Viva como as flores

O discípulo perguntou ao mestre:

“Mestre, como faço para não me aborrecer, com as pessoas? Algumas falam demais, falam de nossa vida, gostam de fazer intriga, fofoca, outras são ignorantes.  Algumas são indiferentes. Fico magoado com as que são mentirosas.  Sofro com as que caluniam”.

– “Pois viva como as flores!”, advertiu o mestre.

– “Como é viver como as flores?” Perguntou o discípulo.

– “Repare nestas flores”, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas. É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.”

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A FLOR DE LÓTUS

De acordo com o Budismo, uma flor de lótus serve como assento aos que renascem no paraíso budista. No budismo, o lótus é o símbulo de pureza e perfeição da natureza búdica, inerente com todas as pessoas. “Assim como o lótus brota de dentro da escuridão da lama para a superfície da água, florescendo somente depois que se elevou acima da água e por permanecer imaculada sem se contaminar nem com a terra nem com a água que o nutriram, da mesma forma a mente, nascida do corpo humano, desabrocha suas verdadeiras qualidades( pétalas ) depois que se elevou acima das torrentes lodosas da paixão e da ignorância, e transforma as forças obscuras das profundezas em brilhantes e puros néctar da consciência iluminada.”

( Govinha, pg.89 in Philip Kapleau: Os três pilares do Zen. Ed. Itatiaia)

Treino viril e o Aikijutsu

por Ted Howell.

Traduzido do Aikido Journal por Adriano Nobrega da Silva – Aizen Dojo- Brasilia

Vou compartilhar alguns pensamentos com vocês. Aqueles dentre vocês que tiveram a sorte de assistir ao Aiki Expo em Las Vegas realizado em maio passado (graças ao esforço de Stanley Pranin, um trabalho bem feito!) e viram as aulas de Sensei Katsuyuki Kondo, da principal linha de Daito-ryu Aikijutsu, já sabem o quanto essa arte é incrível e dinâmica.
Esta foi uma oportunidade de treinar diretamente com o único detentor vivo do menkyo kaiden, diretamente outorgado por Takemune Takeda (o Soke anterior de Daito-ryu Aikijujutsu).
Eu, continuamente, sou surpreendido pelo conhecimento e sinceridade de Sensei Kondo. Ele é ao mesmo tempo severo e compassivo e representa o que cada americano sonha encontrar num mestre. Fortemente aconselho a qualquer estudante sério de artes marciais japonesas a observar como um representante direto de Daito-ryu Aikijujutsu incorpora a essência do clássico e verdadeiro budo japonês.
Acredito que para, verdadeiramente, estudar aikido como uma arte, é importante pesquisar os aspectos histórico e técnico de seus ensinos.
Compreendo que O-Sensei criou seu próprio budo.
Mas a pergunta é: a partir de quê?
Não é mais um mistério que os aspectos técnicos do Aikido de O- Sensei foram inegavelmente o resultado de seu relacionamento e longa aprendizagem sob um dos mestres de artes marciais bem proeminentes de seu tempo, Sokaku Takeda.
Compreendo ser difícil de imaginar O-Sensei, o fundador de aikido, como um estudante.
Mas como todos grandes mestres marciais, ele criou o Aikido da própria visão do que lhe fora previamente ensinado.
Morihei Ueshiba era um artista marcial severo. Seu relacionamento e aprendizagem com Sokaku Takeda foi de cerca de vinte anos, estando bem documentado. Qualquer de vocês que assistiu ao Aiki Expo deve ter visto as fotografias fornecidas por Sensei Kondo que claramente mostram um certificado de Daito-ryu kyoju dairi (permissão para ensinar) pendurado na parede do Kobukan, dojo do Fundador. Sabe-se, tambem, que um número de estudantes de O-Sensei antes da II Guerra Mundial, receberam graduações em Daito-ryu e não em Aikido como o conhecemos hoje. Em sua juventude, Morihei Ueshiba foi considerado um professor severo, assim como era Takeda. Só pela vida inteira de treinamento diligente e severo pode a arte hoje conhecida como Aikido evoluir.
O Daito-ryu não é um “estilo duro” de Aikido. Ele é a antiga tradição secular que deu à luz ao Aikido e a numerosas outras artes.
Já ouvi shihans de Aikido dizerem que estudar Daito- ryu Aikijutsu é uma regressão! Ouso divergir e intrepidamente declaro que experimentei de primeira mão a surpreendente abordagem do aiki encontrada no Daito-ryu que poucos aikidokas tem demonstrado possuir.
Deve ser observado que O-Sensei simplificou muito dos modos antigos devido ao tempo que era necessário para dominá-los.
Mas sinto que algo foi perdido e acredito que essa simplificação excessiva criou seus próprios demônios.
Acredito que é uma tentativa verdadeiramente vergonhosa de muitos aikidokas pensarem que podem desenvolver um nível de proficiência em Aikido que o fundador só atingiu depois de uma vida inteira de treinamento contínuo.
O modo pelo qual o Aikido moderno é apresentado ao mundo é algo decepcionante.
Em maio deste ano, eu assisti ao Aiki Expo em Las Vegas e assisti demonstrações realizadas pelos maiores aikidokas do mundo. A natureza destas demonstrações variou das mais suaves às extremamente poderosas. E embora impressionante, a maioria do que observei envolvia uma falta de atitude marcial real. Os princípios básicos do Aikido (tais como movimento, timing, e kokyu) estavam lá, mas sinto que em algum lugar do caminho a natureza marcial do Aikido havia sido perdida.
Passei vinte anos treinando em artes marciais japonesas, chinesas e filipinas. Como um agente da polícia e instrutor de táticas defensivas, tive a oportunidade de experimentar muitos contatos físicos diretamente no dia a dia policial.
E sinto que muitos aikidokas enganam a si mesmos ao achar que um agressor descuidadamente atacará e se permitirá ser manipulado como uma boneca de trapo.
O Aikido foi fundado nos conceitos que promovem compaixão, paz, amor, e harmonia.
Mas escutem cuidadosamente às palavras de Sensei Mitsugi Saotome: “Quando os fortes falam de paz as pessoas escutam, mas quando os fracos falam de paz, ninguém dá ouvidos” ( livro Aikido e a Harmonia de Natureza).
Esta declaração, acredito, diz tudo.
Como podemos, como aikidokas, promover o Aikido como uma arte de paz e harmonia se ele é praticado de modo a apenas nos proporcionar um sentimento falso de segurança?
Durante anos, ouvi outros artistas marciais criticarem o Aikido por sua falta de severidade e natureza prática. Novamente, argumentarei que a arte não é a culpada, mas a forma branda em que normalmente é praticada e ensinada trouxe tais críticas. Compreendo que as pessoas treinem aikido por uma miríade de razões particulares.
Mas por favor, não diga que você treina uma arte marcial a menos que a treine como tal.
A arte foi projetada pelo fundador na tradição do guerreiro japonês e qualquer abordagem que lhe exclua a natureza marcial não é Aikido. Isto não significa que um aikidoka deve vestir uma armadura antes de treinamento, mas digo que a mente, corpo, e espírito são forjados por desafio e treinamento numa mentalidade marcial.
Em Budo, as palavras de Morihei Ueshiba estão cheias de imagens do guerreiro japonês e da cultura de guerreiro. O fundador escreveu, “Perceba que sua mente e corpo devem ser ocupados com a alma de um guerreiro, com uma sabedoria iluminada e uma cultura profunda”,
O fundador escreveu: “O surgimento de um ‘inimigo’ deve ser pensada como oportunidade para testar seu treinamento físico mental e ver se seu corpo realmente responde de acordo com os propósitos divinos”. Mais do que isso, o pensamento do fundador é extremamente claro quando afirma: “Sempre se imagine no campo de batalha sob o ataque feroz; nunca se esqueça deste elemento crucial de treinamento”.
Penso que o fundador estava certo de que teve uma visão de paz.
Mas esta visão veio da mente de um guerreiro.
Um guerreiro que claramente indicou que a iluminação e o forjar do espírito são resultado direto de treinamento severo e diligente.
Retirar a natureza marcial do treinamento também retira a agudeza requerida para forjar a espada do espírito!
Tenho treinado Daito-ryu Aikijujutsu desde de 1997 e recentemente fui solicitado (ou melhor comunicado) por Katsuyuki Kondo a prestar exame para Shodan em outubro deste ano.
Para mim, passar ou não, é secundário ao encarar os desafios que esta prova trará. Como um estudante sério de Aikido (atingi o posto de Yondan da Aikikai, em maio deste ano), eu sinceramente acredito que meu estudo em Daito-ryu foi inestimável a meu entendimento de aiki.
Acredito aquele Daito-ryu e Aikido são duas artes feitas do mesmo tecido e que um complementa o outro. Se voces pensam que Aikido e Daito-ryu são mundos à parte, peço que reavaliem suas posições.
Finalizo com algumas palavras do antigo Soke de Daito-ryu Aikijujutsu, Sensei Tokimune Takeda, quando indagado sobre a diferença entre Aikijujutsu e Aikido.
Ele declarou, “…tenho acompanhado técnicas de Aikido no Budokan do Japão mas vejo apenas demonstrações de técnicas macias. Elas não funcionariam numa situação de luta real. Os ukes auxiliam se jogando e fazendo lindas quedas. É como se praticassem apenas técnicas para se jogarem. Se seu uke cai numa queda linda, isso faz sua técnica parecer boa. Em nossa prática, nós não precisamos que nossos ukes auxiliem executando lindas quedas. Nós treinamos a projeção dos ukes. Se projetados adequadamente, eles não precisam ajudar na queda: eles simplesmente caem.” (Conversas com mestres de Daito-ryu).
Espero que essas considerações provoquem alguma reflexão.
Se algum dentre vocês está interessado em recuperar a natureza marcial do treinamento, por favor venha ao seminário e experimente de primeira mão o que estou tão desesperadamente tentando explicar.
Para qualquer esclarecimento adicional, por favor não hesite em contatar o Instituto Aiki de Artes Marciais.. Oferece instrução em aikido, Korindo, hanbojutsu, e Daito-ryu Aikijujutsu. Lembre-se de que nossos esforços não podem continuar sem o apoio forte desses sérios estudos de artes marciais japonesas tradicionais. Para aqueles dentre vocês que amam as tradições japonesas, mas não podem participar, a colaboração sob a forma de doações é sempre bem-vinda. O Instituto Aiki de Artes Marciais é uma organização sem fins lucrativos que conta com estas doações.
Sempre de vocês, no budo
Ted Howell- Dojo-cho, Pinelands Aikido, New Jersey.

5 Anos do Ganseki Dojo

Banzai!!
Dia 17 de julho comemoramos 5 anos de formação do Ganseki Dojo. Este ano fizemos o nosso encontro dia 24, sábado passado.

Como sempre é um momento de alegria e de grande congrassamento. A cada ano novos integrantes se juntam na nosso grupo.

O trabalho se solidifica continuamente, e para nós é motivo de satisfação permanente ver que muitos acreditam na nossa proposta. Se somam a cada ano. Agradecemos aos alunos e amigos em geral.

Treino da manhãEste ano também comemoramos em março passado 20 anos de aikido e nos ssatisfaz muito ver a evolução de nosso caminho. Muitos surgiram junto a nós, apareceram, conheceram, mas não se identificaram com o aikido ou com o grupo. Outros desistiram por cansaço ou falta de tempo (sim aikido exige tempo, paciencia e muita disposição e flexibilidade, principalmente mental) Outros apareceram e avançaram no caminho ao longo do tempo. Muitos continuam com a gente fiéis a proposta; que não mudou. Mas muitas pessoas preferem outros caminhos, mais comerciais, ou que insuflem mais o ego. Aqui no Ganseki Dojo, como dizem na academia central, somos simples. Mas também engajados na luta de promover e desenvolver o aikido tradicional e eficaz conforme missão conferida a nós pelo próprio Kawai Shihan.

PS: Depois colocamos algumas fotos nos diversos locais (redes sociais etc).

“Aquele que é simples não tenta esconder o que é feio ou desperdício, porque

treino de armas
em sua pureza esses traços inexistem. Há realeza nas maneiras e graciosidade no comportamento, mas isto não rouba sua originalidade nem o compele à artificialidade.” Autor desconhecido

Domo

SEKI SHIHAN – SEMINÁRIO INTERNACIONAL

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE AIKIDO & DEMONSTRAÇÃO DOS PROFESSORES P R O G R A M A Ç Ã O DATA HORÁRI O LOCAL ATIVIDADE 03/09 (6ª Feira) 19:00 hs Academia Central Yudanshakai

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE AIKIDO &

DEMONSTRAÇÃO DOS PROFESSORES

P R O G R A M A ÇÃ O
DATA
HORÁRI O
LOCAL
ATIVIDADE

03/09 (6ª Feira)

19:00 hs

Academia Central

Yudanshakai – Somente Fxs Pretas

04/09 (Sábado)

09:00 às 09:45 hs

10:00 às 11:00 hs

15:00 às 18:00 hs

Ibirapuera

Ibirapuera

Treino Geral – Seki Shihan

DEMONSTRAÇÃO 47 ANOS

04/09 (Sábado)

20:30 às 23:00 hs

Local a ser definido

Jantar com Seki Shihan*

05/09 (Domingo)

09:00 às 09:45 hs

10:00 às 10:45 hs

15:00 às 15:45 hs

16:00 às 16:45 hs

Ibirapuera

Treino Geral – Seki Shihan

05/09 (Domingo)

19:00 às 22:30 hs

Local a ser definido

Jantar com os professores*

06/09 (2ª feira)

08:00 às 09:30 hs

10:00 às 11:15 hs

Academia Central

Academia Central

Reunião dos professores

Treino para professores – Seki Shihan

O local dos treinos no Ibirapuera é o ginásio do Judo.

Walter Amorim www.gansekikai.org Representação da União Sul Americana de Aikido na cidade do Rio de Janeiro Aikido Kawai Shihan

Kyudo Zen – En busca del Ser interior – lançamento de livro

Luis Falcone Sensei,  Mestre Kyudo – Zen na Argetina, publicou seu livro sobre as suas experiências, inclndo as que ocorreram no Japão, entre anos de 1995 e 2005. Dedicado aos professores Masamitsu Matsuhashi, Tadashi Yamada; e particularmente suas filhas Ornella e Julieta. Estas memórias revelam algumas reflexões extraídas de várias conversas entre professores e discípulos.

As notas constantes e o detalhamento fotográfico, têm permitido a Luis Falcone manter um valioso tesouro que, como seguidor deste caminho tradicional, enriquece os diferentes conceitos de uma arte sem artifícios e, ao mesmo tempo, cheia de mistérios.
Sensei Falcone, foi selecionado e  recebeu uma bolsa da Fundação Japão para a publicação de seu livro “Memórias do Japão Kyudo Zen”.

A Fundação Japão, criada em 1972 por uma disposição especial do governo japonês, tornou-se uma instituição administrativa independente em Outubro de 2003. A missão da Fundação Japão é promover o intercâmbio cultural internacional e da compreensão mútua entre o Japão e outros países. A fundação está sediada em Tóquio e opera através de uma rede de 20 escritórios em 21 países.

Fonte:  Kiai argentina

Os princípios do Kokyu ryoku – o poder da respiração

Por Gozo Shioda

 Eu disse anteriormente que o poder de foco e concentração determina a maneira pela qual usamos nossa força. Fundamentais para isto são o coração ou espírito, e o ritmo.

Todos estes fatores juntos formam o kokyu ryoku. Por coração, ou espírito, eu quero dizer a habilidade de entrar em um estado de esvaziamento. Este é o poder de concentrar nossos sentimentos, cujo impacto é muito forte. Nós freqüentemente pensamos em fazer alguma coisa desta ou daquela maneira, pois os seres humanos se encontram presos a planos – nós gostamos de planejar e de lembrar das coisas. No budô, é necessário eliminar planos e memórias ,e, ao contrário, nos colocarmos em um estado de esvaziamento. Neste estado todo medo desaparece, a, ansiedade é removida, e nós começamos a realmente perceber nossas habilidades, ganhando cada vez mais confiança em nós mesmos. Resumidamente, este é um estado mental muito sereno.

Neste estágio, nós podemos ler as intenções de nosso oponente, não com nossa cabeça, mas com nosso corpo. Nós podemos sentir como nosso oponente irá atacar. Em outras palavras, nós começamos a nos mover e sentir com o coração.

Outra faceta muito importante do kokyu ryoku é o ritmo. Nós devemos desenvolver o ritmo onkyu (lento e rápido). Por ritmo eu não quero dizer um movimento uniforme e monótono. Ao contrário, o ritmo de nossos movimentos deve se adaptar a uma dada situação. Essencialmente, é nossa respiração que controla nosso ritmo, inspirando ou expirando de acordo com a situação. Quando é necessário inspirar, nós inspiramos. Quando nós devemos expirar, nós expiramos. É isto que regula o ritmo de nossos movimentos. O ritmo é resultado da respiração. Quando o ritmo e a respiração se fundem, nós devemos adicionar shuchu ryoku (o poder da concentração). O verdadeiro kokyu ryoku é atingido quando estes três fatores se unem de maneira a formar uma coisa só. Quando isto acontece, nosso oponente perde a capacidade de resistir e torna-se completamente dependente de nós.

É essencial notar que nós não temos nenhuma intenção especial de fazer o oponente agir desta maneira – isto apenas acontece. Induzir o oponente a um tal estado onde ele se sente compelido a cooperar contrariando seus desejos, sem que ele se aperceba deste estado, é o princípio do kokyu ryoku.

Devemos dizer também que é preciso que nos tornemos inconscientes da existência do oponente para que sejamos capazes de atingir o kokyu ryoku.

O kokyu ryoku não é relacionado a qualquer conjunto de formas. Antigamente, Sensei Ueshiba nunca ensinava em detalhes. O que fosse que nós fizessemos, ele apenas dizia “está bom, está bom”. Desta forma, ele nos encorajava a evitarmos de sermos aprisionados pelas formas. O que é importante é nos colocarmos na melhor situação para nós mesmos. Mas mesmo que eu diga isto, eu sei que encontrar a melhor situação é algumas vezes algo muito difícil de ser feito.

O kokyuryoku se origina no esvaziamento. O kokyu ryoku não é algo que descobrimos através de algum treinamento ou exercício especial. A repetição diária das técnicas do Aikido forma a base para atingir-se o kokyu ryoku. Apenas após um treinamento uniforme, dia após dia, você poderá, com sorte, atingir o shingitai, quando o coração, a mente, o corpo e a técnica tornam-se uma coisa só, tornando o kokyu ryoku possível.

Ao invés de dizer que atingimos este estado, é melhor entender que um dia, sem sabermos quando, estaremos usando o kokyu ryoku. Isto pode acontecer inesperadamente, por exemplo, se estivermos diante de uma situação de vida ou morte. Em tal situação, a necessidade urgente de uma reação adequada pode servir como catalisador para o surgimento do kokyu ryoku. Repentinamente algo irá acontecer, e antes que tomemos consciência do que está acontecendo, o oponente estará no chão. Eu constantemente fico surpreso por não entender o que está acontecendo nestes momentos. Mesmo pensando cuidadosamente, eu não consigo definir claramente o que ocorre quando eu estou tomado pelo kokyu ryoku. Isto é o kokyu ryoku. Não é algo que possamos atingir quando quisermos. Na verdade, se estivermos pensando nisto, simplesmente não irá funcionar. Tudo deve ocorrer de forma natural. Qualquer idéia de atingir este estado nos prende a planos que serão de pouca ajuda para atingirmos o kokyu ryoku, e este é um fato que não é fácil de aceitarmos.

Mesmo que tenhamos atingido o kokyu ryoku uma vez, isto não significa que possamos atingi-lo novamente de maneira direta. De fato, tal idéia de repetição irá nos impedir de atingi-lo, e somente eliminando qualquer esforço consciente é que poderemos alcançá-lo novamente. Conforme acumulemos tempo de treinamento, isto nos levará a cruzar a fronteira.

Desta forma, um dia, nós nos tornaremos mestres do kokyu ryoku. É difícil descrever, mas neste exato momento surge uma sensação de êxtase, de imenso prazer, um conjunto de sensações que juntos formam uma experiência maravilhosa.

Esta experiência acontecerá de forma breve e inesperada, proporcionando uma inexplicada sensação de poder e conforto.

Eu acredito que não é possível experimentar este tipo de emoção através de atividades normais da nossa vida. Naquele momento eu posso dizer que perde-se o ego. Freqüentemente no dojo, durante as aulas especiais para alunos avançados, quando eu demonstro algo, eu me encontro em um estado de completo esvaziamento: nada existe naquele momento. Eu não possuo nenhuma intenção de resistir ao meu parceiro, na verdade eu perco a consciência de mim e do meu parceiro e nós nos tornamos um só.

É por isto que quando eu movo minha mão em uma direção, meu parceiro segue meu movimento. Se eu repentinamente mudar a direção, meu parceiro também mudará, todos se movem comigo. Como isto é possível? Eu não sei, mas se podemos atingir o verdadeiro esvaziamento, podemos fazer o impossível.

Isto é algo que eu não posso ensinar, mesmo se me perguntarem. Esta é uma sensação que devemos capturar para nós. Muitas pessoas estudam intensamente diversas técnicas de Aikido, e é muito triste que fiquem presas em um estado de pesquisa e não evoluam mais.

Muitas vezes acontece que por mais esforço que coloquemos em nossa pesquisa, não chegamos a uma conclusão. Nossos pensamentos permanecem turvos. Mesmo quando temos a intuição correta, nós perdemos nossa pureza quando adicionamos nosso pensamento.

O maior de todos os objetivos é aquele que vem de dentro de nós. Desta maneira é muito importante aprender a sentir com nossa pele e nosso corpo. “Torne-se um com a natureza”, diria Ueshiba Sensei, e apenas recentemente eu comecei a entender o que ele queria dizer sobre Deus, o Universo, e muitas outras coisas incompreensíveis. Minimamente, agora eu possuo uma noção do que ele dizia.

 

Petrobras se solidariza com as vítimas das chuvas no Nordeste. Saiba como ajudar

A Petrobras é uma empresa brasileira com atividades em Alagoas e Pernambuco, estados que foram atingidos por fortes chuvas neste mês de junho. A Companhia lamenta a tragédia e manifesta sua solidariedade aos moradores dos estados e aos familiares das vítimas.

Com o objetivo de amenizar o sofrimento destas famílias, a Refinaria Abreu e Lima está arrecadando os seguintes itens para doação: agasalhos e cobertores; água mineral; alimentos para pronto consumo (leite longa vida, enlatados, bolachas, etc.); colchões; materiais de higiene pessoal (pasta e escova de dentes, fraldas, desodorantes, sabonetes, toalhas, etc.); material de limpeza e roupas.

As doações podem ser entregues até o dia 2/7 nos seguintes postos de coleta:

– Obra da Refinaria Abreu e Lima – sala da RSCOM, no prédio da Gerência de Empreendimento.

– Escritório Recife – Rua Antônio Lumack do Monte, Empresarial Center 1, Térreo do antigo Banco do Brasil, lado da rampa, em Boa Viagem.

Para mais informações, entre em contato com os Serviços Compartilhados PE – Rota 835.5912 ou (81) 3464.5912.

Na Unidade de Operações de Sergipe e Alagoas, as Gerências de Serviços Gerais da Sede, do Ativo Mar, do Ativo Alagoas e o Grupo de Oração Pilar estão com equipes recebendo doações como roupas, colchões, lençóis e alimentos não perecíveis. As doações podem ser entregues de 28/6 a 2/7, das 8h30 às 11h e das 14h às 16h, nos seguintes locais.

Em Sergipe:

– Posto da Sede da UO-Seal: Em frente ao Auditório Piranema.

– Posto do Polo Atalaia: Sala da Comunicação (ala sul).

– Posto do Ativo de Produção Sergipe Terra: Hall do restaurante da Base de Carmópolis.

Em Alagoas, há postos de arrecadação em Pilar (mais informações com Dandara ou Carla pelas rotas 832-7246 e 832-7446); P-16 (informações com Raquel pela rota 832-7945) e Furado (informações com Graciete pela rota 832-7654).

Os órgãos de segurança social e militar dos estados atingidos também organizaram uma campanha para arrecadar doações para os desabrigados. Veja abaixo a lista dos locais autorizados para o recebimento de donativos (preferência por alimentos não perecíveis, roupas, materiais de higiene e limpeza e água).

Postos de Coleta

Maceió

– 1º Grupamento de Bombeiros Militar (1º GBM) – Rodovia 316, Km 14, Tabuleiro dos Martins, próximo a Policia Rodoviária Federal, (82) 3315-2900 / (82) 3315-2905.

– Grupamento de Socorros de Emergência (GSE) – Conjunto Senador Rui Palmeira, S/N, (82) 3315-2400.

– Subgrupamento Independente Ambiental (SGIA) – Av. Dr. Antônio Gouveia, S/A, Pajuçara, próximo ao Iate Clube Pajuçara, (82) 3315-9852.

– Quartel do Comando Geral (QCG) – Av. Siqueira Campos, S/N, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária, (82) 3315-2830.

– Defesa Civil Estadual (CEDEC) – Rua Lanevere Machado n.º 80, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária, (82) 3315-2822 / (82) 3315-2843.

– Grupamento de Salvamento Aquático (GSA) – Av. Assis Chateaubriand, S/N, Pontal, próximo a Braskem, (82) 3315-2845.

Interior

– 2º Grupamento de Bombeiros Militar – Maragogi, (82) 3296-2026 (82) 3296-2026 / 3296-2270.

– 6º Grupamento de Bombeiros Militar – Penedo, (82) 3551-7622 (82) 3551-7622 / (82) 3551-5358 (82) 3551-5358.

– 7º Grupamento de Bombeiros Militar – Arapiraca e Palmeira dos Índios, (82) 3522-2377 (82) 3522-2377, (82) 34212695 (82) 34212695.

– 9° Grupamento de Bombeiros Militar – Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia, (82) 3621-1491 (82) 3621-1491 / (82) 3621-1223 (82) 3621-1223.

Recife

– Instituto de Assistência Social e Cidadania do Recife (Iasc), localizado na Rua Imperial, 202, no bairro de São José.

– Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS-PE) na Rua Amaro Bezerra nº 489 – Derby – Recife.

– Posto de arrecadação instalado pela Polícia Militar na Quadra Poliesportiva do Quartel do Comando Geral, no Derby.

– Instituto Federal de Pernambuco – Av. Prof Luiz Freire, 500 Cidade Universitária.

– Sede da Guarda Municipal, na rua dos Palmares, 550, em Santo Amaro.

– CTTU, na rua Frei Cassimiro, 91, em Santo Amaro.

– Posto de Permanência da Guarda Municipal, no Terminal Marítimo.

Interior

– Gravatá – Secretaria de Ação Social, na Rua Francisco Bezerra de Carvalho, no centro.

– Barreiros – Posto da Polícia Rodoviária Federal na entrada da cidade. Doações em dinheiro podem ser depositadas no Banco do Brasil / Agência 0710-2 / Conta corrente 6070-4.

– Caruaru – Sindicato dos Lojistas do Comércio de Caruaru (Sindloja), na Rua Leão Dourado, nº 51-A, no Bairro São Francisco.

– Barra de Guabiraba: A prefeitura manda buscar os donativos. Colchões, lençóis e alimentos são as maiores necessidades. Basta ligar para (81) 8848.1144 / (81) 9144.6052 / (81) 9144.6053 / (81) 3758.1145 e agendar a coleta.

– Palmares – A Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS-PE) instalou um posto de arrecadação de doações na sede da entidade, na Rua Amaro Bezerra nº 489 – Derby – Recife. Contato: (81) 3423.0604 ou (81) 3423.9907.

Doações de outros estados

Para quem não está em Alagoas e Pernambuco, mas também quer colaborar, as doações podem ser feitas em dinheiro nas seguintes contas:

– Alagoas: Banco do Brasil agência 3557-2, conta corrente 5241-8; Caixa Econômica: agência 2735, operação 006, conta 955/5.

– Pernambuco: Banco do Brasil: Agência 1836-8, Conta-corrente 100.000-4.

Treino de Integração

Foi realiado neste sábado próximo passado o primeiro ttreino de integração das turmas da noite e manhã.  Este encontro visa principalmente a integração das diversas turmas e nivelamento técnico.  O primeiro encontro foi muito positivo apesar das dificuldades de avisar todo o plantel de alunos pois o Sensei Walter está sem acesso a net. O encontro deve se realizar periodicamente.  Mais um passo para o avanço do grupo.

Pense na Felicidade

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor… Não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos amor, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanto cinema.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E, se a gente tem pouco, é com este pouco que vamos tentar segurar a onda, com humor, fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista, é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. se a meta está alta demais, reduza-a.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Extraído do site Velho Sábio

Hybris ou subir uma escada cujo degrau está quebrado

Por Leonardo Galvão

A pedidos, resolví botar em palavras aquilo que as vezes converso com meus colegas (e amigos) aikidocas, nada muito diferente do que já nos é conhecido, mas desta vez, ilustrado por mitos universais, reconstruindo os sentidos literais para além das metáforas já descorridas sobre eles e dialogando com princípios como ukemis, atemis, tenkans e irimis. Resolví que, para falar com aikidocas, propensos a equilibrar a tenacidade do espadachin, a diplomacia inteligente de um nobre e a serenidade de um monge (sim, isto é um clichê), nada melhor que assuntar os riscos da velha hybris, que em tantos excelentes heróis fizera as mão fraquejarem e as pernas tremerem.
Hybris é um termo grego arcaico, caiu em desuso, cujo significado era excesso, ou desafio, ou crise provocada por mania de grandeza, fato muito comum nos nossos dias, por vezes até enaltecido. É fácil de entender o que é hybris, basta lembrar da história do piloto de avião já experiente, cansado de fazer operações irregulares com o seu aeroplano e que, um dia não diferente dos outros, é acometido com a fatalidade. O herói é outro conceito arcaico e que sempre volta numa repaginação segundo os moldes da época. Os herois já foram virtuosos, já trouxeram a luz à escuridão, iniciaram a nova ordem, destronaram reis e salvaram as princesas (ou os tesouros, tem o mesmo sentido) da caverna dos dragões e torres inalcançáveis. O herói pode ou não lutar com o mal, contudo o maniqueísmo é um conceito do final do período clássico. Heroismo é outra história.
Ok, ok! Concetremo-nos na questão da hybris, por enquanto. Não nos fatarão exemplos a serem discutidos, assim como não faltam heróis nas histórias mítico-religiosas universais. De sumério-babilônicos a japoneses, da antiguidade as nosssos dias, exímios guerreiros e homens espirituais, uns respeitados pelas proezas e outros temidos pela força de seu braço, sõ que, mais cedo ou mais tarde o forte e o valoroso sempre encontra um desafio intransponível e, este cheio de orgulho, se lance ao inevitável: a derradeira queda.
Se ainda não está claro, vou pincelar alguns exemplos sem me prender no mérito moral, ideológico e cultural de cada um, mas me concetrarei nesse fenômeno que faz o humano verdadeiramente Humano, falo da queda, a imagem do terceiro animal que anda com três patas no enígma da esfinge, vai além da questão da velhice.
Enfim chegado o momento de narrar as epopéias dos guerreiros, me permito ir longe, no berço da civilização, para comentar a primeira narrativa heróica que este Mundo já viu. Refiro-me ao mito de Gilgamesh, um Hércules ou um Sansão primitivo, arquétipo dos heróis brutos e impiedosos, um Wolverine da antiguidade (salvo milhões de aspectos nessa comparação). Suas estórias eram contadas oralmente desde os primeiros reinos sumérios, mas foi no período acádio que as rapsódias foram talhadas em tábuas de escrita cuneiforme, enfim, um mito de força, coragem e crueldade que durante séculos teve seu nome esquecido no tempo e na areia da terra e dos povos que seu nome ajudou a construir. Gilgamesh, rei cruel, conquistador, inquebrantável, cuja tirania fez com que seus súditos suplicassem aos deuses que o fizessem parar. Como toda narrativa arcaica, essa história é construída através das repetições cíclicas, como são cíclicos os dias e as noites, o  nascer, o crescer e o morrer e etc, logo imagine quanto fez Gilgamesh para ter seu nome escrito na boca do sapo dos rios mesopotâmicos.  Gilgamesh vencia inimigos mortais e até os imortais, armadilhas preparadas pelos deuses anunaki contra ele desferidas, ou seja, nada podia com Gilgamesh.
Para enfim destruir o rei-herói, os deuses anunaki entraram em consenso de que só outro Gilgamesh poderia vencer Gilgamesh, e assim, com o barro negro do Tigre e Eufrates, construiram Enkidu a imagem e semelhança de Gilgamesh. Deixando a análise psicológica do mito, ao encontrar alguem igual a ele em força e aparência, temido nas florestas ao redor de seu reino, este se viu espelhado e insuflado, somando forças com sua contraparte selvagem, motivo que o levou depois à ruina de sua imagem. Enkidu era aquilo de que Gilgamesh não queria confrontar: o limite ou finitude de sua existência. Com seu sósia, Gilgamesh descobriu o que é a morte, sim, pois Enkidu viera a falecer depois de um confronto com o dragão mandado pelos deuses. Gilgamesh, cheio de hybris, faz a jornada em busca da imortalidade, mas como podemos concluir, mãos vazias foram  sua paga. Alguns historiadores e mitólogos fazem paralelo de Gilgamesh com inúmeros reis locais da antiguidade mesopotâmica, sendo fonte de inspiração para Ninrode, o rei caçador do Antigo Testamento.
O segundo personagem heróico que cai em desgraça pelas garras da hybris é Aquiles. Nas epopéias  troianas, Aquiles e retratado por Homero como um herói cheio de adjetivos, dentre eles a invulnerabilidade e o fato de ser semi-deus (filho de Tétis, deusa do Mar e do rei Peleu, de Mermela), embora tivesse sua mãe esquecido de banhar seu calcanhar no rio estige, crucial para o seu derradeiro fim. É bom esclarecer que na escrita homérica não havia a necessidade da esplicação de que um ou outro personagem era ou deixava de ser alguma coisa, pois seus nomes acompanhavam os respectivos atributos, logo, se você ler o clássico você já percebe de cara quem é o que na história. Náo existia verbo de ligação, logo Aquiles herói, Paris covarde (e etc e tal).
Voltando ao herói homérico Aquiles, o que é dito desse semi-deus é que ele era um herói que lutava pelo exercito de Menelau e Agamenom, reis gregos (ou Helênico, isso mostra a importância desse mito na formação da cultura grega), contrapondo-se à Heitor, herói troiano, mortal, que lutava pelos seus. O estopin dessa contenda foi o rapto de Helena (a iluminada pelo Sol ou Helios) por Paris Alexandre, principe troiano e juiz no episódio do Pomo da Discórdia, pacto com a deusa do amor Afrodite pela proclaração da divindade mais bela do panteão helênico, para o descontentamento de Palas Athena e de Hera, coicidentemente patroa de Tétis, mãe de Aquiles coração de Helena, em troca do amor de Helena por ele.

No confronto entre Aquiles, o invulneravel e Heitor, o mortal e irmão de Paris, também herói, ambos lutavam por pontos de vista contrários: os respectivos interesses nacionais. Previsivelmente, Aquiles venceu Heitor, mas possuído de hybris, manchou sua vitória negando ao herói troiano um enterro digno de tal porte e coragem, esquartejando seu corpo e arrastando ao redor da muralha da cidade, para sofrimento e desespero de seus familiares.  Algo como um capitão Nascimento negando um belo enterro ao traficante Baiano.  A desgraça de Aquiles não foi a flecha envenenada em seu calcanhar, foi a hybris em campo de batalha ou refrear seus impulsos diante de uma batalha homem a homem.
O terceiro herói que me ocorre, enquanto escrevo, vem das fábulas arturianas, uma miscelânia de lendas celtas,  romanas, anglo-saxãs e normandas, de carater pagão e cristão que se perde na origem e no tempo.  Como os primeiros textos sobre as lendas arturianas e o reino fictício de Camelot (ou Cameloot, anagrama notaricon de Malkut, o reino em hebraico) foi escrito em francês, e um heroi de orgiem franco-normanda recebia todo o destaque nessa edição: o cavaleiro da carruagem, o cavaleiro Branco Lancelot du Lac. Seus feitos e proesas ultrapassavam a descrição, sendo considerado por Arthur seu maior e mais valoroso dos cavaleiros da távola redonda, cuja missão era relembrar os feitos arturianos e ir à busca do cálice sagrado, ou Graal. Cobiçado pelas mulheres do reino e estrategicamente requisitado por Arthur, Lancelot foi acometido de um feitiço pagão que o fizera tomar decisões intempestivas, dentre elas o casamento mal fadado com a princesa de Listenoise, reino de Pellinore, seu pai e conseguinte, encontros furtivos com a rainha Guinevere, esposa do Rei Arthur, a quem Lancelot jurou fidelidade.
Não foi a traição o motivo da queda do herói mais valoroso da távola redonda, mas a hybris, neste caso insuflado pelos feitiços de Morgana Le fey, a quem se atribuí a morte de Merlin, feiticeiro e conselheiro do Rei e de gerar Mordred, filho de sua estratagema para tirar o poder real de Arthur. Por feitiçaria ou por orgulho insuflado, a queda é a destruição da virtude. Uma curiosidade sobre a influëncia do mito de Lancelot: sua imagem foi perpetuada no baralho de cartas figurando o Valete de espadas, centrado  no mito da famosa Escalibur, segundo algumas interpretações correntes, enquanto outras o atribui ao naipe de ouro, associando-o à Camelot, o Reino.
Mas, enfim, o que tem haver a hybris com o aikido? Essa pergunta está presente na condução de tarefas simples que usamos em nossos exercícios e nem sempre nos damos conta dela. Não é necessário aprender japonês ou virar samurai para perceber que a disciplina que o aikido transmite vai muito além da melhoria postural e da ausência de força bruta nos movimentos. O tai sabaki (movimentação corporal, tradução livre), por exemplo, transmite-nos a necessidade de conduzir nossos corpos e mentes para uma direção ou mudarmos nossa postura frente a conflitos desnecessários. Não cabe, no espaço da academia, exercitar algo parecido ao “shin sabaki” (tradução livre para movimentação do espírito), mas podemos evitar um preconceito acerca daquilo que não nos é interessante ou familiar. Agir de forma bruta frente aos problemas relacionais cotidianos, ignorar o impacto das diferenças como transformador cultural e social e apelar para soluções violentas quando existe lugar para uma conversação é como estar imerso na hybris e não ter parâmetros outros senão agir pela sobrevivência (do ego). Contudo, em hybris a queda é iminente e nenhum rolamento ou técnica para tal (ukemi) lhe será válido, pois o chão não está aos seus pés, o ego  insuflado distorce sua imagem e a queda elimina qualquer possibilidade de aparo. Compartilhamos da mesma condição humana: a imperfeição. Aprimoremos nossas técnicas e incorporemos seus ensinamentos na sutileza do manuseio com ego. Isto é um convite e uma tarefa heróica.

Leonardo Galvão é artista e tecnólogo, praticante de aikido a cerca de 3 anos.