Curvando-se à Realidade

por David Lynch

Aikido Journal #116 (1999)
Traduzido por Jefferson Bastreghi

Parece incrivelmente óbvio, contudo eu me deparo continuamente com pessoas que parecem incapazes de dizer a diferença entre treinar e lutar.

Alguns insistem, por exemplo, que você deveria manter seus olhos fixos no seu parceiro enquanto se curva, para o caso de você ser golpeado na nuca, receber uma joelhada no rosto, ou sujeitar-se a algum outro ataque covarde.

Espanta-me minha imaginação, entretanto, de que alguém se curvaria em uma briga real – deixando-se de lado se “briga” é a palavra certa para se dirigir ao Aikidô – então eu não posso entender de onde estas pessoas estão vindo. A menos, é claro, que esta é uma questão de manter algum código arcaico de honra no qual combatentes se curvam uns aos outros antes de se atracarem em uma luta de vida ou morte.

Em uma versão contemporânea, isto envolveria um floreio elaborado do boné de baseball: “Fred Bloggs, da nobre família Bloggs, a seu serviço, Senhor. Permita-me a honra de uma luta até a morte. Canivetes ou correntes de bicicleta? A escolha é sua.” Eu acho ridículo confundir treino no dojô, isto é, aprender as técnicas e os princípios por trás delas em um ambiente seguro com um parceiro cooperativo, com alguma espécie de vale-tudo.

No dojô, cortesias são observadas, linhas são traçadas, e é entendido por todos os participantes (de fato?) que você está treinando, não lutando. De qual outro modo você aprenderia técnicas potencialmente mortais? De qual outro modo compreenderíamos os princípios mentais e espirituais da arte?

Se treinar no dojô é suposto a se igualar a uma “luta real” haveria pouco sentido em usar um uniforme e treinar com os pés descalços no tatame, usando (pior ainda) formas de ataque pré-arranjadas. Que irrealista!

Poderia ser que a confusão sobre isto vem do fato que tantas artes marciais se tornaram esportes competitivos? Ou é porque a indústria cinematográfica de Hong Kong tem saturado tanto a mente do público com cenas de heróis e vilões esbanjando força bruta para provar qual dojo é o melhor, que esta imagem celulóide se tornou a única a que algumas pessoas se relacionam?

A etiqueta no dojô é levada a sério no Aikidô, e curvar-se é considerado uma parte importante disso, complementar ao aspecto marcial. O ato de se curvar originou-se, como o aperto de mão, como um gesto de respeito e confiança. Curvar-se com nada além de desconfiança no seu coração seria negar completamente este significado. Seria também extremamente má conduta, e realmente não entendo a lógica daqueles que insistem em fazer isso. Estou aberto a correções, mas eu sinto que este é outro exemplo de uma atitude competitiva mal-orientada, o que é particularmente inapropriado ao treinamento do Aikidô. Nós vemos isso também naquelas pessoas que continuamente resistem a técnicas.

De onde vem esta necessidade desesperada por “realismo”? Parece ser um desenvolvimento moderno, julgando-se sua completa ausência nas formas antigas de treinamento, incluindo aikijujutsu.

Eu não tenho grande experiência de “luta de rua” (estou geralmente no meu carro quando saio nas ruas!), então pode haver algo que eu não esteja compreendendo. A visão que há muitas pessoas sórdidas, não-confiáveis “lá fora” pode sustentar esta abordagem negativa ao treinamento. Mas desconfiança constante ao companheiro seria um modo muito patético de vida – ou melhor, modo de morte – e a sociedade certamente ainda não atingiu aquele nível sombrio.

Treinamento em “estar atento” (uma idéia com tantas interpretações quanto ela tem advogado) é importante, mas isto não depende somente dos olhos. Na verdade, muitos mestres de budô instruem especificamente os seus estudantes a não olharem diretamente nos olhos dos seus oponentes. Eu não vejo conflito entre treinamento cooperativo no Aikidô e treinamento em “estar atento”. Ao invés de competir uns com os outros, nós deveríamos tentar aumentar nossa atenção durante o treino para que cada movimento nosso se torne vivo e não apenas uma repetição mecânica.

Aprendizado repetitivo de técnicas poderia levar a reações não apropriadas em algumas situações (o que é o porquê nós somos alertados a não ficarmos presos na forma), mas não posso imaginar alguém indo tão longe a ponto de automaticamente curvar-se a um agressor seriamente intencionado a machucá-lo. Há uma piada sobre o vilão, preso seguramente em uma chave de pulso por um oficial de polícia, que sinaliza com o sinal ortodoxo de submissão do dojô batendo com sua mão livre, e imediatamente foge quando o oficial reflexivamente solta sua pegada. Parece possível, embora improvável, que tais hábitos de treino poderiam se mostrar no momento errado.

Devo admitir, entretanto, que uma vez fui beneficiado por uma ação reflexiva similar em um campo de treinamento, onde eu fui “atocaiado”. No dia final do campo, voluntários pisaram no tatame para lidar com múltiplos ataques por diversos números de ukes. Quando foi minha vez, alguém tinha secretamente espalhado a palavra e o grupo inteiro de umas cinqüenta e tanto pessoas levantaram-se simultaneamente e começaram a me atacar. Depois de uns poucos segundos evitando os primeiros, eu soltei um alto kiai, da variedade “hai, iiiiii….” e preparei-me para encontrar meu destino. Eu pensei que pelo menos iria tombar lutando.

Para o meu espanto, todos repentinamente pararam de me atacar, ajoelharam-se e curvaram-se respeitosamente. Aparentemente eles acharam que eu tinha gritado “Yame!” (“Pare!”), este foi o kiai mais efetivo que eu poderia ter desejado, embora eu me senti um pouco tolo quando a oposição esmagadora repentinamente se evaporou.

Nós somos criaturas de hábito – produtos, sem dúvida, de nosso ambiente, do qual não é fácil nos separarmos.

Observei este fato recentemente, de um ângulo diferente, quando eu questionei um instrutor japonês de elevado ranking sobre como ele aplicava seus 40 e poucos anos de Aikidô em sua vida diária.

Suas respostas foram fascinantes: “Quando eu fico bêbado, eu volto para casa e faço exercícios de respiração aiki para reduzir a ressaca da manhã seguinte.” E: “Eu tenho acumulado altas dívidas, mas meu treino tem me capacitado a ser filosófico sobre isto, enquanto que uma pessoa comum (não treinada) iria provavelmente ficar doente de preocupação.”

Aparentemente, não ocorreu a este sensei usar seu conhecimento para ficar sóbrio ou para gerenciar melhor suas finanças. Seu ambiente evidentemente ainda assim exerceu uma influência considerável sobre ele. É mais fácil ver isto nos outros, é claro, do que em nós mesmos.

Entrevista com Pat Henricks (imperdível para aikidoistas do sexo feminino)

Pat Hendricks no Aiki Expo 2002

Ikuko Kimura: O Quanto você está curtindo o Expo?

-Pat Hendricks: Isso é mais do que eu esperava, existe muito talento aqui, não são somente os professores, que são fantásticos, mas muitas pessoas que são realmente de alto calibre. Eu não pensei que veria algum evento em toda a minha carreira nas artes marciais igual a este.

-Eu escutei dizer que você treinou muito para se preparar para essa demonstração?

-im, meus três alunos no qual todos são realmente excepcionais, e eu temos feito juntos demonstrações em outros eventos de artes marciais. Então primeiramente eu pensei ,

“Nós temos nosso padrão de demonstração. Nós podemos mudar isso um pouco”. ” Mas aí eu senti que esse evento era tão importante que eu quis me dedicar mais nele e ajudar a fazer ele ser mais especial do que merecia ser.

Quantos alunos você trouxe ?
-ito uchideshi (alunos internos) vieram do meu dojo, e dois alunos antigos que agora se tornaram professores, mais dez alunos diretos meus e de outros quatro ou cinco de várias outras regiões.

-Quantos alunos voce tem?
Eu tenho algo de sessenta alunos adultos e cinquenta e sessenta crianças, no meu dojo, então mais de cem ao todo.

Você ensina todos os dias ?
Sim eu ensino. Minha filosofia, que eu peguei observando Saito Sensei, é que não importa qual seja a graduação que eu tenha ou o quanto eu seja avançada, isso é realmente importante para mim, e muito mais importante é dar quantas aulas eu puder. Então quando eu estou no dojo e não estou viajando, eu dou todas as aulas. É só isso o que eu faço. Eu ensino nas aulas de crianças porque eu acho que inspira todos eles.

Quando você originalmente começou Aikido?
-u começei no verão de 1974 em uma pequena faculdade em Monterey onde Mary Heiny estava ensinando. Logo após registrar-me eu encontrei Stanley Pranin no dojo, no qual estava também em Monterey, então eu começei a ir lá. Eu dirigia mais ou menos uma hora cada ida e volta, três vezes por semana para chegar no dojo.

Quantos anos você tinha ?
-u tinha dezoito anos quando eu começei no Aikido em Junho, e por volta dos dezenove, foi aí que eu comecei no dojo de Stanley em Setembro.

Stanley disse que tinha muito orgulho de você.
-h, Eu sempre tive um suporte inacreditável dele. Ele foi meu primeiro professor e eu aprendi muito com ele. Eu fazia aulas três vezes por semana com ele, e no sabado de manhã uma aula de mulheres com Danielle Smith. Em algum ponto eu mudei dentro do dojo de Stanley e tornei-me uma uchideshi informal, e treinando em todas as aulas.
Por volta de 1977 Stanley foi para o Japão. Nós estávamos em Oakland treinando com Bruce Klickstein no momento. Bruce já tinha estado em Iwama uma vez e ele estava pronto a sair para uma longa estada por lá.
Bruce, um par de alunos antigos e Stanley, em outras palavras todos estavámos sentindo a hora de ir para Iwama. Então eu decidi, “Bem, Eu vou também. Esse deve ser um lugar puro.” Eu tinha feito um ano ou um ano e meio de universidade e decidi ter um ano de folga e ir para o Japão. Eu fiquei mais do que um ano, no qual foi mais longo do que eu esperava. Isso era no Outono de 1977, quando tinha poucos estrangeiros ou uchideshi. O treinamento era muito severo e tradicional. Isso ainda é tradicional em Iwama, mas muitas pessoas completamente não estavam indo no qual eu tinha que ir direto.
Nesta época era fácil para qualquer uchideshi ter um contato pessoal com Saito Sensei e sua familia. Bruce Klickstein e eu éramos os únicos uchideshi na maior parte do ano.

Não tinha uchideshi japoneses?
-ão, existiam pessoas que vieram por um mês ou dois, mas o único uchideshi a longo prazo antes de nós foi Shigemi Inagaki. Ele foi o primeiro uchideshi a longo prazo de Saito Sensei. Ele ensinava na classe da manhã onde na maior parte apenas nós três treinavamos. Era um treinamento muito pesado, muito intenso. Eles eram 3º ou 4º dan e eu era somete uma faixa preta. Eu aprendi muito, incluindo todos os meus treinamentos de armas naquelas cinrcunstâncias.

Estando em Iwama por mais de um ano e treinando desta forma deve valer mais que alguns anos ou até em qualquer outro lugar ?
-Sem dúvida. Nós vimos Saito Sensei o tempo todo e trabalhamos com ele todos os dias.

Ele foi para o exterior nessa época ?
-Durante minha estada ele teve a sua primeira viagem internacional, para a Suécia, mas era incomum para ele viajar. Ele não viajou para nenhum lugar como fez nos últimos dez ou quinze anos. Depois dessa viagem para a Europa ele não foi para lugar algum por muito tempo. Ele ficava no dojo direto; ele tinha almoço conosco e cozinhava para nós. Foi uma época maravilhosa nesse sentido, mas o treinamento era muito, muito severo e muitas pessoas ficavam machucadas. Eu tive meu exame de SHODAN logo depois que entrei pro dojo e dentro de duas semanas eu tive meu braço quebrado. Mas naqueles dias você não para, então eu tive meus ossos ajustados por um velho doutor cego, Mr. Tachikawa, que era muito famoso em Iwama. Quando eles me levaram, eu vi aquele velho homem cego somente me sentindo ao redor de suas mãos e eu pensei “ Eu estou encrencada agora “. Mas ele era fantástico ! Ele era um genuíno curandeiro ! Ele me pegou como se eu fosse um projeto especial e usou todos os tipos de a gulhas e coisas para fazer o meu braço funcionar de novo.

Quantas semanas depois ?
-Dentro de duas a três semanas o braço estava curado e eu estava treinando com um braço. A recuperação total durou em torno de cinco semanas. Era inverno então para curar era lento. Eu esperei a recuperação total, embora tenha ficado muito melhor depois disso. Isso era a maneira de como as coisas eram feitas nesse tempo. Você tinha um nariz sangrando uma noite ou tinha algo torcido na outra, e isso fazia parte da coisa. Eu tive muitos machucados, mas eu penso que era naquele tempo quando Saito Sensei realmente decidiu fazer um esforço para fazer os treinos mais seguros. Bruce estava lá e Mr. Inagaki também. Bruce é um grande sempai e um grande irmão pra mim. Seu aikido era muita coisa.

Porque você se tornou interessada no aikido em primeiro lugar ?
-Na escola eu via muitos filmes de Bruce Lee e eu fui influenciada naturalmente apenas para as artes marciais.

Porque aikido, então ?
-Para ser honesta, isso foi uma coincidência. Eu queria fazer artes marciais, e o foi o aikido que me ofereceram naquele tempo; mas a partir do momento que eu fiz minha primeira aula eu sabia que isso era pra mim. Tudo se ajustava, os movimentos, a filosofia, a maneira das pessoas pensarem, tudo ! Eu não sei se eu teria ingressado em outra arte, mas aikido me serviu desde o começo mesmo.

Você tentou alguma outra arte marcial ?
-Após anos e anos eu tive muitos amigos em artes marciais e eu tive muitos contatos como estes, embora eles estivessem em uma graduação menor. Em muitos lugaress você tem somente as aulas que estão sendo oferecida. Pessoas tem tendencia a pedir que você pratique algo a sua volta , então eu experimentei várias artes marciais, mas o aikido tem sido uma linha consistente em toda a minha vida.

Então você esteve em Iwama mais de um ano, e aí voltou para a América ?
-Eu voltei para a América aproximadamente oito anos atrás e aí retornei para Iwama muitas outras vezes, e eu frequentemente continuei voltando como uma uchideshi de curto prazo até 1988 quando decidi me tornar uma uchideshi a longo prazo de novo, pela última vez. Eu fiz quinze ou desesseis visitas a Iwama juntando tudo, mas essa foi minha 50 ou 60 vez. Eu ja tinha começado meu próprio dojo em 1984, e eu deliberadamente decidi deixá-lo, deixando com um amigo e voltei para o Japão, onde eu fiquei por 18 meses.

Se você somasse todo o tempo em que ficou em Iwama, quanto tempo seria ?
-Eu acho que se eu somasse seria uns seis anos. Em 1988 eu experimentei o suficiente todas as oportunidades que me apareceram. Esse é um tipo de história engraçada. Em uma ocasião Saito Sensei estava sendo entrevistado por uma famosa revista japonesa, Wushu. Ele fez muitas coisas comigo, mas principalmente usou um aluno uchideshi masculino.

Então todos se vestiram para o almoço, menos eu que estava servindo chá, como eu fazia normalmente, ainda vestindo meu keikogi. Saito Sensei disse para esse homem, que eu acho que era o editor , “Bem, eu acho que eu posso demonstrar com ela, mesmo que ela seja uma garota,” e ele começou demonstrando, e não parou.

Isso aconteceu bem no meio do verão e estava realmente quente, muito quente. Então ele fazendo e fazendo por uns 40 minutos. Eu pensei comigo mesma, “Eu nunca mais verei nenhuma dessas fotos, elas nunca estarão na revista, porque eu sou uma mulher.” Bem, aparentemente, aquelas eram as únicas fotos que eles escolheram ! Quando Saito Sensei recebeu a revista, ele quietamente colocou-a no altar e não mostrou a ninguém, e eu achei que ele estava desapontado. Mas aí ele começou a receber chamadas de todo o Japão dizendo-o que o artigo estava bom porque ele usou uma mulher estrangeira como seu uke. Isso mudou completamente o jeito de Saito Sensei pensar, era muito mais facil usar uma mulher como uke e esperar esse tipo de resposta de outros.

Então, você voltou para Iwama em 1988, e aí ?
Durante esse tempo muitas coisas aconteceram. Eu tinha feito algumas demonstrações com Saito Sensei em 1976, mas isso foi no período 1988/89, quando eu era 4th-dan, que Saito Sensei realmente me pegou como uma uke profissional e como uma otomo (acompanhante de viagens). Ele nunca tinha feito isso com uma mulher anteriormente, e tão pouco com estrangeiros.

As coisas realmente mudaram e eu senti que eu abri caminho para muitas mudanças para as mulheres. Eu fui mais uma vez uma uchideshi a longo prazo, e eu estava fazendo parte das demonstrações. Eu estava nas demonstrações da amizade também, e eu fiz um numero de viagens diferentes com Saito Sensei.

Esse artigo no Wushu mudou tudo porque ele teve uma resposta positiva de todos. Também, todo o sistema de arma evoluiu durante esse tempo. Saito Sensei levantou-o realmente a um outro nível. Ele começou a pensar sobre emitir a certificação tradicional num formulário como pergaminho escritos à mão da transmissão para técnicas de armas. E as tecnicas de ken-tai-jo foram codificadas enquanto eu estava lá. Saito Sensei adicionou também muitos das variações às técnicas das armas, então isso era realmente excitante, e eu habilitada a fazer parte daquilo.

Antes de alguns dos pergaminhos serem dados, Saito Sensei escreveu-me um menkyo kaiden (certificado de proficiência avançado) que basicamente dizia, “Eu ensinei-lhe o repertório inteiro do ken-jo”. Eu realmente não entendi o que ele estava fazendo e eu pensei que ele estava me entregando o primeiro pergaminho de armas, no qual eu seria honrada em receber. Contudo, ele me escreveu isso em Inglês e ele foi sobre o que estava escrito com uma caneta de caligrafia e escreveu algo além daquela versão japonesa. Enquanto ele estava fazendo isso, alguém disse, “Você tem idéia do que é isso ? ” Eu disse, “Bem, isso é um certificado.” Eles disseram, “Não, isso é um menkyo kaiden. Você está recebendo o único menkyo kaiden que nós conhecemos.” Eu não sei se isso é verdade, possivelmente existe alguém que deve ter recebido um, em todo caso, era uma honra grande. Ele me entregou isso privativamente porque, com certeza, o pessoal japonês não teria ficado muito feliz ao me ver recebendo isto . Eu estava bem com isso.

Nós fizemos um monte de demonstrações e eu viajei muito com Saito Sensei. Esse período me promoveu como uke de Saito Sensei. Nós tiramos fotos para o livro Takemusu Aiki , e viajamos o mundo todo fazendo demonstrações. Saito Sensei teve a coragem de me levar a um caminho que não tinha sido feito antes.

Ele estava te levando porque você é tão boa, não porque você é uma mulher ou por outro motivo.
Sim, eu acho isso, mas isso não tinha acontecido antes, então pela primeira vez outra mulher poderia me olhar e dizer, “Hey, nós podemos fazer isso !” Eu apostei por elas. Eu sei que Saito Sensei não me tratou nem um pouco diferentemente só porque eu sou uma mulher. Ele me avaliou para um posto neutro. Isso é o que admiro nele. Ele realmente acreditava que a mulher e o homem deveriam ir mais longe do que realmente poderiam.

Você provou isso! Quantas pessoas poderiam voltar para Iwama e ficar esse tempo! Morar no Japão é muito difícil também.
Sim, é muito difícil.

Então você fez isso, e o que você mudou na cabeça de Saito Sensei.
Muitas pessoas tinham ido para Iwama e moravam fora do dojo como sotodeshi por muitos anos, mas é muito incomun para um uchideshi extrangeiro ficar por um tempo longo. Eu acho que ele reconheceu isso.

Então você tem ensinado desde 1984?
Bem, eu estava ensinando aqui e lá por volta de 1978, mas somente em alguns encontros em dojos. Em 1984 eu abri me próprio dojo em San Leandro, então isso tem acontecido em 18 anos.

Talvez agora não seja tão raro ver uma mulher subindo em um dojo mas eu acho que naquele tempo era até mesmo raro nos Estados Unidos, não era?
Sim era muito raro. Isso não acontecia

Nesta Aiki Expo eu vi muitas professoras (mulheres) fazendo demonstrações. Continua raro ver mulheres ensinando no Japão, mas não nos Estados Unidos atualmente. Então, voltando em 1984, para você ter um dojo deve ter sido bem incomum mesmo, né ?
San Leandro, aonde eu estou ainda, era uma cidade muito conservadora. Eu passei por um período difícil no começo. Pessoas vinham e perguntavam quem era o instrutor, e quando eles descobriam que era uma mulher, eles davam meia volta e partiam. Mas se graduando isso muda e agora isso não é mais um problema. Algumas pessoas procuram especificamente uma instrutora nos dias de hoje.

Mas você já tinha passado por isso com Saito Sensei e ele mudou ?
Sim, então eu sei que isso era possível. Eu somente persisti e finalmente as pessoas me reconheceram. Desde 1989 me envolvi em um tipo de circuito nacional e internacional de seminários. Meu dojo está crecendo, e nós temos mais do que eu poderia ter. Mas isso é maravilhoso. Esse seminário tem sido tão fácil pra mim, porque eu posso somente ir e ensinar ou treinar e eu tenho alguém próximo de mim o tempo todo me oferecendo chá, ou o que for. Meu dojo está funcionando por causa dos meus alunos, todos eles fazem coisas diferentes e eu estou um tanto feliz como tudo está se encaminhando. Eu mantenho as oportunidades de ensinar realmente ao lado dos professores de calibre elevado. Eu fico muito honrada, e eu sinto que as oportunidades se mantem abertas pra mim. Artigos de revistas, entrevistas em radio e algumas aparições na televisão tem acontecido pra mim, então me sinto bem com isso também. As coisas estão definitivamente seguindo uma direção positiva.

Como uma professora, o que mais você enfatiza ?
Eu te digo que a minha filosofia é, depois desses anos todos ensinando: Quando alguém vem para o dojo eu olho para eles e me pergunto em que caminho esse ser humano necessita se envolver ? Eu sou somente um instrumento, Eu não vou fazer nada por eles, e eu não vou fazê-los ser qualquer coisa. Eu somente faço meu trabalho espiritual. Eu faço minha meditação, e “esvazio” de modo que a energia possa se mover através de mim nos meus ensinamentos. Todas as minhas aulas são espontâneas. Vem através da minha conexão com o universo apenas, assim quando eu faço correções ou o que quer que seja, eu faço com a inspiração do momento. Meu treinamento é para continuar sendo esse tipo de professor, sem ser demasiado a resultados. No entanto eu vejo os resultados. Eu encontro uma maneira diferente para cada indivíduo para o todo seu potencial somente canalizando o que ele precisa. Isso funciona ! Eu acho que eu posso produzir alunos de alto nível.
Você é uma grande professora.
Obrigada. Eu amo ensinar. Isso é uma responsabilidade. Eu comecei ensinando num bom sentido da palavra quando eu tinha mais ou menos 22 ou 23 anos, então eu comecei meu dojo antes dos 30. Eu relativamente sempre fui uma professora nova comparada aos outros. Por quaisquer razão, eu tinha sido escolhida para ser uma pioneira. Você sabe, estou fazendo um montes de coisas primeiro por ser uma mulher e estou sendo capaz de quebrar as barreiras mesmo que outros não façam isso. Isso parece que me veio naturalmente. Não sou uma radicalista feminina. Eu somente amo o Aikido e adoro as mulheres progredindo, assim como adoro ver os homens progredindo também. Eu não tenho nenhuma agendinha especial.

Você é uma pioneira pelo o que fez, sem tentar ser única. Isso é como o Aiki Expo. Se você foca em ter pessoas juntas para fazer dinheiro, talvez muitas pessoas não estariam juntas desta forma. Stanley tinha uma visão e a visão é importante.
Sim, muito mesmo. E as pessoas respondem a isso. A maioria das pessoas responde a paixão. Se você tem paixão, as pessoas podem sentir isso.

Concluindo, você pode nos dar mais alguma impressão do Aiki Expo?
O Expo é muito mais profundo do que eu esperava. Existe um real de amizade acontecendo aqui. Existe de verdade um grande relacionamento acontecendo aqui. Isso está trazendo estilos diferentes e professores diferentes também. Nós estamos trocando informações um com os outros e procurando similar como as nossas filosofias são. Stanley fez um excelente trabalho em ter pessoas que prosperem com as outras facilmente. Eu sinto que muitas barreiras estão sendo quebradas aqui: a barreira japonesa/americana, a barreira masculina/feminina – mantendo me alinhada com todo esse alto-grau masculino e tal inspiração para as mulheres. – e também as barreiras entre as culturas.

Todos estão treinando juntos e realizando estilos diferentes, aikido ou aikijujutsu ou o que seja, estão somente “ajustando” para ajudar-lhes a ter um núcleo. Nós estamos somente usando essas formas como veículos, então nós não deveríamos levá-los tão seriamente.

Eu quero dizer mais uma coisa, tanto para homem como para mulher. Quando eu tive meu filho há três anos atrás eu pensei, “Oh, aikido vai parar e minha vida vai parar, e eu somente tomarei conta desta criança.” Mas o oposto aconteceu. Ele viajou o mundo todo comigo e isso chegou a um ponto onde sua energia é tão importante para os seminários. Ele tem uma influência sutil nas coisas. Até aqui sua presença tem sido algo especial. Eu o levei para Iwama e ele foi incrível.Ele estava como um uchideshi! Então, para mim, estar sendo uma mãe é uma parte do caminho das artes marciais que nós estamos ligados o tempo inteiro. Se você não estiver ligada seu filho pode até morrer. As vezes você vê e escuta coisas que não deveriam ser ditas que seu filho poderia ficar exposto a isso. Como uma familia você deve abrir seus braços e dar boas vindas as coisas novas.

Eu realmente encorajo mulheres e homens a ter uma família também. Isso intrega sua vida. Isso completa a sua vida. Você ainde pode fazer tudo aquilo que você quer fazer. Ter uma família faz tudo ficar equilibrado e todas as “peças” se juntam.

Obrigado por tudo.

Tradução Guilherme S. Borges

Exercitando o corpo enquanto ainda somos jovens

Por Gozo Shioda Sensei 9 dan.

Como um princípio fundamental do Aikido, treinamos sem usar forças desnecessárias. Diferente de outras artes marciais, onde existem muitos exercícios para treinamento muscular, o treino de Aikido não inclui este tipo de atividade. A questão é: porque não usamos treinamento muscular e, se usarmos, até que ponto devemos fazê-lo? Caso Ueshiba Sensei visse pessoas levantando e puxando pesos, ele comentaria: “Que exercícios tediosos” e nos aconselharia a não fazê-los.
Mas, de fato, quando eu estava sozinho costumava praticar vários tipos de exercícios para treinar meu físico. Era jovem e cheio de energia, e como estava muito ávido para ficar forte, não me sentia satisfeito, a não ser que fizesse todos os tipos de exercícios até me cansar e tratar meu corpo com dureza.
Pensando melhor sobre isso, desafiando meus limites físicos, estava simultaneamente construindo minha força mental. Faria muitas flexões: facilmente 250 por dia. Barra horizontal também, quando estivesse com disposição. Poderia fazer mais de 300 por vez. Barra com uma mão era fácil também. Quando estava no segundo ano do colegial, representava a região de Kanto na ginástica. Como um jovem, estava bastante confiante na minha força física e habilidade.
Foi graças a esse tipo de treinamento que pude ganhar de Masahiko Kimura no braço-de-ferro. Naquele tempo éramos dois estudantes da Universidade Takushoku, da mesma classe de inglês. O braço-de-ferro era muito popular. Era só um de nós querermos uma disputa que uma das mesas da classe imediatamente se transformava em cena de confronto.
O sr. Kimura já era o melhor judoca do Japão e muito mais forte que a média. Um tipo de “Hércules”. Ele podia entortar uma moeda entre os dedos, quebrar uma porta japonesa entre seus braços ou mesmo entortar uma barra de chumbo. A primeira vez que lutamos me lembro da minha mão direita sendo imobilizada nas mãos de Kimura. Lembro-me também de ter esperado algum tipo de reação por parte dele. Mas tão logo o sinal do início foi dado, juntei toda minha força contra ele antes que ele pudesse usar qualquer força. Surpreso, e quase sem resistência, sua grande força não utilizada, sr. Kimura virou-se e caiu. Ele riu vigorosamente, dizendo: “Eu perdi antes que pudesse ter feito qualquer coisa.”
Foi assim que ganhei no nosso primeiro confronto, mas como meu oponente era um homem particularmente forte, as outras vezes não foram tão boas assim. A vez seguinte, perdi. Nós tentamos de novo, muitas vezes perdendo e ganhando em turnos.

NO FINAL DO PROCESSO DE
TREINAMENTO “ESPARTANO”, A FORÇA SE FOI

Houve um tempo que eu era orgulhoso da minha força física. Naquele tempo, usava só o poder e a força das mãos quando executava as técnicas. Aliás, no Dojo Ueshiba, havia sempre entre 20 jovens estudantes da religião Omoto Kyo, que estavam sempre se confrontando e testando uns aos outros, com o uso de muita força. Durante o processo de treino, isto é aceitável. Mesmo que eu peça para os jovens não usarem força, naturalmente eles usam. Esta é a realidade quando somos jovens. Para testar e limitar o uso da força, perdemos a proposta de nosso treino.
O importante é fazer nosso melhor a cada estágio de nosso progresso. Devemos levar nosso corpo e mente até o limite e, se não treinarmos até nos satisfazermos, então não podemos sentir e assimilar mentalmente com nosso corpo o que é realmente vital.
Os KIDOTAI, polícia de choque, que treinam em nosso Dojo, são um bom exemplo. Não falo para eles para não usarem força. Nós os levamos até seus limites e quando eles estão tão cansados que suas pernas e quadris mal podem suportá-los, não usam mais força. Anteriormente, quando o Dojo era em Musashi Koganei, todo mês de abril os funcionários da estação ferroviária podiam olhar para o corrimão da escada e dizer “parece que a polícia começou seu treino na Yoshinkan novamente este ano.”
Os treinees estavam tão exaustos com seu treino que seguravam nos corrimões para se arrastarem para cima e para baixo na escada mantendo-os, assim, limpos e polidos.
Se não treinarmos duro não poderemos realizar o Aikido como arte marcial. Entretanto, nem todo mundo é capaz de fazer ou seguir este tipo de treino. Por isso, hoje em dia no nosso Dojo temos um modelo de ensino.
Quando somos jovens, podemos forçar nosso corpo fisicamente. Fazendo isso, entendemos melhor sobre nós mesmos e começamos a desenvolver nossa força mental. Assim que começamos a envelhecer, nossa força física gradualmente desaparece. Quando isso acontece, somos capazes, pela primeira vez, de sentir e realizar efetivamente o poder e o foco do Kokyuryoku, o qual não depende de força física.
Entretanto, esse nível só é alcançado através do treino duro e absoluto feito enquanto somos jovens. Se nós nos restringirmos desde o começo e fizermos treinos leves durante os anos seguintes, então de nada terá adiantado. Ueshiba Sensei nos disse para não usar força, mas na verdade ele treinou muito forte quando jovem. Chegando ao fim de sua vida, alcançou o estágio que podia demonstrar “técnicas divinas” por causa de sua experiência. Não podemos esquecer esse ponto.

DEVEMOS CONSTRUIR FÍSICOS QUE SE MOVAM NATURALMENTE

O que significa para pessoas que seguem um treinamento espartano “construir o físico de alguém?” Vamos olhar o físico que Ueshiba Sensei tinha. Mesmo o físico do Sensei sendo bem largo, ele não possuía grandes músculos. Em fotos, nós o vemos com o corpo enrugado.
A realidade era um pouco diferente. Seu corpo não era duro, mas era, no todo, macio e liso. Tinha sempre que lavar as costas do Sensei no banho ou que massagear seu corpo e com isso tive muitas oportunidades de tocá-lo. Mesmo hoje, me lembro o quanto ele era flexível e suave. Quando o segurava com pressão dos dedos por um momento e depois soltava, sua pele voltava ao estado normal suavemente – era esse o tipo de físico dele. Quando segurávamos suas mãos, havia um sentimento estranho. Primeiro nós não sentíamos força ou poder, mas sem se dar conta do que tinha acontecido, nós nos sentíamos presos. Em outras palavras: ele era leve, mas era uma leveza com um terrível tipo de poder e de força que poderia ser despertado, se necessário.
Porque Ueshiba Sensei é o fundador do Aikido e tinha este tipo de físico, nós poderíamos ser levados a pensar que todos que treinam Aikido deveriam ter o mesmo tipo de constituição. Este, entretanto, não é o caso. Ueshiba Sensei costumava dizer que nós deveríamos estar prontos e preparados para construir nosso corpo, mas de modo que estivesse de acordo com a nossa estrutura e constituição. “Por isso Shioda, se você tentar desenvolver um corpo igual ao meu, você não será capaz de se mover naturalmente”, ele me disse uma vez. Em outras palavras, Ueshiba Sensei estava querendo dizer que o Aikido é uma das maiores formas de Budo porque é natural. Por esse motivo, não devemos tentar construir um corpo contra a natureza, mas sim um corpo que combine conosco.
No entanto, muitas pessoas confundem a natureza. Por exemplo, é estranho quando o corpo envelhece e se transforma, fica rígido, para forçar a fazer os mesmos tipos de exercícios que os jovens fazem. Isto somente tende a prejudicar os músculos. É igualmente estranho se nós tentamos e construímos músculos desnecessários num corpo pequeno através de levantamento de pesos até o corpo ficar forte. Este tipo de tentativa vai contra a natureza. Se nós persistirmos em ir contra a natureza, podemos ficar fortes em musculatura, mas não seremos capazes de alcançar o segredo do Aikido.
Até o ponto que o Aikido interessa, o desenho ideal para o físico é aquele que não é deficiente para o tipo de atividade que fazemos. A revelação de Ueshiba Sensei que a “postura natural quando andamos é Budo”, se aplica a esse assunto. O Aikido pode ser praticado por qualquer um. Pessoas com físico rígido praticam como pessoas rígidas. Aqueles com físicos gordos, como pessoas gordas. Qualquer situação onde nós podemos nos movimentar naturalmente está bom.
Contrariamente, podemos dizer que devemos mudar nosso corpo para este se tornar natural. Shugyo (treino “espartano”) afeta essa mudança, mas necessita de esforços contínuos para aperfeiçoar isso. Se desenvolvemos nosso corpo do melhor modo possível, de acordo com a nossa idade e nosso físico, então mesmo sendo velhos podemos ainda praticar Aikido.
(Traduzido da Revista Aikido Yoshinkan International)

Traduzido por Emy Yoshida

A arte do auto-conhecimento

Carlos Portas, mestre de Aikido
Texto de Teresa Trindade Pereira

Porque escolheu esta modalidade de artes marciais?

Antes do Aikido, em 1974, 1975, eu comecei a fazer karaté, aqui em Aveiro. Uma vez, em Lisboa, vi o Aikido e fascinou-me. A partir daí estive sempre na mira de encontrar alguém que me pudesse ensinar o Aikido. Em 1984 quando eu vivia na Suécia encontrei o mestre japonês Takeji Tomita e passado algum tempo deixei o karaté e comecei a praticar só Aikido com ele todos os dias durante 9 anos. Em 1993 vim para Aveiro e comecei a ensinar Aikido. Primeiramente no Ginásio Avenida, depois na ACAV e, por fim, aqui neste espaço chamado “Mussubi – oficinas de artes e coisas do Oriente”. Onde na vertente das artes marciais tem o Aikido.

O que quer dizer a palavra Aikido?

Aikido é um conceito. “Ai” traduzido à letra do japonês significa união, harmonia, amor, qualquer coisa que se integra uma na outra. “Ki” é a energia vital, a energia do Universo, a energia de cada um, é tudo aquilo que mexe. “Do” é a via através da qual se encontra, se entende e se percebe essa união, essa aceitação, essa função.

São esses conceitos juntos…

… que dão a parte filosófica e a parte de conceito da própria prática. O que é utilizado são técnicas de auto-defesa que têm origem histórica no período dos Samurais. A prática do Aikido é feita tanto de formas e técnicas de imobilizações, percepções de corpo a corpo, mas também com o sabre de madeira e o pau. As técnicas são resultantes da movimentação das técnicas do sabre desenvolvidas no período em que o Japão foi proibido de usar armas. Nessa altura eles começaram a progredir mais na parte de corpo a corpo e isso deu origem a muitas modalidades como, por exemplo, o karaté e o judo.

O que diferencia esta modalidade dessas restantes?

Eu não sei se alguma coisa a diferencia. Eu acho que é mais o conceito. No Aikido não há competição. A pessoa que pratica o Aikido fá-lo com o intuito de se auto-conhecer e de propor a si próprio uma forma de se reunir consigo próprio e com o mundo que o rodeia. Sempre que se pratica Aikido nunca é, nunca poderá ser, e se assim for está errado, uma coisa contra alguma coisa. A essência científica é, na realidade, encontrar a não resistência.

Não temos então vencedores nem vencidos…

Não, não temos vencedores nem vencidos, o que temos é o aperfeiçoamento do carácter das pessoas que o praticam.

O Aikido, como artes marciais, não é para ser usado fora destas portas , pelo menos ao nível físico?

Não é… é tanto ou não como as outras. Para já uma pessoa que conheça artes marciais e que tenha bons princípios e bom carácter nunca utiliza isso em termos práticos. Pode usar, obviamente, em termos secundários a experiência adquirida, fazer com que possa tirar dela ilações ou resultantes que o permita colocar-se numa posição melhor.

Já lhe aconteceu a si ter de usar o Aikido para se defender?

É sempre muito difícil dizer que não, mas isso é como tudo. Um jornalista, por exemplo, pode usar os seus conhecimentos no dia-a-dia sem entrevistar ninguém. É claro que, como eu costumo dizer, cria-se um género de capa à volta de cada um, daquilo que faz, um género de aureola que se for esse o espírito repela. A prática em si não incentiva as pessoas a quererem experimentar se funciona ou não, porque não é esse o objectivo, mas que funciona, obviamente funciona.

Em que consiste o conceito Takemuso Aiki?

O conceito Takemuso Aiki significa criação marcial. O “take” é o guerreiro o Budo. O “muso” é junção, é a ligação, é a criação. Portanto é o expoente máximo, é a arte marcial invencível. Não é a pessoa seja invencível, o conceito é que é invencível. A forma como se aprende e como se pratica, pelo menos aqui na escola, pretende que a pessoa, posteriormente, consiga dar os seus passos sozinha.

Tem muitas pessoas a aprender?

Já tive mais… Agora parece que estamos num período difícil para as pessoas, e depois também a maneira de estar aqui não é talvez aquilo que as pessoas possam pensar. Às vezes sonho com isto cheio.

Disse que era um período difícil para as pessoas?

Sim é um período difícil economicamente e também esteve um Inverno um bocado escuro e as pessoas um bocado deprimidas. Mas as pessoas gostam de fast-food. Isto aqui não dá para fazer dois treinos, irse embora e já saber tudo. Isto é um processo e isso é que é mais complicado. Temos que ter a consciência de que a laranja demora o seu tempo a nascer e demora o seu tempo a amadurecer, não tem o mesmo espaço de vida igual àquele que as pessoas costumam pensar: “quero uma laranja, quero uma maça vou ao supermercado, compro e pronto está o assunto resolvido”. A pessoa aqui quer aprender e tem que ter esse espaço de tempo, de prática, de experiência. Nem que compre os livros todos e que veja os vídeos todos não adianta absolutamente nada.

É o tempo o grande professor.

É o tempo o grande professor, o grande mestre. O tempo e a própria pessoa porque é um desafio à paciência, é um desafio à perseverança, um desafio a muita coisa, inclusive em relação à sua própria vida. Às vezes acontecem situações imprevistas e complica sempre todo o ritmo. As pessoas às vezes não estão preparadas nem disciplinadas para fazer a diferença do que é bom para si, do que é bom para os outros e do que é bom para ambos para poderem constituir uma sociedade melhor.

Tem alunos masculinos e femininos?

Homens e mulheres, pequenos e grandes. Tenho duas classes de 20 a 25 crianças dos 6 aos 13 anos, aos quais tento incutir esse conceito logo à partida. Há resultado se não houver quebra e se houver ajuda também dos pais e se eles continuarem e não desistirem quando querem e lhes apetece. É um processo que os ajuda muito, inclusivamente, na organização académica.

Acha que é uma modalidade que é conhecida por todos os cidadãos?

Mundialmente é muito conhecida. Em França é praticada por mais de 50 mil pessoas. Em Portugal já está a ser também conhecida sobretudo nas zonas da grande Lisboa e arredores, no Porto e em Coimbra. Em Aveiro não há tanta aderência, a procura é feita mais por pessoas de fora. O balanço que eu faço aqui na escola é que 80 por cento dos alunos são de fora.

Ficha Técnica Nome: Carlos Portas

Mussubi – Oficinas de Artes e Coisas do Oriente Eucalipto Sul – Aveiro – Portugal

Aikidô como um mero passatempo?

por Stanley Pranin
Traduzido por André Fettermann de Andrade

Tenho me referido em artigos recentes a nossas estimativas do grau de crescimento do aikidô tanto no Japão quanto no exterior. Apesar de que nossas projeções relativas ao número de praticantes são inferiores a diversas estimativas oficiais, eu acredito que elas tampouco representem sólidas evidências da penetração do aikidô nas maiores culturas mundiais. Com isso em mente, tenho alguns pensamentos sobre a forma com que o aikidô é praticado em muitas escolas hoje e suas implicações no desenvolvimento a lonog prazo da arte.

O aikidô é frequentemente referenciado como um esporte em conversas com não praticantes. Quando isso acontece por vezes nós nos opomos ao termo “esporte” e esclarecemos que o aikidô é na verdade uma “arte marcial”. Mas se olharmos cuidadosamente iremos perceber que as pessoas normalmente usam o termo “esporte” num significado mais livre da palavra, e na verdade o que querem realmente dizer é alguma coisa relacionada a passatempo ou atividade de lazer ao invés de uma atividade de competição. Se paramos e refletirmos por um instante, muitos do que estão engajados na prática do aikidô hoje realmente a tratam como um passatempo, hobby ou uma forma de exercício.

Como essa atitude é expressada no treino? Uma área que imediatamente vem à mente é essa, da forma como o aikidô é praticado em muitos dojos, o movimento do uke nada mais é que uma caricatura de um ataque. Isso se deve à ênfase na execução da técnica em oposição ao ensino no básico de como executar ataque sincero e controlado. Ataques fracos e sem comprometimento são também a maior causa das críticas sobre o aikidô por praticantes das artes marciais. Além de ser difícil ou mesmo impossível efetuar uma técnica adequadamente contra um ataque sem sinceridade, uma atitude de tamanho relaxamento contribui para o desenvolvimento de hábitos de treinamento frívolos e lânguidos da parte tanto do uke quanto do nage. Esses são, em troca, contra-produtivos ao desenvolvimento da força muscular e das juntas e do condicionamento geral necessário para a prática segura das poderosas técnicas do aikidô. Eu acredito que a principal responsabilidade por essa forma casual da prática do aikidô é dos instrutores que não foram capazes de captar a essência dos métodos e intenções do fundador ao criar a arte.

É necessário que as técnicas do aikidô sejam eficazes?

Ás vezes também é discutido que as técnicas de aikidô seriam de uso limitado em uma situação real de luta, e mesmo que fossem, o quão eficazes seriam contra uma arma letal como uma pistola. A premissa implícita é que não seja tão importante assim que as técnicas que praticamos tenham uma aplicação marcial. Consequentemente, por extensão, dizem os defensores desse ponto de vista, não há nada de errado em praticar de uma forma relaxada e agradável.

A maior falha na minha opinião sobre essa forma de pensar é que isso negligencia as consquências danosas de tais práticas em sucessivas gerações de aikidocas. Se usarmos o aikidõ ensinado por Morihei Ueshiba em seguida ao fim da guerra como uma régua pela qual possamos medir a arte atual, nós já podemos concluir que muito menos técnicas são ensinadas hoje e que há pequena enfâse em áreas fundamentais como atemi, uso de armas, e a prática de grupos inteiros técnicas como koshiwaza e hanmi handachi os quais eram parte do curriculum original da arte. Isso sem citar a da quase total ignorância da fonte e conteúdo da mensagem espiritiual do fundador. Se isso continuar por muito tempo, temo que no futuro o que seja passado com o nome de “aikidô” em muitos dojos se torne irreconhecível como tal.

O aikidô tem uma rica herança como uma das mais importantes e dinâmicas expressões da longa tradição japonesa de artes marciais. Morihei Ueshiba, o originador do aikidô, injetou nas complexas e sofisticadas técnicas que aprendeu na sua juventude uma visão humanística das artes marciais como instrumentos de resolução pacífica dos conflitos. É essa mistura única de forma, ética e utilidade a responsável pelo impacto do aikidô nas gerações modernas. De uma certa forma, essa visão do fundador talvez tenha sido revolucionário demais. Parece ter sido demasiado esperar que o mundo fizesse o pulo conceitual considerável requerido para transformar as ferramentas da guerra em instrumentos da paz. Visto sob essa luz, o estado atual do aikidô como uma forma leve de exercício a ser buscado em um ambiente amistoso e relaxado nada mais é que um sinal dos tempos em que vivemos onde o que é mais fácil e divertido atrai mais a atenção do que as atividades que rendem recompensas somente em conseqüência de um esforço aplicado em prolongados períodos.

originalmente publicado em: Aiki News #86(1990)
fonte: aikido journal

Hakama

Hakama é na verdade um tipo de calça pregueada, usada por cima de um Kimono ou um tipo de vestimenta. Hakama é usado hoje em ocasiões formais, e também usado na prática de artes marciais tradicionais como: Aikido, Kendo, Kenjutsu e nas artes do Arco e Flecha.
No manual das artes marciais, diz-se que as 7 pregas de um Hakama representam as setes virtudes do Bushido que são:
• Gi – a decisão certa;
• Yu – bravura;
• Jin – amor universal, benevolência com a humanidade, compaixão;
• Rei – ação correta, cortesia;
• Makoto – sinceridade, veracidade;
• Meyo – honra;
• Chugi – devoção, lealdade.
Um pouco de sua História
Houve muitos tipos de Hakama durante todo período de tempo entre o primeiro documentado no século X, até seu uso nos dias de hoje. Aqui pode-se ver um tipo de Hakama de pernas muito longas, pela qual era bem comum entre as classes mais altas da sociedade japonesa.Parece que a pré forma do primeiro Hakama desenvolvido no Japão, por volta do ano 900, era usado tanto por homens como por mulheres. Desde a corte, a vestimenta se espalhou para outras classes, que somente modificou sua aparência. Quanto a classe de guerreiros samurais formou-se no fim do século XII, o Hakama parecia ter sido espalhado na sociedade, os próprios samurais usavam esse tipo de calças largas quando estavam fora das campanhas de batalhas, poderia dizer que durante a vida civil, mas o tipo de denominação não está inteiramente correto, visto que os samurais estavam sempre de plantão por toda sua vida. O tecido aplicado na confecção do Hakama, também variou, dependendo da classe econômica da sociedade. As classes de mais poder aquisitivo podiam usar seus Hakamas de seda da melhor qualidade, enquanto as classes de baixa renda não podiam usar tal vestimenta, o tipo de roupas para eles era no entanto do tipo mais simples. As cores dos Hakamas variaram bastante durante sua longa história, dos escuros, das cores neutras até as brilhantes. Em diversos filmes de Akira Kurosawa podemos ver a história e o esplendor dos Hakamas. Isso até em filmes preto e branco, como Yojimbo, e os Sete Samurais, mas também nos filmes coloridos, por exemplo Kagemusha, que é bem evidente.
Muito frequentemente, o Hakama demonstrou intrigados tecidos de padrões florais ou simbólicos, o comprimento de suas pernas também variaram durante todo período, dos mais curtos, bem acima do tornozelo, aos mais compridos que se andavam completamente escondidos dentro do Hakama. Então levando-se em consideração todas as partes acima, entende-se que a total variação do Hakama tem sido enorme. Parece que o Hakama original era um tipo de vestimenta unissex, que era usada por ambos os sexos, tenho a impressão que de forma gradual o Hakama ficou sendo predominantemente usado pelos homens. Mulheres que serviam ao grande Santuário de Ise, sempre usaram Hakama vermelho e Kimono branco, uma tradição usada até hoje. Desde o século XIX, o Hakama tem sido novamente usado entre as mulheres, pelo menos durante certas ocasiões, por exemplo quando se formam em Universidades, podem escolher entre usar Hakama ou um yukata durante suas cerimônias de graduação, pelo menos em algumas Universidades. O casaco que ele usa é chamado Haori. Os samurais eram provavelmente os guerreiros mais habilidosos que o mundo já viu. Eles eram treinados em artes marciais desde os 5 anos de idade, e desde então acostumavam a prática repetitiva por diferentes senseis. Uma marca registrada desses guerreiros habilidosos eram seus Hakamas.
Na maioria das academias de Aikido, o Hakama é sinal que se alcançou o nível de Shodan (faixa preta). Em muitos países europeus, o Hakama é dado aqueles que alcançam o 3º kyu, que é a metade do caminho para faixa preta. No Yoshinkam Aikido, a interessante direção de Shihan Gozo Shioda, não se é permitido o uso do Hakama até o 4º Dan.No Aikido, o Hakama é para um certo nível. É um tipo de vestimenta do qual deve-se orgulhar. Se alguém que pratica Aikido se sente embaraçado ao usa-lo pela primeira vez, geralmente mudam de opinião logo nos primeiros movimentos, tornam-se mais conscientes de suas posturas. É como se o Hakama guiasse o corpo a ficar numa postura mais ereto e elegante.
Nas costas do Hakama, o nome do dono é geralmente colocado do lado direito, bordado em japonês com kanji chinês, ou sinais de katakana japonês. A cor da linha é laranja intenso ou amarelo.

Koshinage

No universo de técnicas do Aikido, o koshinage faz parte do grupo que mais desenvolve a questão do posicionamento corporal entre Uke (atacante) e Nage (defensor).

O objetivo maior do Nage nesta técnica é tirar o equilíbrio do Uke com a movimentação do quadril, forçando a projeção do parceiro. O koshinage não está preso a um ataque ou a uma forma específica de aproximação Uke-Nage, portanto, pode ser executado de várias maneiras de acordo com a capacidade física e maturidade técnica dos praticantes. De um simples daí iti kyo a um complexo jujinage, todos podem terminar com a projeção típica do koshinage.

Uma das grandes dificuldades na execução do koshinage está na figura do uke, que receberá a técnica. Muitas vezes o medo do uke age contra si próprio, fazendo com que ele recue, interrompendo a técnica, ou sofra uma queda ‘seca’, podendo se machucar dependendo da intensidade do movimento.
Portanto, uke deve estar confortável com a queda do koshinage antes de praticá-lo.

Dicas para o uke:

· Tente se posicionar sobre o quadril do nage – por mais que ele esteja fora de alinhamento com o seu corpo. Apoiar-se fora dessa região irá dificultar a estabilidade do nage, e com ela a sua também.
· Tente segurar em alguma parte do corpo do nage ou dogi (kimono) com uma das mãos e use a outra para amortecer a queda.
· Não feche os olhos. Lembre-se que os jogadores de futebol cabeceiam a bola com os olhos abertos para ver onde o goleiro está. O mesmo se aplica aqui no aikido. Você deve ver o chão e, se possível, o nage durante o movimento.
· Relaxe o corpo.

Em termos de treinamento, uke e nage podem treinar inicialmente sem a projeção, para que o uke ganhe confiança e perca gradativamente o medo. Depois, as quedas podem ser treinadas de forma direta, ou seja, sem aplicação de uma técnica específica. Uke se apóia no quadril do nage, que projeta o uke forçando a queda. Com o passar do tempo as técnicas poderão ser incorporadas ao movimento.

Dicas para o nage:
· Seu ‘centro’ deve estar mais baixo que o do uke. Caso você perceba que o uke está saltitando para alcançar o seu quadril, abaixe mais.
· Não deixe o uke parado sobre o seu quadril. Isso é bom para o treino do uke, não para você. O seu treino é projetar o uke o mais rapidamente possível.
· Gire o quadril. É uma característica de treino avançado para esta técnica, mas deve ser praticada sempre que possível. Muitos nages usam as mãos ora para puxar, ora para empurrar as pernas e braços do uke. A boa execução do movimento utiliza apenas o movimento do quadril e nada mais.

fonte: site aikido nova era

Conheça bem o seu inimigo!

Aspectos Técnicos da Arte

Existe muita controvérsia no meio do Aikido sobre como enfrentar a velocidade de ataque de um karateka. Como você prepara os seus estudantes para enfrentarem estes ataques? Entrevistando Karl Geis – por David Russell- (Esta entrevista foi conduzida por e-mail, durante um período de 2 semanas. O texto foi escrito por Karl Geis. As perguntas elaboradas por David Russell. O artigo foi revisado por Nicholas Lowry e apareceu, originalmente, no Aikido Journal on Line). RUSSELL: Existe muita controvérsia no meio do Aikido sobre como enfrentar a velocidade de ataque de um karateka. Como você prepara os seus estudantes para enfrentarem estes ataques? KARL GEIS: Eu creio que um bom começo está em definir o que é um artista marcial. Existem basicamente 3 formas de nos defendermos de um ataque e todas três são eficientes se forem individualmente usadas como originalmente concebidas. Temos a possibilidade de força contra força, como no Karate, no boxe, no Taekwondo e em outras artes traumáticas. Uma Segunda forma está nas artes corpo-a-corpo, como o Judo, a Luta Livre, etc…Por último, temos as artes de esquiva, como o Aikido e algumas formas de Jujutsu, etc…Percebemos que as três artes são mutuamente excludentes. Por exemplo, é dificil se agarrar e bater ao mesmo tempo. É difícil se esquivar e se agarrar ao mesmo tempo, assim como é difícil bater e se esquivar ao mesmo tempo. Com base nos princípios acima, a minha definição de um artista marcial é a de uma pessoa que estuda exclusivamente uma destas três idéias. Ao estudarmos uma arte desta forma, o nosso subsconsciente aprende rapidamente como reagir a praticamente todas as formas possíveis de ataque. Se misturarmos estas artes, contudo, coisas estranhas acontecem. Por exemplo, se o nosso subsconsciente aprendeu a bloquear com a mão esquerda e bater com a direita ao defender um soco de direita, a nossa resposta será instantânea. Contudo, se tivermos estudado como evitar o soco, o nosso subconsciente se confunde e retorna a decisão para a mente consciente. A diferença está em que o subconsciente toma uma decisão em 1/25 de segundo, enquanto que a mente consciente toma a mesma decisão em ¾ de segundo, ou seja, aproximadamente 18 vezes mais rápida. Todo e qualquer artista marcial que verdadeiramente internalizou a sua arte não cometerá o erro de ser seduzido pelo jogo do adversário. Isto é, se lidarmos com um soco de acordo com um artista marcial, estamos perdidos. Se, contudo, lidarmos com o mesmo soco, sendo inconveniente com o nosso atacante…Na minha opinião, a melhor forma de conseguir isto é não nos colocando onde os artistas marciais costumam se colocar. O atacante, desta forma, se verá forçado a enfrentar uma situação desconhecida para ele e terá que ajustar apropriadamente a sua estratégia. De qualquer jeito, a pessoa que está usando o movimento como uma parte da sua defesa não se fere e, em geral, tem bastante tempo para mudar o seu posicionamento. É um fato notório que qualquer um que ataque um karateka, um boxeador, um lutador de Taekwondo ou de qualquer outra arte traumática está assumindo um risco e pode se dar mal. Contudo, quando examinamos as fraquezas, assim como as forças, de qualquer arte traumática, descobrimos muitos furos na armadura. Se usarmos a nossa arte sobre estes “buracos” de fraqueza, descobriremos que podemos controlar a situação com uma grande facilidade. Quais são as fraquezas das artes traumáticas e como podemos utilizar estas fraquezas contra elas? As lutas traumáticas treinam sob certas regras. Uma vez que o modo sob o qual treinamos ensina ao nosso subsconsciente como reagir em uma “luta real”, tais regras programam os seus lutadores de uma maneira que nos permite explorar as suas fraquezas. Em primeiro lugar, evite lutar próximo – faça com que ele venha à sua procura! As regras das artes traumáticas exigem que os oponentes se enfrentem. Esta é uma regra necessária ou não haverá luta porque um adversário evasivo é difícil, se não impossível, de atingir sem um enorme esforço da parte do atacante. É por isto que um árbitro é necessário ou não haverá luta. Devemos ficar atentos a este esforço extraordinário e contra-atacar quando o oponente estiver concentrado em um ataque. Em segundo lugar, cubra as suas mãos! As regras de uma luta traumática não permitem que se segure as maõs do adversário ou qualquer parte do seu corpo, porque, quando assim fazemos, o boxe acaba e a luta livre começa. De um modo geral, lutadores traumáticos, como uma modalidade, não lutam agarrados. Também se exige um árbitro para que os lutadores não fiquem em “clinch”. Qualquer lutador traumático de valor lhe dirá que é virtualmente impossível evitar que um oponente hábil consiga um “clinch”. Em terceiro lugar, mantenha-se em movimento em direção a zonas seguras. Aprendemos, na década de 60, que os artistas traumáticos não se saiam bem contra os boxeadores e as regras do Karate Profissional e do Kickboxing foram mudadas, exigindo que um lutador chutasse um determinado número de vezes por round. Esta foi uma regra necessária para manter o valor do esporte e da sua imagem. Em quarto lugar, faça com que ele se mova! Se você observar um artista traumático executando um kata, você ficará impressionado com a sua velocidade. No entanto, ao assistirmos uma luta, fica dificil saber qual o estilo ou modalidade do lutador porque, adivinhe!, você não vê a posição do cavalo, etc…Todos acabam se tornando um kickboxing normal. Porque ? Porque todas as artes traumáticas eficientes no ringue devem operar sob os mesmos princípios e regras e se manterem usando as mesmas técnicas, não importa como se chamem. Socos e pontapés extremamente rápidos são possíveis a partir de uma base estacionária, mas esta velocidade cai drasticamente quando o atacante precisa se mover, ao mesmo tempo em que tenta chutar ou socar um alvo móvel. Tudo se torna muito difícil e muito, muito, arriscado. Em quinto lugar, nunca se agarre com um especialista nesta área. Há um grande número de grandes lutadores traumáticos que não tem o menor interesse em se envolver com um especialista em luta agarrada no solo. Este é um ponto que, realmente, foi estabelecido pelos irmãos Gracie. Em sexto lugar, empurre o rosto do oponente com a sua palma da mão! Em geral, os lutadores traumáticos não estão acostumados com ataques com a palma da mão. É bem entendido que não costumamos empurrar coisas com os nós dos nossos dedos. E os boxeadores provavelmente deixariam de usar tanto os socos, se pudessem bater com a palma das suas mãos. O ser humano gera muito mais força, batendo com a palma da mão, sempre que possível, que usando os punhos ou os nós dos dedos. Em sétimo lugar, aprenda instintivamente a distância necessária para evitar um soco ! Um soco ou um pontapé são instrumentos muito delicados, os quais tem, normalmente, pouca penetração e exigem distâncias curtas. Isto, é claro, é a base para eficiência das artes traumáticas. O uso dos punhos limita, necessariamente, a distância de penetração efetiva de um soco. Em oitavo lugar, aprenda a atacar sempre em movimento! O uso de pontapés contra um oponente que não inicia o primeiro ataque é muito difícil. Quem quer usar um pontapé, não pode se movimentar muito ao mesmo tempo e, portanto, precisa parar a cada instante em que chuta e um alvo continuamente em movimento frustará a maior parte das suas tentativas de chutar. Por outro lado, se você está se movendo, enquanto ele soca ou chuta, você terá muitas oportunidades para atacar. Em nono lugar, mesmo o aikidoka com pouca prática, além de treinar constantemente movimentos de esquiva, tem também a opção de chutar (embora muita gente ignore isto). No judo, nós temos o ATEMIWAZA (técnicas traumáticas), embora estas técnicas não sejam executadas em um contexto de Força contra Força. Elas são mantidas como uma reserva, para serem usadas quando o adversário ataca com um chute e se encontra em um momento rápido de desequilíbrio, às vezes em um pé só
. O Atemiwaza de Judo é uma forma “suave” de chutar ou socar, compatível com os princípios elementares do Aikido, isto é, com a nossa ênfase em precisão e oportunidade, em oposição à força e deve ser usada apenas em caso de fraqueza técnica profunda. Estas técnicas suaves são muito eficientes quando usadas contra partes do tornozelo, joelho, canela ou coxa. Usadas contra um atacante, em momentos específicos do ataque, podem provocar consequências catastróficas, de imediato ou a longo prazo. Em geral, as regras da maior parte das lutas traumáticas não permitem ataques abaixo da linha da cintura. Desta forma, o seu treinamento de defesas contra este tipo de ataque é, geralmente, deficiente. Todos os meus mestres sempre me ensinaram que o que você pratica é o que você fará durante uma competição. Existem outras armas que você pode empregar e que o tornarão um alvo muito improvável de ser escolhido. Prefiro não divulgar estas idéias por razões éticas. Em outras palavras, não é que não tenhamos algumas armas de longa distância. Apenas as usamos de uma forma diferente e em oportunidades diferentes dos lutadores traumático; quando estamos em uma zona de segurança; e quando podemos usá-las em conjunto com a movimentação de esquiva compatível com o nosso estudo do Aikido. Todos percebem que uma arte traumática não pode ser desenvolvida sem as restrições acima citadas. Todas aquelas proibições devem ser obedecidas na prática ou no treinamento ou a competição se transformaria em uma luta-livre ou num vale-tudo, etc…Infelizmente, praticar continuamente sob tais condições, evitando as técnicas perigosas de uma determinada arte, leva invariavelmente o praticante a se sentir seguro quando o caso é bem outro. DAVID RUSSELL : qual o contexto filosófico que você sente como importante quando você lida com outras artes? KARL GEIS: ÉTICA: Ser sincero consigo mesmo. Nunca devemos subestimar a arte do outro. Nunca me esqueço que, ao descobrir uma fraqueza em outra arte, eu descubro, ao mesmo tempo, uma força. As pessoas tem uma tendência a desvalorizar a outra arte, sem uma análise mais criteriosa. Proceder desta forma em um combate real é uma falha imperdoável. Todos os grandes generais da História sempre alertaram para o mesmo princípio básico: CONHEÇA BEM O SEU INIMIGO! Nunca presuma, sem antes testar a sua teoria. Existem muitas técnicas que, teoricamente, são muito poderosas mas, na maioria das vezes, elas são inúteis. Lutadores de Jiu-jitsu nem sempre se saem bem contra lutadores de judo. No entanto, lutadores de Jiu-Jitsu praticam muitas técnicas perigosas, enquanto que os judoka só treinam as técnicas seguras. Uma técnica perigosa tem que ser treinada com extrema precaução. Por outro lado, uma técnica segura pode ser treinada até que a sua execução se torne super-rápida e muito mais eficiente, com a vantagem adicional de, teoricamente, não machucar ninguém permanentemente.

Bambu

O nosso caminho dentro do Aikido tem muito a ver com a história abaixo. Frequentemente os iniciantes em seus primeiros anos e kyus se perguntam quanto tempo levarão para aprender o mínimo ou se irão aprender. Quanto “chegamos aos dans” aí o esforço é para manter a mente de aprendiz e continuar nosso aprendizado.
O Aikido, talvez mais do que outras artes marciais, exige paciência.

“BAMBU
Você sabia que depois de plantada a semente do bambu chinês não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo?
Durante cinco anos todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas… uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída.
Ocorre, então, que ao final do quinto ano, o bambu cresce até atingir uma altura de 25 metros.
A respeito disso, um escritor de nome Covey assim escreveu:
“Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês.
Você trabalha, investe tempo, esforço, enfim, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento. Às vezes não vê nada por semanas, meses, ou mesmo, anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo (seu esforço), seu quinto ano chegará, e, com ele, virá o crescimento e as mudanças que você jamais esperou…”
O bambu chinês nos ensina que não devemos desistir facilmente de nossos projetos e de nossos sonhos!!!
Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a persistência e a paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos!!!
É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.”

Querer vencer!

“No esporte, nas empresas e na vida, muitas vezes não são o preparo, a estratégia ou as táticas que fazem a diferença…. ….O que realmente faz a diferença são a emoção, o entusiasmo e a vontade de fazer acontecer. Vencer não é tudo na vida. Querer vencer, é…..