Ai Inochi Sakurai

Origem

Sua origem é da casta dos Samurais. A data de seu nascimento é incerta, alguns pesquisadores datam seu nascimento por meados de 1583, na província de Mimasaka no Japão. Seu Pai era um Bushi e sua mãe uma Ninja Kunoichi.

Infância e Adolescencia

Sua infância foi complicada, criado no meio de duas castas opostas teve que aprender filosofias conflitantes. Uma educação dos Bushi e dos Shinobi. Ao chegar na fase adolescente Sakurai fez sua opção pela casta dos Shinobi trabalhando para a família de sua mãe durantes anos.

Adulta

Ao chegar na fase mais adulta por volta dos 30-35 anos deixou sua província para viver com os Monges Yamabushi. Descidido a aprender segredos de diversas áreas se especializou na área da vida e da mente. Quando voltou do isolamento com os Yamabushi, Ai Inochi Sakurai portava duas Tora-No-Maki, correspondente a VIDA e MENTE. Em sua fase adulta fez uma peregrinação por todo o Japão mandando Tegami (carta) a varias pessoas, falando sobre saúde, aconselhamento e sociedade.

Fase Negra

Como todos seres humanos Sakurai teve seu lado negro. Como especialista em assassinatos na adolescência, foi responsável por vários assassinatos em Kyoto e em Osaka. Lutou em Sekigahara pela colisão de Tokugawa e matou centenas de estrangeiros no Sakoku. Após perder uma luta para um desconhecido de sua terra natal foi morar junto aos Yamabushi.

Palavras de AI Inochi Sakurai

Algumas Citações de Ai Inochi Sakurai em suas Tegami.

“Viva como se fosse uma estrela a cortar o céu negro e busque o conhecimento como se fosse uma cerejeira centenária, cujas flores geram esplendor e admiração no mais frio homem como na mais quente mulher.”

“A Mente é base do Espírito e da Alma, assim como o corpo é sua morada.”

“Uma mente que não teme criar é uma mente bela e bem construída em sua infância”

“Um homem que não trabalha seu corpo não consegue trabalhar a mente pois um depende do outro para evoluir e ascender”.

“Os pés nos levam para o monte, os olhos contemplam o horizonte, a mente guarda toda a fascinação do momento em nossos corações”

“Os seres humanos são imperfeitos, problemáticos e confusos. Por isso admiro o ser que o criou pois soube fazer cada um diferente do outro, dando a todos nós a oportunidade se ser especial.”

“ Amar é escolha racional, nós escolhemos amar uma mulher por suas qualidades e sua beleza. O homem que diz que o coração o controla é fraco e futuramente um escravo da infidelidade. Pois amar, felicidade e benevolência, são ações que nascem em nossa vontade e se transforma em atos de sabedoria quando temos coragem de assumir as conseqüências.”

Existem vários fragmentos de Ai Inochi Sakurai, fragmentos que falam sobre muitas coisas desde Amor, passando pelo corpo humano e administração familiar até sobre táticas de guerra e assassinatos.

Hiragana e a literatura

A necessidade de expressar livremente os sentimentos do povo japonês impulsionou a escrita e a literatura da Era Heian, dominada pelas grandes mulheres
Por que surgiram os fonogramas hiragana e katakana?
Os japoneses não conheciam a escrita até ter os primeiros contatos com a cultura chinesa, por volta do século V. À medida que os japoneses foram dominando a escrita (kanji ou ideogramas), a língua e a literatura chinesas, eles começaram a sentir as limitações de se adotar essas formas de comunicação de um outro povo. Assim, para atender à necessidade de expressar livremente os sentimentos do povo japonês por escrito, foram criados os fonogramas hiragana e katakana, elaborados a partir do kanji.


Origem de Man’yôgana
Durante muito tempo, os japoneses liam os kanji à moda chinesa e tentavam entender o significado de cada letra, já que os kanji são ideogramas, ou seja, a transcrição da idéia e não do som, como é o caso da maioria das letras existentes. Pouco a pouco, os japoneses passaram a escolher a palavra adequada para cada kanji e lê-lo à moda japonesa. Por exemplo, o kanji que significa inverno é , sendo a leitura chinesa “dong”; porém, como em japonês inverno se diz “fuyu”, o kanji passou a ser lido “fuyu” também.

À medida que as palavras japonesas também foram filtradas e unificadas, os japoneses tiveram a idéia de transcrevê-las aproveitando apenas o som, ou seja, a sua leitura, desprezando a idéia ou o significado do kanji. Por exemplo, “hana” (flor – ) passou a se escrever também , já que tem a leitura “ha” e , a leitura “na”. Esses ideogramas (kanji) empregados apenas como fonogramas receberam o nome de man’yôgana, já que foram utilizados na transcrição dos poemas japoneses reunidos na antologia intitulada Man’yôshu.


Criação do hiragana
A caligrafia empregada deixou de ser letras de traços retos e definidos, adotando o estilo cursivo, o chamado sôsho-tai, criado na China. Porém, no Japão, o estilo foi adquirindo características próprias, “simplificando” de tal forma os kanji a ponto de ficarem bem diferentes das letras originais. Desse estilo cursivo “simplificado”, nasceu o hiragana. Assim, o hiragana é um conjunto de letras mais curvilíneas.


Criação do katakana
Assim como o hiragana, o katakana também foi criado a partir dos kanji, mas possui características diferentes. O katakana surgiu como sinais gráficos para auxiliar na leitura de textos chineses, ou ainda, para serem inseridos nos poemas ou textos em estilo chinês, a fim de facilitar sua leitura e compreensão. Essas “letras complementares” ofereceram aos japoneses uma maior expressividade, já que podiam escrever com maior desenvoltura até diferenças delicadas e nuanças dos sentimentos.

O katakana foi criado com base em uma parte dos kanji, por isso seus traços são mais retos e rígidos.

O uso tanto do hiragana como do katakana consolidou-se no início do século X, em meados da Era Heian, e são empregados até os dias de hoje, concomitantemente com os kanji.


A literatura em kana = literatura da nobreza
Após a criação dos fonogramas kana, a literatura entre os nobres conheceu o seu apogeu, constituindo a era áurea dos waka – poemas japoneses. Esses poemas que enaltecem a natureza, as diferentes facetas das quatro estações e os elementos da natureza foram criados graças à existência dos kana. O modo de expressão dos poemas contribuiu muito na formação da consciência estética dos japoneses. Nos palácios do imperador e dos nobres, as reuniões para compor e apreciar os poemas tornaram-se cada vez mais freqüentes, deixando de ser apenas um simples passatempo das mulheres. Saber compor poemas tornou-se um importante requisito para manter um convívio social entre os nobres da corte. A falta de interesse pela política ocorreu na mesma proporção em que se ampliou o círculo literário da nobreza.


Obras clássicas
O Tosa nikki (Diário de Tosa) foi escrito por volta do ano 934, por Ki-no-Tsurayuki e incentivou muitas mulheres a escreverem diários, estimulando a criação de muitas literaturas do gênero.

Genji-Monogatari (Contos de Genji), escrito por Murasaki-Shikibu, por volta do ano 1001, é conhecido como uma obra literária clássica de maior volume. Descreve a elegante e requintada vida da corte, os sentimentos do personagem principal, Hikaru Genji, em relação às mulheres com quem se envolve e as intrigas pelo poder. Não se trata de uma simples ficção, mas se observa a preocupação de descrever os usos e costumes, assim como os pensamentos da Era Heian.

Makura-no-sôshi é uma crônica escrita por Sei-Shônagon sobre a vida na corte, que descreve de forma vivaz, com sensibilidade aguçada e com genialidade, os hábitos do cotidiano da corte.

Kokin Waka-shû é uma antologia de 20 volumes que reúne 1.100 poemas compilada por ordem imperial (chokusen-shû), datada do ano de 905.


Rivalidade entre duas literatas
Tanto a autora de Genji-Monogatari, Murasaki-Shikibu, como a de Makura-no-sôshi, Sei-Shônagon, pertenciam à classe média da nobreza e serviram à família imperial na mesma época. Foram duas mulheres que lideraram as tertúlias realizadas na corte. Sei-Shônagon possuía gênio forte, fazendo questão de exibir o seu talento. Murasaki-Shikibu, uma mulher mais recatada e retraída, escreveu críticas severas em relação a essa atitude “exibicionista” de Sei-Shônagon em seu diário.

Por serem os poemas a forma de literatura mais valorizada na Era Heian, as obras dessas duas mulheres, mesmo conquistando muitos leitores, ficaram relegadas a um segundo plano, encaradas como um passatempo de mulheres da corte. Ainda assim, a literatura da Era Heian floresceu graças às grandes mulheres.

O aikido em minha vida

Por Walter Amorim Sensei

Quando recebi a missão de escrever sobre como aikido mudou a minha vida, a minha maior preocupação não era de o que escrever, o tempo que arrumaria para fazê-lo. Pois tanta coisa tem ocorrido e minha agenda está tão cheia nesse ano que essa era minha preocupação.  Escrever sobre o aikido não é mais uma coisa difícil, pois está entranhado tão fortemente na minha vida que falar sobre ele é natural. Quem me conhece ou pede para falar sobre o aikido sabe. O problema talvez seja parar (risos)

Acho isso natural: Esse ano completo em março 20 anos de prática. Quando penso no aikido, o entusiasmo toma conta. Viro pregador. (Mais abaixo falo sobre esse problema). Então naturalmente posso falar. Esse entusiasmo deve ser o caminho de quem se dedica 20 anos a uma atividade desse tipo.

Em todos estes anos de experiência posso testemunhar muitas coisas certas sobre o aikido em minha vida.  O aikido tem a vantagem de poder ser dosado de acordo com as necessidades do praticante. Entretanto muita disciplina é necessária para avançarmos aos poucos, e dentro de nossos limites, pois também tem uma parte de cobrança física, à medida que nos aventuramos em exercícios mais avançados. Podemos encará-los ou não, é certo. Muitos praticantes começam em idade mais avançada, e em outras artes poderiam estar naquela idade já parando. No aikido existe essa vantagem, de poder iniciar em idades diversas, e ele nos remoçar por dentro. Mas é certo que, à medida que avançamos, vamos vendo nossos limites diminuírem como não esperávamos, mas temos que ter calma e evitar a precipitação.

Quando eu comecei aikido em 1990, eu estava procurando algo que não sabia ainda bem o que era. Que faltava em minhas aulas de karate.. O karate é maravilhoso e até hoje é uma excelente referencia. Mas eu não queria exatamente o lado competitivo, e apesar de, após a insistência de meu professor, ter me dado bem em um campeonato e nas competições internas no dojo, não era isso que procurava. Meu professor foi técnico da equipe carioca e posteriormente da brasileira de karate. Ele devia acreditar em meu potencial, e por isso, em retorno a sua dedicação para conosco, eu fui ao campeonato. Aí logo naquela época começaram a aparece aquele estilo wuku, voltado só para competição (marcação de pontos) e de efetividade e forma praticamente nenhuma. Foi a gota d’agua para desanimar. Com o lado competitivo. Não fui o único, pois posteriormente gerou uma cisão no shotokan, estilo que praticava. Mas o que me incomodava era que queria algo que, como disse, não sabia exatamente o que era. E que encontraria no aikido. O karate explorava um pouco do lado filosófico e espiritual, mas queria mais. E que pudesse a arte marcial moldar mais minhas reações frente ao mundo, ou seja, me preparar melhor para ele. Fiquei mas um tempo, mas por força de umas contusões dei uma meia parada de 1 ou 2 meses nas artes marciais. Aí surgiu por coincidência o aikido..

Já havia lido sobre ele e achei interessante, mas achei que esse tipo de arte não teria no Rio ( a grande Meca sempre foi São Paulo por causa  da migração oriental por lá)e em uma conversa com um amigo do trabalho naquele período de recesso estava falando que queria conhecer outras artes, talvez mudar um pouco. E ele me falou: “Por que não faz aikido? Estou fazendo um curso sobre budismo e o professor, que é monge budista, falou muito bem do aikido. Ele mesmo é faixa preta.” Disse que gostaria sim de conhecer, mas que ele deve ter aprendido em São Paulo e que aqui não tinha no Rio. Aí ele disse que tinha sim, tinha quase certeza. E que o professor dele sabia onde era. Sempre foi o problema doA ikido: Devido a ausência de competições a sua divulgação era pequena. Já estava desde 1963 no Rio e quase que desconhecido.  Hoje graças a Internet isso não ocorre. Eu mesmo acho que sou um grande divulgador. Voltando: Fui no curso de budismo pegar informações. O rapaz me recebeu muito bem e comecei na academia que me indicou.

Tinha visto e conhecia várias artes marciais e quando assisti não consegui entender muitas coisas do aikido. Comecei para conseguir pelo menos entender, pois como praticante de artes marciais por 5 anos no karate tinha perseverança.. Depois de 20 anos entendi tudo o que queria naquela época. Só que busquei outras coisas que quero assimilar mais e continuo mantendo aquele meu sentimento de que muito se tem a aprender.

O aikido, mas do que muitas artes possam propiciar no ocidente, te dá benefícios enormes. O que toda arte marcial, para ser arte marcial, deve dar. Justamente ela, que não tem competição.  De certa forma facilita.. Por não ter competição você fica atento e buscando todo o tempo os outros ganhos da arte marcial. Quando você tem competição ela ofusca um pouco os outros lados, os outros objetivos.  A idéia do  Aikido apresentar mais opções, do que lutar ou fugir também me atraiu. Eu particularmente gostei do controle da situação e do atacante. Não é preciso socar o nariz de alguém para controlá-lo.  Muitas vezes(quase sempre) gera mais conflito. O Aikido te dá à tranqüilidade de controlar a situação tanto mentalmente, como tecnicamente.  E mesmo se não se evitar o conflito e executando uma técnica pode-se evitar a agressão sem gerar mais conflito.

Mais ao longo deste tempo vi que o aikido exige perseverança pessoal e do grupo que resolve praticá-lo. Muitos são os obstáculos. Um deles é o local: Se você estiver em um local onde pode vivenciar a arte marcial em toda a sua completeza e ter tempo e orientação para desenvolver completamente, é ótimo. Entretanto, na nossa vida ocidental, muitas vezes a aula de uma arte marcial está encaixada em um pequeno local, no meio de uma grade de uma academia onde figuram diversas outras atividades. Comumente essas artes marciais ficam convivendo em meio a um barulho ensurdecedor de uma aula de “power lambo aerobic de verão” e somente pelo lado esportivo podem sobreviver. Nesses momento são lutas, ou esportes alternativos apenas, e atividades de academia. Deixam de ser arte marcial. Dificilmente estes locais podem moldar artistas marciais sem apoio. Sem outro local, outro campo onde possa se melhor explorado o caminho. Por isso o  aikido,  é o que tem mais dificuldade de se adaptar nesse locais. Possível é. Mas difícil. Arte marcial exige concentração e dedicação. Por isso os verdadeiros dojos são os melhores lugares. Ou as academias somente de arte marcial ou lutas. Espaços em academias são, para mim, transitórios ou auxiliares de outro local mais adequado. A não ser que tenham certo distanciamento próprio do caminho da arte marcial.

Outro obstáculo é termos adequadas referencias. Meus primeiros contatos, salvo exceções, foram excelentes referencias para conhecer e viver a arte em sua plenitude. Mas outros também serviram de exemplos do que não fazer. Principalmente como Sensei e difusor da arte.

Após o local e professor(es) adequados, acredito que a junção da dedicação, disciplina, vontade e estudo são os itens que irão sempre conduzir ao crescimento marcial.

Como beneficio o aikido me trouxe mais flexibilidade e determinação.  Assim como no aikido nada é rígido e enxergamos as portas por onde passar na execução das técnicas, o aikido vai te dando essa possibilidade de executar isso na vida, e continuar a caminhar sempre em sua evolução pessoal. Essa atitude me ajudou a responder aos argumentos com a minha mulher, os ataques do meu ex-chefe, e birras dos meus 3 anos de idade, dizendo: “Eu entendo que você está frustrados por … “(que estabelece a ligação)” … agora por favor ouvir o meu ponto de vista “.

No dojô freqüentemente falamos de experiências positivas em nosso dia-a-dia, em confrontos no trabalho, conflitos familiares e etc., sobre como a prática do Aikidô nos ajuda a encarar e vencer nossas dificuldades.

Quem não pratica Aikidô, ou outras linhas de Budô, tem duas dificuldades quando falamos sobre o aikido:  (1) podem interpretar como uma espécie de pregação e (2) só quem “sofre” e aprende com os treinos pode ter uma noção mais exata do que se trata aqui.  Praticantes de artes marciais, Ioga e outras atividades ligadas ao descobrimento pessoal, por exemplo, costumam passar por “pregadores”, em função do entusiasmo que transmitem ao discursar sobre o tema.  Acontece que a dificuldade, a exigência para se atingir ou chegar o mais próximo possível da perfeição, o cansaço da busca, a noção da linha fina que separa a vida e a morte, tudo o que é vivido no calor dos treinos ou na consciência da respiração de uma atividade como yoga não pode ser transmitido em um texto.

Minha própria experiência, entretanto, não restringe às artes marciais essa possibilidade de aguçar nossos sentidos.  Qualquer esporte praticado com dedicação pode também abrir essa possibilidade e mesmo outras práticas aparentemente não tão obvias deste esclarecimento (pelo menos para o pensamento ocidental), como jardinagem ou pintura. A diferença, para mim, está no foco que uma arte como o Aikidô tem justamente nesse tema.  Nas atividades e  esportes em geral essa certa “iluminação” se dá de forma mais sutil e como resultado secundário associado ainda ao comportamento do indivíduo (ninguém procura correr para atingir a iluminação, mas é impossível? Sempre que se olhar para dentro de si mesmo não será..). Nas artes marciais (naquelas que preservam e buscam ser artes marciais no sentido expresso) ela é uma conseqüência direta do que implicam os treinos e a verdadeira evolução na arte e não pode acontecer sem isso.

Além do aspecto do auto-conhecimento, há o do auto-controle diante das situações de estresse, pressão, medo.  Nos dois casos há uma ligação estreita, cabal, com a prática do Aikidô.

Isso é evidente para quem pratica, particularmente quando nos lembramos do controle da respiração durante o katá, acentuadamente no jiu waza  ou, dramaticamente, no Randori , diante de vários “oponentes” atacando de todas as direções, sob fortíssima pressão, exercitando a prática de não ser morto ou abatido.

Para quem duvida, aceite meu convite para experimentar!  O único detalhe é que a exigência de uma vida.  Alguns treinos ou mesmo apenas alguns meses, definitivamente não serão suficientes.  Venha preparado para um longo e muito agradável caminho, o “do”, de Aikidô.

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Só de passagem…

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
– Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.

E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:

– E onde estão os seus…?
– Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
– Mas estou aqui só de passagem!
– Eu também… – concluiu o sábio.

“A vida na Terra é somente uma passagem… No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de ser felizes.”

“NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL… SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA…”

Participação do Ganseki Dojo nos exames da academia central

Nos dias 17 e 18 de Abril de 2010 foram realizados na Academia Central, conforme programação, exames de Kyu e Dan, os primeiros no sábado e os de Dan no Domingo, 18, logo após o Yudanshakai.  Lá podemos acompanhar  um pouco de perto os exames de kyus e verificar como é feita a organização dos exames de forma a aprender um pouco da organização destes, o que é muito interessante para nós.  No domingo houveram exames de Shodan, Nidan e Sandan.

Entre estes, informamos que realizamos nosso exame para Sandan, onde fomos aprovados por unanimidade pela banca presidida pelo Sensei Rokudan Herbert, além de outros mestres da academia central de aikido.  Herbert Sensei é um dos mais antigos alunos de Kawai Sensei e responsável pela introdução do Aikido no Nordeste, missão esta designada pelo proprio Shihan Kawai.  Ficamos muito satisfeitos e honrados por ter sido afiançado, por banca de mestres tão importantes no Aikido Brasileiro, o resultado de todo nosso esforço e dedicação a arte até o momento. Com certeza continuaremos a perseguir nosso avanço e aprendizado.  Sabemos que muitos pontos têm que ser aprimorados.

Respeitosamente procuraremos sempre honrar a faixa a nós atribuída. Pelo aikido Brasileiro e em memória ao legado de Kawai Sensei sentimos como é grande a nossa responsabilidade. Desde que ingressamos na União Sul Americana, tem sido muito importante poder conviver com pessoas tão sérias e dedicadas ao aikido como as que lá estão.

Agradecimentos especiais a Alexandre Pierre, Jorge “Gito” Henrique, Waldecy Gonçalves e que foram de imensa ajuda colaborando como ukes na nossa preparação.

Um dos pontos importantes avaliados foram os movimentos de armas, Tanto, Boken e Jo. O treinamento de Aiki Tanto, Aiki Ken e Aiki Jo, assim como outros trabalhos de Jo e Bokken, levam a um aumento da compreensão da distância de Ma-ai, posicionamento, centralização do corpo, entre muitas outros benefícios. Este modelo de treinamento desenvolve boa postura e fortalecimento dos braços e ombros que em contra-partida ajudam na execução das técnicas de mãos vazias (Tai Jutsu).

Koshukai e Gashuku

Yudanshakai:  A maioria dos alunos conhece o termo: Treino de faixas-pretas. Mas vamos falar dos termos Koshukai e Gashuku.

Koshukai:  Seminário e treino geral, cujo principal objetivo é fornecer informações que contribuirão para um melhor aproveitamento do participante. Koshukai também promove a integração entre os praticantes de vários Dojos.

Poderão participar do Koshukai todos os praticantes independente da graduação.

Gashuku: Visa o aprimoramento técnico dos praticantes e professores. O objetivo do gashuku é estimular o potencial individual através de intenso treino e esforço coletivo, compartilhando as dificuldades e obstáculos, na busca do aprimoramento técnico. Poderão participar do gashuku todos os praticantes independente da graduação.

Definições literais:

講習会 (koushuukai) – こうしゅうかい – classe, pequeno curso;

Onde:

講 (Kou) – leitura, conferência, treinar;
習 (Shuu) – aprender;
会 (Kai) – encontro, reunião, associação.

合 宿 (gasshuku) – がっしゅく – pousada, habitar juntos, campo de treinos.

Onde:

合 (Gatsu) – juntar, unir;
宿 (Shuku) – pousada, alojamento, moradia.

Em uma abordagem superficial, podemos dizer que Kôshûkai se refere a um encontro “rápido” e que Gasshuku faz menção a um encontro mais demorado (no qual há necessidade de “habitar juntos”).

shushi não é sashimi

Dentre os que gostam muitos não sabem a diferença entre sushi e sashimi. Eu tinha postado um link sobre isso em 2003 mas o site saiu do ar. Por coincidência, desde terça-feira tem chovido gugonauta no PdBUT justamente procurando por isso – eu desconfio que é por causa da 11ª prova do Aprendiz 5, niqui a tarefa era gerenciar um restaurante japonês em São Paulo.

Grossíssimo modo, a base do sushi é o arroz. Não existe sushi sem arroz [e do jeito que vão os preços do arroz tipo japonês no mercado, logo não existirá mesmo]. Na foto que abre este post estão dispostos alguns tipos de sushi; cada formato recebe um nome e, dependendo do recheio, ainda um outro nome. O enrolado fino com alga por fora com apenas um recheio é o hossomaki: se o recheio for de atum é o tekamaki, se for de pepino é o kappamaki, etc.

O oniguiri, que já mereceu post exclusivo no PdUBT, pode ser feito de arroz puro, recheado, coberto, grelhado… com umeboshi, com missô, com natoo, com ovas de salmão, com fatias de polvo, com sashimi – e talvez daí venha a confusão.

O sashimi – com SA de sapato, por favor, e não XA conforme ouço muito – [também grossíssimo modo] é peixe cru.

Os sashimis mais tradicionais no Brasil são os de atum [vermelho amarronzado], salmão [cor de… errr… salmão], cavalinha [carne branca com pele prateada], pargo… mas outros peixes de carne firme podem ser usados. Eu troco atum por tilápia a qualquer hora, por exemplo.

Tanto no caso do sushi quanto no do sashimi a apresentação bonita conta muitos pontos [a gente também come pelos olhos, né? às vezes até literalmente, quando enche a cara de saquê e cai de testa na mesa, mas xápralá].

Resumindo: nem todo sushi leva sashimi.

Outra confusão que bastante gente faz é achar que todo sushi deve ser molhado no shoyu: não. A intenção do sushiman é que a pessoa identifique, diferencie os sabores, até os mais delicados. Regar sushi com shoyu deixa tudo com o mesmo gosto; pra que se dar o trabalho de combinar os ingredientes então?

O que é o Jodo ?

O que é o Jodo ?
(texto traduzido de:  The Evolution of Classical jojutsu, Dave Lowry )

Quando pensamos que é somente um pequeno pedaço redondo de madeira, fica mais intrigante ainda se imaginar que hiato fundamental o rígido jo preencheu na história e na evolução das disciplinas marciais do Japão. A espada comprida ou katana, foi a principal arma do guerreiro japonês e sem dúvida a mais desenvolvida em sua aplicação. A lança, que segundo a mitologia japonesa, foi banhada no vasto e nebuloso espaço vazio por um deus arcaico e de sua ponta alçada pingaram as gotas do firmamento que formaram as ilhas do Japão, tem uma conotação quase religiosa. E o bo, ou o bastão longo de madeira, é a arma mais antiga do Japão. Comparando, o humilde jo parece bastante plebeu. Mas, mesmo assim, o jo possui muito dos atributos de todas essas três reverenciadas armas: o golpe cortante da katana, a estocada da lança, e o golpe invertido e a indestrutibilidade do bo. Não é surpresa, portanto, que, com toda a sua simplicidade, uma vez começada a sua evolução, uma floresta de escolas e mestres logo apareceu para refinar e aperfeiçoar ainda mais o jo em uma arma formidável.

Traçar uma história do bastão curto em combate no Japão seria uma tarefa impossível, já que ela inicia no momento em que lá um aborígine pré-histórico empunhou para usar um pedaço de madeira morta. No Japão, com muitas florestas de carvalho e cedro, essa oportunidade deve ter ocorrido cedo e com freqüência. No entanto, não existem evidências quanto a existência de um método sistemático de combate com o bastão curto de madeira até a era Muromachi (1336-1600), quando a emergente classe dos samurai começou a incorpora-lo no primeiro ryu tradicional.

Quando o samurai usava o bastão de madeira, no entanto, ele escolhia quase que exclusivamente o bo, uma arma de comprimento entre 1,50 e 2,10 m, ignorando virtualmente qualquer bastão mais curto. Porque o jo era ignorado é um mistério, mas podemos aventar algumas hipóteses. Primeiro, o comprimento do bo fazia dele uma arma extremamente efetiva contra outras armas compridas como a lança e a naginata, ambas muito populares na época. Na verdade, em muitas escolas de bujutsu clássico o bo é empunhado e usado de maneira muito similar as técnicas com aquelas duas armas.

Dentre os primeiros ryu que incluíam o bojutsu em seu currículo estavam o Katori Shinto-, o Kashima Shinto- e o Takenouchi-ryu. O seu waza enfatizava o comprimento do bo, usando-o para atingir alvos distantes ou como um fulcro, girando-o numa velocidade terrível que podia fraturar ossos, assim como a espada de aço mais forte. Estima-se que ao fim da era feudal, por volta de 300 ryu tinham incluído o bojutsu em seu treinamento e mesmo aqueles bugeisha cujos estilos não incluíam o bo foram familiarizados com o seu uso e as melhores maneiras de se defender contra ele.

O bo típico, geralmente chamado rokushakubo, media em torno de 1,80 m, o que deve ser comparado com a estatura média do japonês naquela época, uns 30 cm mais curto. “Rokushaku” significa uma medida: um shaku equivale a 30 cm e “roku” é “seis”. A arma tinha um diâmetro um pouco maior de 3,5 cm. A maioria era maru-bo, circular. O hakaku-bo, no entanto, era octogonal e suas bordas angulosas e cortantes o tornavam brutalmente efetivo quando usado contra um alvo desprotegido. A maioria das técnicas usadas contra o bo envolvia o uso da katana para cortar o bo de madeira, reduzindo assim a sua eficiência. Às vezes o bo era protegido com tiras de ferro ou outro metal o que o tornava muito mais difícil de ser cortado.

Se não fosse pela ambição tenaz de um único homem, talvez o bastão curto tivesse permanecido como um fuzoku bugei, uma arma auxiliar do arsenal do guerreiro, nunca tendo o reconhecimento das outras armas de elaboração mais refinada.

O Shindo Muso-Ryu de Gonnosuke
Muso Gonnosuke Katsuyoshi nasceu no século 16 no Japão, numa época em que o Shogun Tokugawa Ieyasu estava empenhado em unificar toda a nação sob o seu domínio. Uma época em que os senhores feudais lutavam ferozmente entre si e as artes marciais passavam por uma transformação dramática que resultou num refinamento sem precedentes da técnica e dos métodos de treinamento. Vários ryu foram criados com a motivação de se aperfeiçoar os conceitos das escolas mais antigas e outros tiveram sua sistematização ampliada. Não é coincidência, considerando-se a violência da época e as oportunidades de luta, que a maioria dos mestres de artes marciais japoneses tenha vivido nesse período.

Katsuyoshi e Gonnosuke são nomes comumente usados por famílias samurai na época. Portanto, podemos supor que ele pertencia a um legado samurai. Além disso, consta em registros que Gonnosuke estudou no Katori Shinto-ryu e mais tarde no Kashima Shinto-ryu, se aprofundando no ensinamento de ambas as escolas. Não fosse ele de uma família tradicional, o ingresso em nenhuma desses ryu teria sido admitido.

Gonnosuke se interessou particularmente pelo bojutsu do Katori- e Kashima-ryu, se destacando nos ensinamentos de ambos os estilos. Ele viajou então para Edo (atualmente Tókio), onde adotou o costumeiro rito do musha shugyo. Trata-se da prática de visitar inúmeros dojo e mestres de diferentes escolas e solicitar instrução ou um desafio aberto. O Musha-shugyo podia ser perigoso, é claro. Mesmo os melhores artistas marciais tinham a sua cota de injurias. Mas, era uma excelente maneira de testar sua habilidade e de aprender o máximo possível sobre as estratégias dos outros estilos de arte marcial.

Gonnosuke deve ter sido extraordinariamente hábil com o bo, porque ele nunca foi derrotado em seus combates contra expoentes de outros ryu. Freqüentemente aproveitava a oportunidade para treinar em seus dojos, refinando a sua arte. Foi durante esse período de musha-shugyo que Gonnosuke se deparou com o espadachim Miyamoto Musashi.

Devem existir uma dúzia ou mais de relatos sobre as climáticas batalhas entre Musashi e Muso Gonnosuke, a maioria delas baseadas em pouco mais do que a fértil imaginação dos escritores de ficção. Além dos kodan (contos folclóricos), existem poucas informações sobre os duelos. Uma das fontes é o Niten-Ki, uma biografia sobre o Musashi que menciona o primeiro encontro deles. O Niten-Ki é uma coleção de contos sobre Musashi escrito por seus seguidores e conhecidos que só foram compilados em livro vários anos após a morte de Musashi. A sua descrição do conflito deve portanto ser encarada com ressalvas.

Segundo o Niten-Ki, o primeiro encontro entre Muso Gonnosuke e Musashi ocorreu quando Musashi encontrava-se perto de Kofu, nas vizinhanças de Edo. Musashi estava sentado num jardim trabalhando num arco que ele estava fazendo de amoreira. Sem nenhum aviso, Gonnosuke se aproximou e, dispensando qualquer introdução ou mesmo uma saudação, anunciou um desafio a Musashi e imediatamente lançou um ataque potencialmente fatal com o seu bo. Quase sem se levantar, Musashi evitou o ataque e contratacou, atingindo com maestria Gonnosuke com o pedaço de madeira que tinha em mãos. O livro registra esse incidente como tendo ocorrido depois das conhecidas batalhas de Musashi com a família Yoshioka e antes de ele se tornar um vassalo do clã dos Hosokawa, portanto, por volta de 1610. Musashi teria 20 e poucos anos, assim como Gonnosuke.

Essa derrota infame do jovem guerreiro Gonnosuke deve ter sido devastadora. Ele não estava ferido, a não ser em seu orgulho, mas a convicção em sua habilidade com o bo tinha certamente sido abalada. Decepcionado, ele retira-se para Kyushu, a ilha mais ao sul no arquipélago do Japão e que na época de Gonnosuke era uma fronteira selvagem e inóspita. Gonnosuke isola-se em Homan-Zan, uma montanha ao norte de Kyushu, cercada por florestas espessas, fontes de água quente e despenhadeiros profundos. Ele passa os dias em meditação e em práticas extenuantes com o bo, ao mesmo tempo em que realiza rituais religioso austeros. Passado um período dessa existência monástica, Gonnosuke teve um sonho.

Gonnosuke atribuiu ao seu sonho uma manifestação divina. Essas visões celestiais não eram inusitadas nas artes marciais do Japão antigo. Alguns ryu foram fundados, de acordo com seus pergaminhos e tradições orais, por mestres que tiveram uma revelação dos deuses quanto aos modos de combate. É um fenômeno tão antigo na história quanto um general Minamoto, Yoshitsune, que foi instruído na arte da guerra pelos tengu (espíritos alados das montanhas) que revelaram princípios de combate ao mestre da guerra quando ele era ainda uma criança. De modo geral, esse tipo de inspiração divina era anunciado quando o mestre afixava ao nome de seu recém nascido estilo os termos tenshin sho ou tenshin shoden. As palavras indicam que os fundamentos da arte resultam do tenshin, uma “presença divina”. O sonho de Gonnosuke foi preservado no detalhe, mas a sua revelação pode desapontar aqueles que esperam dele alguma iluminação. “Maruki o motte, suigetsu o shirei” (empunhe um bastão e assuma o controle dos elementos vitais). Essa foi a maneira como o próprio Gonnosuke o descreveu.

Embora abstrato, esse comando divino foi a inspiração que encorajou Gonnosuke a reavaliar a sua arma. Ele prontamente removeu vários centímetros de seu comprimento e passou a usa-lo de uma maneira totalmente inovadora. Esse evento marca o nascimento do Shindo Muso-ryu e também o começo do jo. Gonnosuke se referia a sua arte como Shindo Muso, ou o Divino Caminho do Pensamento Sonhado. Treinando sozinho, ele acumulou uma variedade de estratégias com o bastão mais curto que eram especificamente projetadas para anular o ponto forte das outras armas do bugeisha (principalmente a espada) e a explorar suas fraquezas.

Com esse conhecimento, Gonnosuke deixa seu retiro na montanha a procura do homem que o tinha derrotado tão facilmente. Ele não precisou procurar muito, pois Musashi estava também na ilha de Kyushu empregado a serviço do Lorde Hosokawa. Mais uma vez Gonnosuke desafiou Musashi e os dois se engajaram em uma luta furiosa. Não é possível saber exatamente com que técnica Gonnosuke derrotou Musashi, mas o fato é que Musashi foi totalmente e convincentemente derrotado, pela única vez em sua vida. O espadachim mais célebre e pitoresco do Japão foi superado pela arte do simples bastão. Se Gonnosuke fosse um homem de qualidade inferior, ele certamente teria alardeado a sua vitória e acumulado uma fortuna ensinando a sua arte. Mas, os anos de auto exílio tinham mudado a sua personalidade. Uma vez provada a eficácia de sua nova arte ele se retirou tranqüilamente, aceitando uma posição de professor de artes marciais no clan dos Kuroda em Kyushu. Para um numero seleto de alunos ele revelou a arte de seu jo, mas o estilo Shindo Muso permaneceu como um assunto de okuden (ensinamentos secretos).
Por muitos séculos, os segredos do jojutsu foram transmitidos cuidadosamente e sigilosamente. Ao longo do tempo, alguns bugeisha especialistas adicionaram suas próprias contribuições e ao estilo Shindo Muso de jo foi acrescentado métodos de esgrima do Shinto ryu, como também os dos ryu que lidavam com a foice e a corrente e com as técnicas de amarrar o oponente com um pequeno pedaço de corda (hojojutsu).

Outras Escolas
No entanto, a evolução subseqüente do jo não ocorreu somente pelos esforços do Shindo Muso-ryu. Os pesquisadores de artes marciais estimam que perto de 350 outros bugei-ryu clássicos adotaram posteriormente várias técnicas de jo em suas escolas. Os métodos do jojutsu clássico, compreendidos nos kata desses ryu são incrivelmente variados, lidando com todas as situações possíveis em que um praticante possa se encontrar. Como em todos os koryu tradicionais, a maiorias das técnicas de jo compreendem movimentos que tem o objetivo de neutralizar um ataque de um espadachim, sendo a katana a principal arma do artista marcial feudal. Mas nesses kata estão incluídos também uma variedade de técnicas voltadas para o uso em espaço confinado, ou contra inúmeros oponentes ou quando envergando uma armadura.

Uma vez provada por Gonnosuke a eficiência do bastão mais curto em combate, o seu método passou por inúmeras experimentações e alterações. Alguns bugeisha mostraram interesse especial em explorar as possibilidades desta arma despretensiosa. Inúmeras artes se desenvolveram a partir daí empregando o bastão de diferentes tamanhos. Daquelas que ainda sobreviveram em nosso século em uma forma reconhecível se destacam o han-bo e o tanjo. Os bastões, em ambos os casos, são mais curtos ainda do que o jo e podem ser usados para imobilizar a arma ou a articulação do oponente amarrando-o ou aplicando uma coleção de torções dolorosas e incapacitantes nas juntas. Assim como o jo mais comprido, eles também poderiam ser usados para bater ou estocar. Devido a sua praticidade eles passaram a ser adotados pela policia no Japão e usados, junto com o jo, em situações de turbulência onde o uso de armas de fogo não era recomendável. O meio seletivo de se transmitir a arte continuou porem até o início do século 20. Em 1907, sob a tutelagem de Hanjiro Shirata, o 24° seguidor do Shindo Muso-ryu, um bugeisha chamado Takaji Shimizu começou o seu treino em jojutsu. Em 1914 lhe foi concedido o menkyo (licença) completo para ensinar. Shimizu, que também era um especialista em várias outras artes clássicas de combate do Japão, pesquisou em detalhe as técnicas de jojutsu. Em 1927, a pedido da Agencia Nacional de Policia em Tóquio, ele e Ken’ichi Takayama, outro mestre do ryu, demonstraram o jojutsu como um possível auxílio para a ação policial. Shimizu foi indicado para instrutor da policia e uma unidade foi selecionada especialmente para aprender a arte. Essa sub especialidade do jo é chamada de keijojutsu – a arte do bastão policial.

Foi somente nos anos 50 que o jojutsu passou a ser ensinado ao publico em geral e, mesmo assim, as qualificações para ingressar no dojo eram severas e o número de estudantes limitado. No inicio dos anos 60, após muita consideração e estudo, Takaji Shimizu decidiu mudar o nome de sua arte de jojutsu para jodo. Essa modificação refletia as inúmeras alterações que Shimizu promoveu na arte. Ele eliminou do treino regular (mas não inteiramente do currículo) várias técnicas que podiam ser perigosas para praticantes menos hábeis. Ele instituiu o treinamento em movimentos básicos para refinar mais ainda o ensino e, o mais importante, ele direcionou a arte do jo como um Caminho, um budo, cujo objetivo não era um meio de combate mas uma disciplina através da qual se busca a auto perfeição.
Hoje em dia o jo é praticado em todo o mundo. É um nobre exemplo de como os valores do budo clássico podem beneficiar a sociedade moderna mantendo as forças e a profundidade de outros tempos.

Kimono

Vestuário” em japonês fala-se ifuku. Cristiane A. Sato, colaboradora do site CULTURA JAPONESA, aborda neste artigo a história e a evolução do vestuário tradicional no Japão, e de como foi sempre fazendo parte da moda que o kimono não apenas tornou-se reflexo da cultura, como mantém-se vivo no cotidiano dos japoneses há mais de 2 mil anos.

Observação: neste artigo adotou-se a grafia Hepburn kimono, embora também seja considerada correta a grafia “quimono”, uma vez que expressão que já se encontra incorporada ao português e consta dos dicionários da língua portuguesa.

RESPOSTA A UMA PERGUNTA

Kimono em japonês significa literalmente “coisa de vestir”. Fora do Japão essa expressão designa genericamente uma variada gama de peças e que no conjunto formam um visual considerado típico ou tradicional japonês, mas também é sinônimo da peça principal. No Japão, a peça principal que nós chamamos de kimono é chamada de kosode.

O atual significado da palavra de kimono tem origem no século XVI, quando navegantes ocidentais – principalmente portugueses, espanhóis e holandeses – chegaram ao arquipélago. Nos primeiros contatos com os japoneses, sem conhecerem os idiomas de uns e de outros, os ocidentais perguntavam com mímicas e gestos qual era o nome das roupas de seda que viam os japoneses usarem, e os japoneses respondiam kimono. Era como alguém perguntando a um japonês: “Como se chama sua roupa?” E o japonês respondia: “Roupa”. Foi assim que a palavra kimono tornou-se designação moderna do vestuário tradicional japonês.

No Japão o vestuário divide-se em duas grandes categorias: wafuku (vestimenta japonesa ou de estilo japonês) e yofuku (vestimenta ocidental ou de estilo ocidental).

A história do vestuário japonês é em grande parte a história da evolução do kosode, e de como os japoneses adaptaram a seus gostos e necessidades estilos e a produção de tecidos vindos do exterior.

NA ANTIGÜIDADE

Não se sabe ao certo como eram as roupas usadas na Pré-história japonesa (Era Jomon – 10 mil a.C. a 300 a.C.), mas pesquisas arqueológicas indicam que provavelmente as pessoas usavam túnicas de pele ou de palha. Na Era Yayoi (300 a.C. a 300 d.C.) a sericultura e técnicas têxteis chegaram ao Japão através da China e da Coréia.

O Príncipe Shotoku e dois de seu filhos: penteados, túnicas e acessórios de forte inspiração chinesa na corte imperial japonesa.

Dos séculos IV a IX, a cultura e a corte imperial no Japão receberam forte influência da China. Influenciado pela recém-importada religião budista e pelo sistema de governo da corte Sui chinesa, o regente japonês Príncipe Shotoku (574-622) adotou regras de vestuário estilo chinês na corte japonesa. Posteriormente, com o advento do Código Taiho (701) e do Código Yoro (718, eficaz só a partir de 757), as roupas na corte mudaram seguindo o sistema usado na corte Tang chinesa, e foram divididas em roupas cerimoniais, roupas de corte, de roupas de trabalho. Foi nesse período que passou-se a usar no Japão os primeiros kimonos com a característica gola em “V”, ainda similares aos usados na China.

OPULÊNCIA TÊXTIL

Na Era Heian (794-1185) o contato oficial com a China foi suspenso pela corte imperial, e esse afastamento permitiu que formas de expressão cultural genuinamente japonesas florescessem nesse período. No vestuário isso se refletiu em um novo estilo, mais simples no corte, mas mais elaborado em camadas e sofisticação têxtil.

Os homens da aristocracia passaram a usar o sokutai, um conjunto formal composto por uma ampla saia-calça chamada oguchi, cuja aparência recheada e firme se deve a várias camadas de longos kimonos por baixo chamados ho, e uma enorme túnica bordada, de mangas longas e amplíssimas e uma cauda de cerca de 5 metros. Uma tabuleta de madeira chamada shaku e uma espada cerimonial longa, a tachi, eram complementos obrigatórios.

Os homens ainda deviam usar um penteado chamado kammuri – composto basicamente por um chapeuzinho sólido preto e uma ou mais fitas de seda engomadas na vertical, tudo preso ao cabelo. De acordo com variações (haviam 5 delas, referentes a quantidades de fita, se ela enrolada, se ela pendia do chapéu, etc), sabia-se o status ou grau de importância do indivíduo na corte. Uma versão simplificada do sokutai, o ikan, é usada atualmente pelos sacerdotes xintoístas.

As damas da corte usavam o igualmente amplo e impressionante karaginumo, mais conhecido pelo nome adotado após o século XVI jûni-hitoe, ou “as doze molduras da pessoa”. Trata-se de um conjunto de nada menos que doze kimonos da mais fina e luxuosa seda sobrepostos chamados de uchiki, cada um levemente mais curto que o anterior, de modo a deixar golas, mangas e barras aparecendo em discretas camadas, criando um efeito multicolorido de impacto.

O último uchiki, que serve de sobretudo, era bordado e era freqüentemente complementado por um cinto amarrado à frente em forma de laço no mesmo tecido, e uma cauda que podia ser em outra cor ou textura. Um enorme leque decorado com cordões de seda e um tipo de carteira de seda, encaixada na gola entre a 3ª e a 4ª camada, eram complementos obrigatórios. As mulheres não cortavam os cabelos: eram usados longuíssimos, lisos, soltos sobre as costas ou simplesmente amarrados um pouco abaixo da altura do pescoço, freqüentemente com as pontas arrastando no chão sobre a cauda do jûni-hitoe.

Reprodução moderna de um jûni-hitoe, usado na Era Heian (794-1185).

ESTILO SAMURAI

Na Era Kamakura (1185-1333), o advento do xogunato e o declínio do poder e do prestígio da corte imperial trouxe ao vestuário novos estilos adotados pela ascendente classe dos samurais. Na corte imperial e do xogum os grandes senhores e oficiais mais altos ainda usavam o formal sokutai, mas o kariginu, antes um traje de caça informal da aristocracia – um tipo de capa engomada com gola arredondada, longas e amplas mangas que podiam ser decoradas com cordões – foi amplamente adotado pelos senhores feudais e samurais.

As mulheres passaram a usar uma combinação de uchikis com um hakama, saia-calça ampla com placa de sustentação nas costas, usada também por homens. Com o tempo, uso do uchiki deu lugar ao kosode, que comparado ao uchiki é menos amplo, tem mangas mais curtas, e cuja forma aproxima-se mais dos kimonos modernos. A amarra para fechar o kosode era feito com faixas estreitas, na altura da cintura ou pouco abaixo da barriga.

Uchikake usado em peças Nô, confeccionado no século XVIII – National Museum, Tokyo

Na Era Muromachi (1333-1568) acrescentou-se o uchikake – também chamado de kaidori – um kimono com a mesma forma mas um pouco mais amplo que o kosode, que serve de sobretudo e que podia ou não ter barra almofadada. O kosode com uchikake era o traje formal feminino das altas classes. Hoje em dia o uchikake faz parte do traje de noiva tradicional.

Na Era Azuchi-Momoyama (1568-1600), período marcado por constantes guerras pelo poder entre os generais Hideyoshi Toyotomi e Nobunaga Oda, os samurais continuaram a usar coloridos e ricos conjuntos de peças superiores com calças, chamados de kamishimo – um kimono masculino com uma saia-calça ampla, longa e estruturada chamada nagabakama, tudo feito no mesmo tecido, às vezes complementado por uma jaqueta sem mangas, com ombros alargados e estruturados em tecido diferente. O kamishimo continuou sendo usado até a segunda metade do século XIX.

GOSTOS BURGUESES

Durante os 250 anos de paz interna do xogunato Tokugawa (1600-1868), os chõnin (burgueses, ricos comerciantes) deram apoio a novas formas de expressão artística e cultural que não mais derivavam da corte imperial ou da corte do xogum. O teatro kabuki e os “bairros do prazer” nas cidades de Edo (Tóquio), Osaka e Kyoto ditavam moda. O kosode, que se tornou o traje básico para homens e mulheres, passou a ser mais decorado, seja pelo desenvolvimento de técnicas de tingimento como yuzen e shibori, seja por outras técnicas artesanais de decoração têxtil com pintura, bordados e desenhos desenvolvidos no tear. Os obis femininos, faixas largas e compridas usadas para fechar os kosodes, feitos em brocado com fios de ouro e prata, ganharam ênfase na moda e viraram símbolos de riqueza.

A haori, uma jaqueta com mangas amplas e gola estreita feita de seda, na qual bordava-se ou imprimia-se símbolos que representavam a atividade profissional da pessoa ou a insíginia (kamon, ou escudo circular) do chefe da família, passou a ser amplamente usado. Uma versão popular, de mangas mais estreitas, feita em tecido mais simples e resistente, passou a ser usada por trabalhadores e funcionários de estabelecimentos comerciais. Chamada de happi, essa peça ainda é muito usada.

Algumas peças surgidas no início desse período refletem influência portuguesa. A kappa (capa longa de corte circular, com ou sem gola, sem mangas, usada como sobretudo) deriva das capas usadas pelos navegantes portugueses, assim como a jûban (camisa com forma de kimono curta usada como roupa de baixo) deriva do “gibão” português.

Seibunkasha

No século XIX, o xogunato refez as normas de vestuário militar, e tornou o kosode, o hakama com barra na altura do tornozelo e o haori o uniforme-padrão dos samurais.

O daisho (conjunto de duas katanás – espadas curvas – uma longa e outra curta) e o penteado chonmage – a parte acima da testa é raspada, com os cabelos, compridos na altura dos ombros, presos em forma de um coque na parte superior atrás da cabeça – eram de uso obrigatório.O conjunto kosode, hakama e haori é hoje o traje do noivo em casamentos tradicionais.

TEMPOS MODERNOS

A partir da Restauração Meiji (1868), os japoneses lentamente adotaram o vestuário ocidental. O processo começou por decreto: o governo determinou que todos os funcionários públicos, militares e civis, passassem a usar roupas ou uniformes à ocidental. Ao final da 1ª Guerra Mundial (1918), quase todos os homens já usavam ternos, camisas, calças e sapatos de couro.

As mulheres adotaram mais lentamente os estilos ocidentais. No início apenas a aristocracia usava vestidos de gala, importados da Europa, usados em algumas ocasiões formais na corte Meiji e em bailes do suntuoso salão Rokumeikan (de 1883 a 1889) em Tóquio. A partir da 1ª Guerra Mundial, mulheres instruídas e com profissões urbanas passaram a usar diariamente roupas ocidentais, mas só após a 2ª Guerra Mundial (1945) foi que o vestuário ocidental passou a ser a regra em todas as classes sociais, homens mulheres e crianças.

Fashion kimono: temas abstratos, geométricos e estamparia moderna e o insubstituível toque da seda fizeram as japonesas voltarem a usar kimonos no século XXI – Saita Mook, Shiba Park-sha

Atualmente a maioria das mulheres usam kimonos apenas em ocasiões especiais, como casamentos e matsuris (festivais populares ou tradicionais). Homens usam kimonos ainda mais raramente. O yukata, kimono leve de algodão estampado, típico de verão, ainda é bastante usado por homens e mulheres nos festivais de verão e em resorts, à ocidental ou estilo japonês. Desde a virada do milênio, entretanto, mais pessoas têm resgatado o uso do kimono no cotidiano, gerando um movimento informalmente apelidado de fashion kimono – kimonos de forma tradicional mas com estampas modernas, obis (faixas de amarrar na cintura) que não amarrotam ou com nós prontos, que agradam a um público mais jovem.

TIPOS DE KIMONOS

Kurotomesode
Sekaibunkasha

Parece simples, mas não é. Dependendo de estampas e cores, os kimonos seguem uma etiqueta, uma hierarquia cujo uso depende da ocasião, da estação do ano, do sexo, do grau de parentesco ou do estado civil da pessoa que o usa. Veja a seguir os principais tipos de kimono:

Kurotomesode

“mangas curtas preto”, kimono preto com profusa decoração das coxas para baixo e com 5 kamons (escudos de família) impressos ou bordados em branco nas mangas, peito e costas. Usado com um obi de brocado dourado, é o kimono mais formal das mulheres casadas, geralmente usado pelas mães do noivo e da noiva num casamento.

Irotomesode

“mangas curtas colorido”, kimono liso de uma só cor, geralmente em tons pastéis, com profusa decoração das coxas para baixo e com 5 kamons (escudos de família) impressos ou bordados em branco nas mangas, peito e costas. Usado com um obi de brocado dourado, é um kimono menos formal que o kurotomesode, e é usado por mulheres casadas que são parentes próximas dos noivo e da noiva num casamento.

Furisode

“mangas que balançam”, kosode feminino cujas mangas possuem 70 cm a 90 cm de comprimento. É o kimono formal das moças solteiras, ricamente estampado, fechado com obi em brocado multicolorido e brilhante amarrado em grandes laços nas costas.

É geralmente usado no Seijin Shiki (Cerimônia da Maturidade, no mês de janeiro no ano em que a moça completa 20 anos) e pelas moças solteiras aparentadas da noiva nas cerimônias e recepções de casamento.

Jovem em furisode.

Acima, detalhe do laço do obi nas costas.
Akemi Moriguchi, arquivo pessoal.

Houmongi

“traje de visita”, kimono liso de uma só cor, geralmente em tons pastéis, com profusa decoração em um dos ombros e uma das mangas, e das coxas para baixo, sem kamons (escudos de família). Considerado um pouco menos formal que o irotomesode, em cerimônias de casamento é usado por mulheres casadas ou solteiras, que geralmente são amigas da noiva. O houmongi também pode ser usado em festas formais ou recepções.

Tsukesage

Comparado ao houmongi, o tsukesage tem uma decoração um pouco mais discreta e é considerado menos formal que o houmongi. Dos kimonos que podem ser usados diariamente por casadas e solteiras, é o mais requintado.

Iromuji

kimono de uma só cor, que pode ter textura mas sem decoração em outra cor, usado principalmente em Cerimônias do Chá. Pode ter um pequeno bordado decorativo ou um kamon (escudo de família) nas costas. É um kosode semi-formal, considerado elegante para uso diário.

Komon

“estampa pequena”, kimono feito com seda estampada com desenhos pequenos repetidos por toda a peça. Considerado casual, pode ser usado para sair pela cidade ou para jantar em um restaurante. Pode ser usado por casadas e solteiras.

Tomesode

“mangas encurtadas”, kosode feminino de seda, forrado em seda de cor diferente, cujas mangas possuem 50 cm a 70 cm de comprimento. A expressão deriva do costume de que quando as mulheres se casavam elas passavam a usar kimonos com as mangas curtas – ou cortavam as mangas dos kimonos – como símbolo de fidelidade ao marido. A maior parte dos kosode usados por mulheres são desse tipo.

Homem em Yukata.
Sekaibunkasha

Yukata – kimono informal de algodão estampado, sem forro. Mulheres usam os de grandes estampas, geralmente de flores, com obi largo, e os homens usam os de pequenas estampas, com obi estreito.

O yukata é mais usado em matsuris (festivais), mas também pode ser usado diariamente em casa.

Ryokans (hotéis ou pousadas tradicionais) e onsens (resorts com termas) costumam disponibilizar yukatas para todos os hóspedes.

KIMONOS CERIMONIAIS INFANTIS

Shichi-go-san (7-5-3) é o nome de uma cerimônia xintoísta na qual as meninas e 7 e 3 anos, e os meninos de 5 anos de idade, vestem kimonos especiais e visitam o templo para pedir saúde e boa sorte em seu crescimento.

As meninas são vestidas como mini-gueixas, destacando-se a cor vermelha, e os meninos usam uma versão miniatura de um traje formal completo de samurai. A haori dos meninos são estampadas com imagens de samurais famosos (normalmente a figura de Minamoto no Yoshitsune, também chamado de Ushiwakamaru, herói do Heike Monogatari – O Conto de Heike).

Menina com o kimono comemorativo de 3 anos – Sekaibunkasha.

Menino com o kimono comemorativo de 5 anos – Seikaibunkasha

Menina com o kimono comemorativo de 7 anos – Sekai- bunkasha

DETALHES

Eis a seguir um vocabulário sobre aspectos e acessórios de kimonos:

Geta

Sandália de madeira, geralmente usada por homens e mulheres com yukata.

Kanzashi

Nome que designa uma série de ornamentos para o cabelo usados com kimono. Podem ter a forma de espetos com terminais esféricos ou diversos formatos decorativos, flores ou de pentes. São feitos em madeira laqueada, tecido, jade, casco de tartaruga, prata, etc.

Obi

Faixa usada amarrada à cintura para manter o kimono fechado. Varia em largura e comprimento. Homens em geral usam obis de trama larga e firme, em cores discretas, estreitos, amarrando com um nó às costas circundando a linha abaixo da barriga. Mulheres em geral usam obis em brocado largos, com desenhos feitos no tear, ao redor do tronco e amarrados às costas. Cores e desenhos variam: os mais brilhantes e intrincados são usados em ocasiões formais.

Obijime

Cordão decorativo em fio de seda usado para dar acabamento e firmeza à amarra do obi. Usado por mulheres.

Tabi

Meia de algodão na altura dos tornozelos ou metade das canelas, com divisão para o dedão do pé, com abertura voltada para o lado entre as pernas.

Waraji

Sandálias de palha trançada. Bastante comum décadas atrás, atualmente são mais usadas por monges.

Zõri

Sandália com acabamento em tecido, couro ou plástico. Os femininos são estreitos e possuem a ponta mais ovalada, e os masculinos são mais largos, retangulares, com as extremidades arredondadas.

Fonte: www.culturajaponesa.com.br

Renda-se à comida japonesa!

(Texto: Redação/ipcdigital.com )

Não é por acaso que a maioria da população japonesa tem uma silhueta esbelta e está entre os povos com maior longevidade no planeta. Um dos segredos é a alimentação, considerada uma das mais ricas, saudáveis e equilibradas do mundo. De acordo com nutricionistas, o que faz tanta diferença é a harmonia entre os ingredientes.

O hábito de consumir proteínas, fibras e carboidratos no desjejum, com a ingestão de arroz, peixe, verduras (asagohan) e missoshiru (sopa de missô, pasta de soja) é tido como um dos responsáveis pelo baixo índice de obesos no país. Completam esse cardápio nas refeições principais mais peixes (crus ou grelhados), algas de diversos tipos, alimentos à base de soja, verduras e legumes cozidos.

LEVE E SAUDÁVEL
Confira quantas calorias possuem algumas iguarias da culinária japonesa:

sushi de salmão
65 kcal
sushi de atum
45 kcal
sushi de atum gordo (toro)
72 kcal
sushi de pargo (tai)
43 kcal
sashimi de salmão (100 g)
211 kcal
sashimi de atum
146 kcal
tekkamaki (atum)
25 kcal
tekkamaki (pepino)
17 kcal
tempurá (uma unidade)
50 kcal
shiitake (100 g)
25 kcal
missoshiru (100 ml)
50 kcal
shoyu (100 ml)
134 kcal
saquê (100 ml)
133 kcal
kani (unidade)
20 kcal

Para o estrangeiro que está no Japão vale a pena investir nesse tipo de alimentação, em benefício da saúde.  Cientistas já compravaram, por meio de diversas pesquisas, que certas doenças, como as do coração, a osteoporose e até certos tipos de câncer podem ser evitados com uma alimentação saudável e balanceada. Entre esses nutrientes, muitos são encontrados nos ingredientes que compõem as refeições do dia-a-dia japonês.

Também o sushi, um prato aparentemente simples, é rico em proteína e minerais como cálcio, fósforo e ferro. O vinagre adicionado ao arroz possui propriedades antibacterianas, além de prevenir a fadiga e diminuir o risco de arteriosclerose e hipertensão.

Não dispense nem mesmo o nabo cortado em tiras finas que acompanha o sashimi. O comumente chamado tsuma tem enzimas digestivas que auxiliam na digestão de gorduras, facilitando o trabalho do organismo. Já os mariscos têm propriedades rejuvenecedoras, sobretudo para a pele.

Soja poderosa

Mais poderes tem o missoshiru, com benefícios principalmente para as mulheres. Segundo estudos realizados no ano passado pelo Centro Nacional de Câncer do Japão, tomar a sopa com freqüência pode reduzir os riscos do câncer de mama. Os pesquisadores acompanharam, durante uma década, os hábitos alimentares de 21,8 mil mulheres entre 40 e 59 anos e descobriram que aquelas que tomavam mais de três tigelas de missoshiru por dia tinham 40% menos chance de ter câncer de mama do que as que tomavam apenas uma tigela diária. Quem tomava duas tigelas por dia reduzia as chances da doença em 26%. No entanto, a pesquisa alerta: tomar missoshiru demais faz mal à saúde, devido à quantidade de sal.

Os benefícios são graças à soja (da qual o missô, a base da sopa, é feito), rica em isoflavona, que age como o hormônio feminino estrogênio, cuja falta pode provocar problemas para a mulher.

SAÚDE NO PRATO DO DIA-A-DIA

PEIXE CRU: o peixe não exposto ao calor contém um ácido que reduz o colesterol e previne a hipertensão. Alguns tipos de peixe, como a cavala (saba) e o salmão, possuem alto teor de ômega 3, que ajuda a diminuir o colesterol total e a ocorrência de alguns tipos de câncer. Também são ricos em proteínas e importantes fontes de vitamina B1, A, D e E, além de cálcio, sódio, zinco e fósforo.

• ARROZ: é a base da alimentação dos japoneses. O grão contém ferro e aminoácidos essenciais para o organismo.

• SUSHI: o arroz possui grande quantidade de vinagre, que ajuda a ativar a circulação.

• TOFU: fabricado com leite de soja, é importante fonte de proteínas. É isento de colesterol, pouco calórico e possui fitoesteróides (substâncias que produzem efeito semelhante aos hormônios).

• UMEBOSHI: um antigo provérbio japonês já diz tudo: “Um umeboshi por dia e chegamos aos cem anos de vida”. Também contém substâncias com poderes antibióticos e de neutralizar o acúmulo de ácidos no organismo.

• CHÁ VERDE: segundo estudos, tomar pelo menos cinco xícaras de chá verde por dia (com acompanhamento médico) reduz a possibilidade de ter um derrame. Além disso, a bebida é antibiótica e antioxidante.

• SOJA: são muitos os produtos no Japão feitos à base de soja, como tofu, missô, shoyu, nattoo e age. Dependendo da época, o grão pode ser encontrado in natura, ou torrado como se fosse amendoim. Possui várias proteínas que ajudam a reduzir o colesterol ruim e a aumentar o colesterol bom, além de prevenir doenças do coração, certos tipos de câncer e osteoporose. Vinte e cinco gramas por dia de soja reduz o colesterol total em 9,3%; o de colesterol ruim, em 12,9%; e os triglicérides, em 10,5%.

• ARAME: alga rica em cálcio, ferro e outros minerais. Não tem caloria e pode ser preparada com outros vegetais. É colhida só no Japão.

• HIJIKI: esta alga é rica em ferro, cálcio e proteínas.

• WAKAME: possui proteína, ferro e magnésio. Esse tipo de alga é muito usada no missoshiru.

• KOMBU: alga muito rica em minerais. Ajuda na digestão das fibras.

• NORI: rica em vitamina A e proteínas. Este tipo de alga também possui cálcio, ferro, vitaminas B1, B2, C e D.

ALIMENTOS QUE FAZEM MUITO BEM

Vários outros alimentos aos quais os brasileiros estão acostumados também podem ser tão saudáveis quanto a comida japonesa. Basta saber prepará-los de forma a preservar ao máximo suas propriedades, sem incorporar ingredientes calóricos. Confira:

• Feijão: o alimento número 1 dos brasileiros possui fibras que reduzem o mau colesterol. Também ajuda na prevenção de câncer e de doenças cardíacas. É rico em carboidratos complexos, que saciam a fome e queimam a energia de forma lenta.

• Cenoura: possui betacaroteno, um poderoso antioxidante. É rica em vitamina A, que é boa para olhos, cabelos e pele. Também protege contra alguns tipos de câncer.

• Brócolis: previne cálculos renais.

• Banana: previne doenças do coração, derrames e problemas do estômago e intestino, por possuir vitamina B6 e o triptofano, que ajuda a combater a ansiedade. É rica em potássio, que evita cãibras.

• Nozes e castanhas: reduzem os riscos de câncer e de doenças do coração. Possui vitamina E, que previne a catarata, e potássio, que reforça a imunidade. A castanha-do-pará é uma rica fonte de selênio, que tem função antioxidante. Nesse grupo, estão ainda o amendoim, o pistache e a castanha-de-caju.

• Iogurte e cebola: contribuem para prevenir a candidíase.

• Batata e maçã: ajudam a combater a diarréia.

• Azeite de oliva: é rico em vitamina E. Ajuda a combater os radicais livres e a controlar doenças como diabetes e artrite reumatóide. Também previne câncer de próstata, de cólon e de mama, e ajuda a proteger o coração, diminuir o mau colesterol e aumentar os níveis do colesterol bom.