seu trabalho?
Consegui foi arranjar uma data de problemas! (Risos) Penso que mostrámos convincentemente em termos históricos que há uma grande ligação entre o Daito-ryu e O´Sensei e entre a religião Omoto e O´Sensei. Tentar removê-lo desse contexto é prestar um péssimo serviço e tornar muito difícil saber quem O´Sensei era, de que forma ele fora original e o que conseguiu atingir. Isso, e conseguimos historicamente documentar a posição de Saito Sensei dentro do contexto histórico do Aikido. Para além de ser talentoso, aconteceu que estava no local certo, na altura certa. Caso não estivesse empregado nos Caminhos de Ferro, não estaria aqui. Se tivesse um emprego de escritório das nove às cinco, e depois a sua família , nunca poderia ter treinado tão seriamente. Descobrimos algumas coisas históricas que são provavelmente interessantes só para as pessoas que gostam de detalhes. Havia uma ligação forte entre a família Inoue e a Ueshiba. Há uns setenta ou oitenta anos atrás. Há bastante tempo mesmo, isso foi muito, muito importante nos primeiros tempos do treino de O´Sensei. Eles promoveram-no e assistiram-no de muitas formas.
Fazia alguma ideia da dimensão que o Aiki News iria ter quando começou?
Não, creio que não sabia o que ia fazer. Tive um dojo durante algum tempo. Fui levado pelo facto de querer saber mais sobre O Sensei. Quando vim ao Japão pela primeira vez em 1969 comecei a procurar alguma informação e não cheguei a lado nenhum. Muito poucas pessoas quiseram cooperar comigo. Não havia quase nada também em japonês. Ninguém tinha feito pesquisa. O Sensei tinha acabado de morrer e os japoneses não pareciam levar muito a sério a pesquisa. Então, assim que me interessei e descobri algo, encontrei mais e tornou-se mais interessante e quis continuar.
Quais são os seus planos futuros para o Aiki News?
Documentar qualquer aspecto da vida de O Sensei que possa. Isso significa documentar o Daito-ryu em profundidade. Iremos publicar uma tradução em inglês da biografia de Onisaburo Deguchi este ano. Publicar o maior número de volumes desta série técnica com Saito Sensei que ele queira. Um dia gostaria de publicar uma série técnica do Daito-ryu. Há vários outros mestres que levaram o Aikido noutras direcções. Pessoalmente, não pratico os seus estilos, mas admiro e respeito estes professores. Gostaria de fazer algumas coisas com eles porque penso que o que eles fazem merece a pena. E depois, após uns anos, espero escrever uma biografia de O Sensei que vai ser séria, e uma vez que vou ser eu próprio a publicá-la não haverá um editor a dizer-me o que posso ou não fazer, ou que está muito longo ou detalhado. Farei apenas o que quiser fazer. Estou a pensar mais em quando eu morrer, o que posso deixar para trás.
Pode explicar a razão mais específica desta série de livros com Saito Sensei, para a que temos estado a tirar fotografias hoje?
Como tenho expresso nos meus editoriais ou no volume um desta série, Saito Sensei, grandemente devido a um acidente histórico, teve uma oportunidade realmente única de estudar com o Fundador em pormenor, mais do que qualquer um. Ele recebeu tanta instrução técnica directa do Fundador e como a sua mente é muito metódica, então foi capaz de classificá-la e explicá-la de uma forma que é muito, muito mais fácil de compreender. Assim, ao preservar as técnicas de Saito Sensei é a seguinte melhor coisa para preservar as técnicas de O Sensei. Não há qualquer outro mestre com quem eu possa trabalhar que saiba deste assunto com esta profundidade, que possa explicá-lo claramente ou que tenha visto O Sensei por um tão longo período de tempo e que tenha visto as alterações nas suas técnicas.
Neste momento estamos no Dojo de Iwama. Qual é a importância deste local para o desenvolvimento do Aikido, do seu ponto de vista de historiador?
É provavelmente o local onde O Sensei mais podia relaxar. Onde se sentia mais confortável nos seus últimos anos. Ele viajou para Tóquio, Osaka, Tanabe e Shingu, mas a sua casa era aqui. A sua casa em Tóquio tornou-se mais a casa do actual Doshu (Nidai-Ed.) do que a casa de O´Sensei. É claro que ele podia ficar lá, mas Iwama era basicamente o seu lar e, enquanto viajava, a sua mulher Hatsu estava aqui. Ela não estava assim tanto em Tóquio. A partir de 1942 esta era basicamente a sua casa. O Dojo manteve este sabor antigo. Não é um prédio de cimento moderno. As redondezas são muito bonitas e temos ali o Sanctuário do Aiki e para O Sensei o aspecto espiritual era muito importante. É um local muito especial e, provavelmente, depois da guerra, a única casa que O Sensei teve. Provavelmente, as pessoas de Tóquio vêem de uma forma diferente, mas é assim que eu o vejo.
O’Sensei passou a maioria do seu tempo aqui em Iwama quando desenvolveu o seu Aikido e como afirmou num dos seus editoriais o Aikido ensinado no Hombu Dojo foi desenvolvido por Tohei Sensei e pelo Doshu. Como foi possível que ocorresse tão grande diferença no desenvolvimento do Aikido?
Alguns anos atrás teria muita dificuldade em responder a esta questão. Basicamente, por falar com muitas, muitas pessoas e de ponderar sobre estas coisas durante anos e anos, cheguei a uma conclusão sobre isto. Tentei explaná-la num dos meus editoriais. Se analisarmos por quanto tempo as pessoas de grande nome estudaram com O Sensei, e por grande nome refiro-me a Doshu, Tomiki, Mochizuki ou Shioda, descobriremos que treinaram por um relativamente curto período de tempo. Devido à altura em que foram treinados , receberam alguma instrução, e depois foram enviados como professores, talvez depois de seis meses ou um ano. O próprio O Sensei ia viajando, portanto, não era como se estivessem a ter uma dieta de treino constante da parte do Mestre numa base diária. Quando vimos treinar em Iwama, Saito Sensei ensina uma ou duas vezes ao dia, excepto quando viaja. Mas naqueles tempos era como se viéssemos para aqui e depois de uns quantos meses fossemos para Mito ou Tsuchiura duas ou três noites por semana para ensinar. Numa tal situação em que estamos envolvidos no ensino, a quantidade de instrução que recebemos pessoalmente é limitada. Uma vez que a arte estava na sua infância e mais tarde por causa da guerra, a carreira de muitas pessoas que eram bastante talentosas foi interrompida. É claro que durante a guerra não se passava nada, e depois da guerra O Sensei estava aqui. Ele era já um homem idoso e estava retirado, por isso, as figuras principais em Tóquio eram Koichi Tohei e o actual Doshu. Não há dúvida sobre isso. Tohei era aquele que tinha o carisma, que era forte, treinou ainda por um tempo razoável com O’Sensei , viajou para o estrangeiro, falava inglês, escreveu livros. Era o ideal de toda a gente. Mesmo no Hombu Dojo muitos dos professores seguiram-no. Tohei Sensei estudou com o Tempukai. Portanto, muitos membros do Aikikai entraram para o Tempukai também. Ele detinha uma grande influência. Na mesma altura ele estava fora bastante, no Hawai, portanto, o Doshu e pessoas como Tada Sensei e Yamagushi Sensei tinham uma certa influência e alguns seguidores. Mas Tohei era a corrente principal. Ele era o shihan bucho, o instrutor chefe e o principal do grupo de instrutores. Depois da morte de O Sensei, Kisshomaru Ueshiba tornou-se Doshu e Tohei deixou o dojo em 1974, e veio a era do Doshu. Ele queria tornar as técnicas mais fáceis de compreender e menos estilo jujutsu, mais redondas e circulares. Agora está iniciada a gestão para o seu filho Moriteru, mas a sua influência não é O Sensei. Não é Saito Sensei ou Tohei Sensei, é o seu pai. E estão a remodelando o que é o Aikido em relação à sua imagem, penso que é da natureza humana. Contudo, está cortada das suas raízes históricas, da forma como eu vejo.
O Sensei estava consciente das diferenças que se desenvolviam no mundo do Aikido?
Temos que entender que O Sensei vivia de certa forma num mundo de sonho. Via-se a ele próprio como um veículo dos vários kami. Tohei Sensei diz, por exemplo, que O Sensei dizia qualquer coisa e os seus alunos diriam, Sensei, desculpe, não percebo, e ele diria, Não tem importância, eu também não entendo o que estou a dizer. Tohei Sensei diz isto para criticar O Sensei. O Sensei pensava só em como unificar com o universo. O seu vocabulário e o seu ponto de vista eram grandemente modelados pela religião Omoto. É uma religião Shinto, uma religião Xamanística e ele estava noutro mundo. Não estava interessado em organizações. Mesmo quando era jovem nunca organizava coisas. Deixava isso para outras pessoas. Ele estava interessado em treinar-se, fazer a sua meditação, a sua relação com Deus. Penso que se aborrecia se visse as pessoas a fazer coisas que ele considerava serem de um nível vulgar. Nos termos actuais acharíamos que ele era muito estranho ou excêntrico. E na altura ele era um ancião e depois da guerra já estava nos finais dos seus sessenta.
O que acha que vai acontecer no mundo do Aikido no futuro? Como se irá o Aikido desenvolver?
Uma coisa boa do Aikido é que está a difundir-se internacionalmente e que há pessoas que estão a trazer o seu treino de outros campos e outras ideias. Portanto, iremos encontrar o Aikido como fazendo parte de outras disciplinas. Talvez a principal parte ou talvez como complemento. Penso que certas pessoas desenvolverão o Aikido mais como um sistema de saúde. Poucos farão um estilo mais duro. Irá apenas dirigir-se em muitas direcções. Nalguns aspectos é forte, pois tem algumas figuras carismáticas e as pessoas tendem a praticar Aikido por mais tempo que outras artes marciais, porque não há competição. Há mais uma relação harmoniosa e é atraente para pessoas com um intelecto mais elevado. Se for Karate ou qualquer coisa parecida, há a tendência de serem homens novos que praticam por uns anos e depois saem. Mas no caso do Aikido, as famílias podem fazê-lo e pode-se praticar por vinte, trinta, quarenta anos e nos nossos cinquenta ou sessenta ainda podemos ter uma boa prática. Poderemos fazer um Judo competitivo aos sessenta, ou Kendo? Não muito frequentemente. Vai-se definir a si próprio e depois espalhar-se por todo o lado.
Qual é o seu conselho para todos os aikidoka na Suécia?
Façam-no à vossa própria imagem e façam o melhor que puderem. Devido ao meu carácter pessoal, gostaria de lhe adicionar outros elementos porque tenho outros interesses externos. Não é o meu papel necessariamente preservar o Aikido de O Sensei como praticante. Faço-o mais como académico. Saito Sensei tem este papel. Ele tem que cuidar da casa e do dojo de O Sensei . Ele tem a sua missão na vida. Hitohiro Sensei, o filho de Saito Sensei, tem a sua missão na vida. A minha é um pouco diferente. Eu encorajo as outras pessoas a investigar e se encontrarem alguém melhor que O Sensei que aprendam com ela. Se não puderem, pelo menos eduquem-se a vocês mesmos em saberem quem era e o que fez. Não têm que tentar fazer o Aikido que ele fazia, mas pelo menos compreendam de onde ele vinha. Então, adquiram a vossa base de seja qual for a versão de Aikido que estejam a fazer e façam algo de grandioso a partir dele.
Como se irá desenvolver o Aikido da escola de Iwama , e qual é a sua missão?
Somos uns afortunados por o sucessor de Saito Sensei ser tão talentoso e leal. Nem sempre acontece assim com os sucessores. Tenho realmente muitas esperanças. Ele vai-se expandir mais e mais, porque contém tanta essência dentro dele. Tem tanto conteúdo, que se pode passar várias vidas a estudar o estilo Iwama. Espero que não venha a haver nenhum movimento no sentido de uma estrutura organizacional rígida, porque essa tem os seus próprios problemas. Se Iwama se concentrar em preservar o Aikido de O Sensei e em disseminar a arte, e na prática das próprias técnicas, em vez de criar uma estrutura hierárquica, penso que o Aikido de Iwama estará muito bem.
Muito obrigado pelo seu tempo e pelo seu bom trabalho com o Aiki News.
Kashima Shinto-Ryu
por Meik Skoss
Aiki News #99 (1994)
Traduzido por Nelson Wagner Santos
Às vezes é muito difícil saber em quem acreditar ou o que pensar quando aqueles numa posição de saber não podem, ou não dão à informação exata. Um caso sobre este ponto foi quando eu comecei a perguntar para alguns de meus professores e seniores sobre os antecedentes técnicos e influências históricas no desenvolvimento do aikido. O jujutsu do Daito-ryu é sentido geralmente como a base para técnicas desarmadas, mas as técnicas de armas vistas geralmente na arte foram atribuídas a um número de fontes. A maioria das pessoas com quem eu falei o pensa que o trabalho com espadas foi derivado do Yagyu-ryu ou do Yagyu Shinkage-ryu e que o uso do bastão vieram do Hozoin-ryu. Algumas pessoas eram enfáticas em dizer que todas as técnicas no aikido eram inteiramente criações do fundador da arte, Morihei Ueshiba. Depois que eu comecei a estudar o kobudo (artes marciais clássicas) eu mesmo e me tornei familiar com as características de muitos dos koryu diferentes (tradições marciais clássicas, escolas, ou estilos das artes), eu fui muito surpreendido ao ver que as armas que treinam seqüências mais frequentemente associadas com aikido de Ueshiba se assemelharam mais claramente àquelas do Kashima Shinto-ryu. Em todas as minhas conversas com professores e seniores nos dojos do aikido onde eu treinei ou visitei, eu nunca ouvi o nome deste koryu mencionado; as pessoas com quem eu falei confessaram a ignorância ou negaram qualquer conexão, e eu nunca recebi uma explanação satisfatória.
Logo depois que eu levantei estas questões, em 1978 ou 79, eu visitei o dojo do falecido Mestre Koichiro Yoshikawa, 64º Grão Mestre do Kashima Shinto-ryu. Responderam graciosamente muitas perguntas sobre a história e as técnicas do ryu. Além disso, mostrou-me um registro das pessoas que tinham entrado no Kashima Shinto-ryu e tinham feito keppan (literalmente “selo de sangue,” assinando o registro e selando-o com seu próprio sangue como amostra de sinceridade e intenção séria) datados de antes da Segunda Guerra Mundial. Adivinhem fãs do esporte? Um dos nomes no registro era o de Morihei Ueshiba, junto com o de Zenzaburo Akazawa, seu deshi. Foi-me dito que um monte de alunos da Kobukan, incluindo Morihei Ueshiba, estudou por um período de vários anos. Mais uma vez, quando eu trouxe à tona o assunto do Kashima Shinto-ryu e sua influência no aikido, diversas pessoas do aikido, incluindo um dos instrutores mais antigos no Aikikai, me asseguraram que eu estava confundido. A única ligação que eu poderia fazer era esta: a) Eu posso ler japonês, e b) eu vi o registro com meus próprios olhos (se pode discutir com um professor e seniores em inglês sem parecer impertinente, mas é quase impossível fazer algo assim no contexto japonês). Mais tarde, eu mencionei tudo isto a Stan Pranin, editor da Aiki News, e ele tinha estabelecido isto e muitos outros detalhes contundentes não publicados previamente do treinamento de Morihei Ueshiba nas artes marciais clássicas e a influência dos koryu em cima do desenvolvimento do aikido moderno. Muito mais trabalho, entretanto, permanece para ser feito.
Kashima Shinto-ryu é uma das tradições marcial mais antiga do Japão. Seus membros seguem a história do ryu há seiscentos anos até Kuniazuno Mabito, considerando ele ser o shiso, ou o progenitor, do original Ichi no Tachi ou Kashima no Tachi. Mesmo se alguém datar a história da tradição para época de Tsukahara Bokuden (Nascido. 1489), que é considerado por membros do Shinto-ryu ser o verdadeiro ryuso (fundador), há uma linha de sucessão direta contínua que dura mais de quinhentos anos.
Kuniazuno Mabito era um antepassado direto de Bokuden. Foi indicado para o cargo de curador, ou guardião, do Grande Templo do Kashima. Uma de suas responsabilidades era a manutenção da paz e da ordem dentro dos recintos do templo (o domínio manorial do Templo pode ser uma descrição mais exata; ele é grande atualmente, mas foi um dos latifundiários principais na região inteira e de exercia grande poder). Um espadachim notável, Mabito criou um grande corpo de técnicas e de métodos de treinamento e ensinou muitos estudantes que serviram como a guarda do Templo. Seus descendentes foram os Yoshikawa Urabe. Serviram como adivinhos assim como curadores do Templo, e fornecer a segurança armada transformou-se em um de seus deveres hereditários. Bokuden nasceu nesta família, mais tarde transformando-se em um yoshi, ou genro adotado do clã de Tsukahara.
Bokuden é frequentemente citado como kensei. Traduzido literalmente, a palavra significa a “santo da espada,”, mas ela significa mais corretamente um espadachim que transcendeu as técnicas meramente físicas e penetre à essência da esgrima, um cuja arte imbuída com uma dimensão espiritual extraordinária. Bokuden aprendeu o Katori Shinto-ryu de seu pai adotivo e aperfeiçoou mais tarde suas habilidades realizando o musha shugyo (treinamento ascético do guerreiro), viajando durante todo Japão e treinando com a maioria dos expoentes hábeis, conhecidos de seu tempo. Sistematizando mais tarde o ensino das artes marciais locais da área de Kashima. Após ter recebido uma inspiração divina de Takemikazuchi-no Kami, a divindade do Templo Kashima, “kokoro arata ni koto ni atare” ([aqueles] que mantém a mente de um novato [perspectiva nova; uma mente aberta à mudança], terá sucesso [pode confrontar/negociar, lidar com] em qualquer coisa), Bokuden pegou os dois caracteres (kanjis) para o novo e suceder, junto com o nome do Templo e deu um nome formal a seu sistema: Kashima Shinto-ryu.
O Kashima Shinto-ryu foi formado durante o Sengoku Jidai (idade de estados guerreiros), quando o país inteiro estava envolvido em uma série de guerras pelos senhores feudal que disputavam o controle militar e político. Suas técnicas são baseadas naturalmente nas experiências ganhas no campo de batalha e refletem a maneira em que se luta quando paramentado com a armadura da época o domaru e o gusoku yoroi. Os movimentos são dirigidos contra ao que seriam os pontos fracos ou as aberturas na armadura, particularmente as superfícies internas dos braços e dos pés e a área entre o peitoral e o pescoço ou as coxas. Muitas técnicas incorporam o atemi, golpeando com o pomo ou as costas da arma, para nocautear, ferir ou imobilizar o oponente. Os movimentos são grandes e parecem relativamente lentos nas técnicas projetadas para combate com armadura. As técnicas para o combate quando vestidos com roupas comuns ou somente protegidas mìnimamente pela armadura foram desenvolvidas mais tarde, e são, mais rápidas, menores e imperceptíveis, e alvejam um grande número de áreas no corpo do inimigo. O aprendizado esta centralizado na espada, mas incluem a lança (yari), o bastão (Jô e bô) e a alabarda (naginata).
Geralmente falando, os kamae (posturas de combate) no Kashima Shinto-ryu são enraizados, com os pés bem separados e o corpo um tanto abaixado (mi wa fukaku atae). Isto fornece uma base contínua, estável para os movimentos em campo aberto e ajuda para movimentos poderosos. A postura psicológica ou intenção do praticante de Kashima Shinto-ryu é agressiva (kokoro wa itsumo kakari nite ari), mas o corpo é mantido em uma maneira atenta, sem brandir a espada para o inimigo (tachi wa asaku nokoshite). Expondo-se ligeiramente para eliciar um ataque ou sondar a habilidade física do oponente e o estado mental (saguriuchi), podendo derrotar o oponente utilizando suas fraquezas.
O omote no tachi é compreendido de doze técnicas executadas com o bokuto reto, como de armadura. O primeiro destes, ichi no tachi, é quase idêntico a um exercício do mesmo nome ensinado por Morihiro Saito. O Ni no tachi do Kashima Shinto-ryu tem diversos elementos em comum com seqüência de treinamento do Saito, como san no tachi, mas há um número de diferenças também. Eu acredito que as diferenças refletem os ensinamentos que Saito recebeu de Ueshiba, e é relacionado à finalidade do treinamento da espada do aikido ao contrário daquele da esgrima clássica. Em todo o caso, foi observando o omote no tachi waza do Kashima Shinto-ryu que acendeu meu interesse nas conexões entre esta tradição clássica e o desenvolvimento do aikido.
Além do omote no tachi>, há um total de dezessete técnicas no chu gokui. Embora possam ser feitos com bokuto, é executada geralmente usando o fukuro shinai, uma espada do treinamento feita de bambu rachado encerrado em um saco do couro ou de lona. Esta arma permite que os praticantes experimentem o treinamento aplicado com mais segurança, porque o impacto do shinai não causa ferimento sério. A maioria das técnicas envolve treinar de encontro a um outro espadachim, mas diversas delas envolvem respostas à lança e a alabarda. O kojo okui jukka no tachi é uma série de dez técnicas com as espadas longas e curtas, sozinhas ou em conjunto, usando espadas de metal. Se as espadas forem reais, com bordas afiadas, esta pode ser chamada como habiki; na prática, entretanto, as espadas com (sem corte) bordas rebatidas (mugito) são usadas geralmente. O Tonomono tachi é uma seqüência de doze técnicas que concentram em aspectos sutis e dos princípios da esgrima. Há oito bojutsu kata, dando ao estudante do Kashima Shinto-ryu o completo conhecimento no uso do rokushakubo (bastão de madeira de seis pés). A parcela de sojutsu (lança) do currículo contém mais de trinta exercícios, e inclui técnicas com e de encontro ao kamayari (lança com gancho, lança com barra transversal), e a naginata (alabarda), assim como o bajo sojutsu (uso da lança quando montado a cavalo). Finalmente, há vinte e seis battojutsu, técnicas de sacar a espada. Incluem técnicas simples para sacar e cortar, lidando com oponentes múltiplos, e ataques de surpresa.
Atualmente, os treinos ocorrem somente uma vez por semana durante a maior parte do ano. Em janeiro, durante a parte mais fria do inverno, entretanto, a prática é feita diariamente. Os alunos variam de meninos na adolescência a diversos homens na casas dos oitenta anos. Como são comuns com a maioria dos koryu, as licenças ao invés da graduação de Dan (dan-i) são concedidos, indicando o grau de proficiência alcançado e a quantidade do currículo que se estudou. A permissão para ensinar é dada somente após ter alcançado um determinado nível, e somente com a autorização expressa do Grão Mestre do ryu. Atualmente, quatro homens da Inglaterra se juntaram ao ryu e treinaram-no por um período de tempo considerável antes de retornar para casa. Os estudantes de Aikido interessados em aprender mais sobre as raízes técnicas de sua arte podem considerar as possibilidades de treinar nesta tradição clássica.
Copyright ©1993 Meik Skoss. Todos os direitos reservados.
Meik Skoss começou a treinar artes marciais em 1966 em Los Angeles, quando se juntou ao dojo de aikido de Takahashi Isao. Foi ao Japão em 1973 continuar treinando o aikido e o iaido de Muso Jikiden Eishin-ryu com Hikitsuchi Michio. Após mudar-se para Tokyo em 1976, Skoss começou seu estudo do jojutsu de Shinto Muso-ryu com o Shimizu Takaji, um naginatajutsu de Toda-ha Buko-ryu com o naginatajutsu de Muto Mitsu, e do Tendo-ryu com Sawada Hanae, bem como continuar a praticar o aikido no Dojo do Aikikai Hombu. Foi também nesta época que começou a trabalhar com Donn F. Draeger e acompanhou o mestre hoplologista em um número de viagens a campo no Sudeste Asiático. Em 1979 começou a estudar o battojutsu sob o Grão Mestre da 21ª geração, Yagyu Nobuharu Toshimichi do Yagyu Shinkage-ryu heiho/kenjutsu e de Yagyu Seigo-ryu. Praticou também o judo, tai-chi chuan, karatedo do estilo Goju-ryu e, além do koryu acima, atualmente treina judo, atarashii naginata e jukendo. Skoss possui a graduação de 4º Dan de aikido (Aikikai), 5º Dan de jodo de Zen Nihon Kendo Renmei, 5º Dan de Jukendo, 3º Da de Tankendo, 2º Dan de atarashii naginata, okuden mokuroku e shihan licenciado em naginatajutsu do Toda-ha Buko-ryu, e sho-mokuroku no jojutsu de Shinto Muso-ryu. É um dos inúmeros hoplologistas que continuam o trabalho de Donn F. Draeger e viajou por todo o Japão para visitar muitos koryus e os dojos modernos de budo para coletar as informações em artes marciais japonesas. Atualmente reside em New Jersey, e com sua esposa ensinam o jojutsu, o kenjutsu e o naginatajutsu em um dojo em Madison. Pode ser encontrado no e-mail: mskoss@koryubooks.com