Seminário em Junho – Tsuruzo Miyamoto

Os nossos amigos do Círculo do Aikido estarão realizando um Seminário Internacional em junho com o Sensei ao qual está hoje ligado o Fundador do Círculo, Gentil Sensei, e seus alunos. O nome do Sensei é Tsuruzo Miyamoto.

A taxa de Seminário fica em 150,00 Reais e mais 50,00 Reais adicionais para os pretas que forem participar do treino adicional de sexta-feira. Os valores poderão ser pagos em 2x e terá 10% de desconto para os grupos acima de 10.

Maiores informações podem ser obtidas pelo site: www.circulodeaikido.com.br.

A progressão das técnicas do Aikido de básicas a avançadas

por George Ledyard  Published Online

Uma área de muita confusão no Aikido é a relação entre a prática avançada e os fundamentos básicos da técnica. A visão de Morihei Ueshiba andando imperturbável rodeado por atacantes que parecem incapazes de tocá-lo e que, ao contrário, voam em todas as direções com pouco ou nenhum contato físico, é a que a maioria dos praticantes de Aikido tem visto. O Interessante é que não existe um consenso geral ou ponto de sobre o que o O-Sensei, Fundador do Aikido, estava realmente fazendo quando ele apresentava o seu Aikido ao público. Entre tantos estilos diferentes de Aikido e entre um grupo ainda maior de instrutores, muitos dos quais tendo treinado com o próprio Fundador, quase não existe um consenso sobre quando e como a arte progride de suas bases, que diferem pouco de estilo para estilo ou instrutor para instrutor, para o nível “Avançado”. Para alguns professores Aikido “avançado” se parece muito mais com as suas próprias bases fundamentais, mais simples e suave, muito menos esforço, fluindo como a corrente de um rio de técnica em técnica. Aqui, avançado parece simplesmente indicar o nível de não–esforço e relaxamento alcançado por um praticante ao lidar com ataques sinceros iniciados por um parceiro / oponente. Mas parece que não há nenhuma tentativa por parte desses professores de “perder a forma” como o Fundador claramente demonstrava. Outros professores parecem ter tomado Morihei Ueshiba aos oitenta para representar a quinta essência do Aikido, e esses professores têm tentado duplicar a ausência de forma exibida pelo Fundador no fim de sua carreira. Esses professores dão mais importância em serem sensitivos a cada mudança de energia, física ou psíquica, do parceiro do que em desenvolver uma técnica forte e boa. Alguns, de fato, menosprezam o poder do treino físico indo de encontro à intenção do Fundador. O problema com ambas as abordagens é que o Aikido para O-Sensei era um processo que continuou até o momento de sua morte. Aqueles que tentam capturar um determinado momento na vida do Fundador no qual ele estava praticando um Aikido “ortodoxo”, inevitavelmente falham em compreender as fundações em que estavam apoiadas o Aikido daquele período particular, o que, para ele, representou décadas de treinos constantes. Eles também escolheram ignorar tudo o que o Fundador desenvolveu depois daquele ponto no tempo. Fazer isso parece ser mais fruto de uma preferência pessoal do que algo que esteja embasado em uma justificativa qualquer. Aqueles que desejam pular diretamente para o final da carreira do Fundador e fazer de suas últimas técnicas avançadas o modelo de sua própria prática, estão tentando entender uma arte sem entender as fundações sobre a qual o edifício repousa. Alguns professores sustentam que nós não devemos re-inventar a roda, uma vez que o Fundador fez a maior parte desse trabalho para nós, então não deveríamos nos preocupar. Esse argumento poderia ter alguma solidez se houvesse algum exemplo na realidade. No entanto, eu nunca encontrei um único exemplo no qual alguém tenha alcançado um nível assombroso em sua técnica sem ter tido experiência em treinos físicos bastante duros. Tentativas de transmitir o seu entendimento aos seus alunos sem fazer com que eles passem pelo mesmo processo, em minha própria experiência, falharam completamente. A razão para isso parece bastante óbvia em cada enfoque, toda a epifânia que leva a um salto qualitativo no nível do treino parece estar baseada na firme fundação do entendimento de um conhecimento anterior. Eu mesmo tenho visto alunos pulando estágios e indo direto aos níveis mais altos do treinamento sem passarem pelos necessários passos anteriores de um processo mais físico e mecânico. Sem exceção, as tentativas que eu tenho encontrado de provocar esse salto, têm resultado em estudantes cujos movimentos são ocos, faltando a intenção necessária para executar a técnica nesse nível. Então o que eu gostaria de fazer é enfatizar o que eu vejo (no estágio atual de meu próprio treino) como a progressão natural da técnica, partindo das bases, como dependente de um entendimento sólido da mecânica de como o corpo trabalha, de como utilizar o seu movimento para desenvolver força e como unir esse poder com o outro sem conflito. Aquele que avançou depende muito mais do aiki como interação do físico com o energético, o lugar no qual o corpo é afetado pela mente e a técnica se torna menos e menos física e mais uma questão do princípio em ação. Isso deveria possibilitar ao estudante de Aikido ver a relação entre os diferentes passos na progressão do básico ao avançado. Esta relação está presente igualmente nas técnicas de mão vazias e naquelas com armas. O primeiro nível do treinamento é revelado via técnica estática. Este nível da técnica é designado para desenvolver uma compreensão da estrutura. Como alguém pode perceber o seu trabalho corporal e o trabalho corporal do parceiro? Para passar deste nível uma pessoa tem que compreender as mecânicas da arte, o componente do jiu-jutsu, por assim dizer. A pessoa precisa aprender a relaxar e entender a “geometria” básica da técnica. Nesse treino nós encorajamos o parceiro a ser o mais poderoso o possível, de forma que possamos receber o retorno no que concerne ao nosso “entendimento” tal como expresso por nossa técnica. O próximo passo na progressão (que, geralmente, é realizado simultaneamente com o primeiro estágio) é a técnica em movimento. Ao mesmo tempo em que exige uma atenção contínua nas habilidades desenvolvidas via treino estático, o treino com movimento começa a ensinar como a manipulação do espaço (ma-ai) e do tempo (de-ai) pode ser utilizada para neutralizar o poder do atacante. O “centro” forte, desenvolvido através do treino estático agora aparece no movimento, onde quer que o praticante esteja, mesmo ao se mover, aquele sentimento do centro é mantido. Nesse estágio o nage permite ao uke iniciar um ataque e ele recebe o ataque utilizando o seu movimento para se unir ao ataque. A energia do ataque é, então, redireciona para dentro da estrutura do uke em técnicas de apreensão ou dentro dos pontos de equilíbrio do uke para uma técnica de projeção. É nesse estágio do treinamento que o estudante começa a trabalhar o conceito de como “conduzir” a energia ou a atenção do parceiro. Conduzir o Ki do oponente é um a das pedras fundamentais da técnica do Aikido. Do ponto de vista marcial o nível anterior de treinamento é limitado no sentido que concede um poder considerável ao atacante ao permiti-lo decidir qual e quando um ataque se dará. Dado o fato de que todas as pessoas têm um certo tempo de reação entre perceberem alguma coisa e poderem agir ao que viram (cerca de meio segundo para a maior parte das pessoas), permitir ao atacante ter a iniciativa é dar a ele uma vantagem significativa. Isto é um problema, já que significa que, a) do início da técnica o nage está sendo re-ativo ao uke e, b) se o atacante escolhe utilizar menos do que o completo comprometimento na técnica tal como afrouxar, o uke pode fazer com que o nage se mova do modo que ele quiser e, de repente, mudar o ataque, fazendo, assim, com que a tentativa do nage de realizar a técnica seja falha. Então o próximo nível da técnica muda quem tem a iniciativa. Agora o nage não ceita simplesmente o que é imposto pelo uke. Ele utiliza o seu próprio movimento para traçar uma reação do ataque no momento de escolha do nage. Se o nage fecha o ma-ai (espaço) com uke, ele irá atingir um ponto no qual o uke PRECISA estar comprometido com o seu ataque ou retornar. A falha em realizar uma dessas coisas irá resultar em ele ficar aberto a um ataque do nage. Uma vez que é o nage quem determina quando irá cruzar o ponto de ma-ai e chegar a “distância crítica” ele não tem “tempo de reação”, porque ele sabe quando o uke está comprometido. Isto é muito importante no desenvolvimento de uma técnica marcial efetiva e precisa ser pesquisado com cuidado. A diferença entre este estágio e o
último é que no último estágio o nage permitiu ao uke iniciar e agora ele dirige a “atenção” do uke segundo o seu próprio movimento. Nesse nível da técnica ele tem o controle do “tempo”, manipulando o “espaço”, o que faz com que considerações como “rápido e devagar” sejam irrelevantes para a técnica. O praticante começa a operar fora da zona temporal e ele começa a controlar as questões relativas ao tempo e ao espaço. O que tem acontecido até agora no desenvolvimento desses “estágios” é que a técnica se torna progressivamente menos física à medida que os princípios de tempo e espaço são utilizados para moldar o movimento do atacante. No próximo nível da técnica o nage não apenas inicia a ação a fim de conduzir os movimento do uke, mas utiliza a energia de sua ação a fim de conduzir a resposta que o uke lhe dá. Nesse estágio da prática o atacante termina por ficar quase completamente sob a ação do nage. O nage está controlando as suas ações mesmo antes delas começarem a ocorrer. A técnica parece ser mais suave e mais energética do que poderosa e física embora, neste nível, seja sempre possível realizar uma técnica bastante poderosa se assim se desejar. Isto é realizado através da manifestação de princípios como atemi waza ao invés de técnicas de projeção e aprisionamento. Uma técnica marcial bem explosiva e efetiva pode ser gerada desta forma. Na prática, claro, atemi waza não é utilizado para infligir dano ou gerar desconforto físico. Ao contrário, isto é um modo de utilizar uma energia explosiva em potencial para gerar uma resposta do uke. Isso pode servir para distraí-lo e dissipar a sua energia da área do corpo na qual a técnica está sendo realizada (como numa técnica de apreensão) ou pode ser utilizado para tirar a sua atenção realizando uma entrada possível, sem ser atingido. Em outras palavras, neste nível da técnica o atemi diz respeito a dirigir a atenção ou a energia do parceiro em direção ao que ele deseja e para longe do que ele não deseja.Quando este nível de técnica é atingido, não existe quase contato físico que preceda o “lançamento”. Uma técnica que havia sido, em sua forma básica, uma técnica que havia alguma forma de pegada, estaria ajustada ao tempo de tal maneira que não há maneira de se agarrar. Pode ou não haver uma intenção de se agarrar, mas a técnica genuína foi elevada a um estágio de energia no qual o ataque do parceiro é desviado pelo nage, então, conduzindo a atenção do atacante e produzindo movimento através da exposição das aberturas (suki) do oponente, o nage ganha controle sobre o centro do atacante sem manipula-lo fisicamente, mas ao contrário, criando uma situação na qual o atacante se move como deseja. Um atemi, que é colocado no espaço que o uke deseja ocupar para terminar o seu ataque irá resultar na perda de seu próprio equilíbrio a fim de escapar de ser atingido. Quando esse nível de técnica é alcançado, a técnica é operada via princípio puro ao invés dos fatores físicos que produziram a técnica nos níveis mais básicos. Uma técnica como ryote-tori tenchi-nage, exemplifica o princípio da “dissipação” da energia (física ou mental) do parceiro. Quando a técnica finalmente atinge a sua expressão energética ela não precisa mais do ataque em ryote-tori. De fato o tenchi-nage pode ser realizado, por exemplo, contra um chute frontal. O tenchi existe na forma como a atenção do atacante é dissipada de seu alvo e direcionada para fora, permitindo ao nage entrar sem ser atingido. Mas esta manifestação do “princípio da dissipação” não pode ser conseguida sem um minucioso entendimento do princípio básico de execução da técnica. Isso não pode ser ignorado. Quando a técnica é apresentada aos estudantes desta maneira, com variações progredindo das versões elementares, físicas e estáticas para as versões avançadas, energéticas e fluídas, isso pode ajudar o estudante a compreender tanto de onde uma técnica surge quanto para onde ela deve ir em seu desenvolvimento. Isto pode servir para desmistificar a energia envolvida nas técnicas avançadas uma vez que os princípios podem ser decodificados e ensinados, mas isso também mostra claramente quais os elementos que são essenciais em proporcionar os fundamentos de uma técnica antes que o movimento em direção a uma versão mais sofisticada possa ser realizado. Cada nível compreende um entendimento do nível anterior. Utilizando este tipo de metodologia talvez haja mais estudantes que atinjam os níveis mais altos desta arte criada para nós pelo Fundador do Aikido.

Novembro 2004

Ensinamento de Kawai Sensei – Harmonia

Aikido é a arte marcial cujo os movimentos mantém o corpo em plena condição física e harmonia com a natureza. Todos os movimentos são circulares pois não pretende vencer os outros, mas sim a si mesmo. Quando o praticante consegue chegar a este estágio está em completo domínio de si mesmo e passa a ser invencível. Este é um ensinamento que devemos levar para fora do tatami. Além deste ensinamento acredito que todos devam seguir algumas regras básicas para praticar a harmonia: – Nunca guardar rancor de ninguém; – Interpretar as maledicências como uma fraqueza indisfarçavel daqueles que as emitem; – Nunca deixar de trabalhar enquanto viver; – Não lamentar a chegada da velhice; – Não se considerar velho enquanto puder moviemntar o seu corpo; – Defender a sua família acima de todas as coisas; – Estar consciente que a soberba é a origem do fracasso; – Não lamentar as coisas que deixou de fazer no passado; – Encarar o fracasso como um ponto de partida para o sucesso; – Honrar sempre seus compromissos; – Ter sempre a coragem de reiniciar tudo, caso venha a perder toda a sua fortuna e títulos; – Desenvolver de modo resoluto a confiança em si mesmo. Este artigo foi uma contribuição de Nereu San de curitiba que nos mandou um recorte. Ele foi publicado originalmente no antigo boletim bimensal produzido por nagao sensei para a União Sul Americana..

Textos de Morihei Ueshiba – A voz interior

Seu coração guarda muitas sementes férteis, que estão esperando apenas a luz para que possam desabrochar. Permita que esta luz entre em sua alma: deixe-se guiar pelo fluir das coisas a sua volta, procure seguir a qualidade de alguns vegetais. Seja sempre verde como o pinheiro, flexível como o bambu, belo como o lótus, e elegante como o lírio.

Novo anuncio de fachada do Ganseki Dojo

Está semana colocamos o novo letreiro na fachada do Ganseki Dojo no núcleo da Tijuca.
Este é muito importante para que todos que passem por lá saibam do trabalho desenvolvido em parceria com a academia Kioto. Mais uma das etapas que tinhamos que concluir na nossa reforma.

COMO REALIZAR SEU SONHO

Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar
feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.

Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.

Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.

O sucesso é construído à noite!

Durante o dia você faz o que todos fazem.

Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial.

Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.

Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso.

Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.

Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.

Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.

A realização de um sonho depende de dedicação.

Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica.

Mas toda mágica é ilusão.

A ilusão não tira ninguém de onde está.

A ilusão é o combustível dos perdedores.

‘Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio.
Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.

autor desconhecido

Exame de Kyus – 30 de novembro: União Sul Americana/ Ganseki Dojo

No dia de ontem, 30 de novembro de 2008, foi realizada a bateria de exames de Kyus no Ganseki Dojo conforme orientações da União Sul Americana.
Mas uma vez o trabalho desenvolvido no Ganseki Dojo foi evidenciado como de alta qualidade e dentro dos padrões determinados pelo Hombu Dojo e pela organização de Kawai Shihan.

Um retorno excelente da dedicação dos alunos nesse pequeno tempo de preparação. Parabéns a todos por manter o padrão dentro dos moldes que pretendemos para nosso grupo.

Agradecimento especial ao nosso amigo Jorge Henrique, que colaborou não só como uke para alguns alunos examinados, como também participou ativamente da organização do exame. Agradecimento também ao Shodan Alexandre Pierre que mais uma vez esteve presente na organização e também participou da banca. Todos, de uma forma geral, estão engajados e participando do grupo de forma positiva.


Depois do exame a aula de Matias Sensei foi importante para esclarecer alguns detalhes das técnicas para maior alinhamento com as novas orientações do Hombu Dojo, feitas por meio de Seki Shihan, e das orientações da União Sul Americana que passa por um processo de estudo e modernização, acompanhando como sempre o que preconiza o Hombu Dojo. Mas foi de grande valia perceber que já estamos muito bem alinhados. Sensei Matias saiu muito satisfeito com o que viu. Parabéns ao Ganseki Dojo!!

Entrega de Certificados Aikikai

Esta semana foi entregue o certificado de Dan, que chegou do Hombu Dojo recentemente, para o aluno Alexandre Pierre. O certificado foi entregue por Matias Sensei em nome de Kawai Shihan.

Menos de dois meses após o exame da academia central ele recebeu o certificado e seu Yudansha Card (passaporte de faixas pretas), como deveria acontecer em todas as organizações. Pelo menos de seriedade. Sem alardes e enganações: Assim funciona a organização de Kawai Shihan. Matias Sensei explicou para ele, e os alunos presentes, como funciona o sistema de acompanhamento e registros da vida do faixa-preta pela aikikai de Tókio e seu registro no Yudansha Card.

O Ganseki Dojo se orgulha de possuir os certificados de seus faixas pretas vinculados a União Sul Americana, e a nada mais nada menos do que Kawai Shihan, introdutor do Aikido no Brasil e uma figura de grande importância dentro do Aikido Brasileiro. A união Sul Americana, graças a ele, atua com o espírito de simplicidade e respeito aos alunos e ao Aikido, traduzindo as diretrizes da sede mundial do aikido e da família Ueshiba.

Os alunos do Ganseki Dojo tem a segurança de pertencer a essa organização e de ficarem livres de enganações e barganhas que tristemente ainda acontecem no Brasil e nada tem a ver com o espírito do aikido primordialmente defendido e disseminado por ele.

Estamos tranquilos e seguros do caminho.

Walter Amorim – União Sul Americana / reg 112447 Aikikai Tóquio

O Yoroi – A armadura samurai

Talvez a imagem mais conhecida do “bushi”, como é chamado o guerreiro medieval japonês, é a do samurai vestido com uma rica armadura, colorida e ornamentada. Ao contrário de sua congênere européia, de aspecto gótico e pesado, a “o-yoroi”, um dos nomes pelo qual é denominada a armadura japonesa, não parece ser óbice aos movimentos do “bushi”. A riqueza de materiais com que suas partes são produzidas e o esmero com que foram construídas lhe conferem ao mesmo tempo flexibilidade e resistência. As armaduras antigas, produzidas antes do século XVI, eram chamadas de: o-yoroi, kachu, haramaki, do-maru etc. Já as produzidas após este período, eram geralmente conhecidas como gusoku.

Pelos textos japoneses sobre a armadura japonesa, principalmente na parte em que se orienta a forma exata de sua composição, tal como a maneira correta de sua vestimenta, observa-se que o “bushi” começava vestindo a tazuna ou fundoshi (roupa de baixo), de preferência de linho branco ou algodão, sendo esta forrada ou não, de acordo com a atual estação.

Os Bushi de alta patente vestiam robes suntuosos por cima da roupa de baixo, como os vários Yoroi hitatare. Os bushi de classe inferior vestiam apenas a roupa mais funcional, chamada hadagi.

Por cima disto, vestia-se a roupa “shitagi”, que lembrava o kimono do dia-a-dia, preso à cintura pela obi – faixa que era enrolada duas vezes em volta do corpo e amarrada na parte da frente, sendo que alguns a preferiam amarrada nas costas.

Este último método não era recomendado pela maioria dos veteranos, porque era difícil amarrar a obi sob a armadura, se ela se afrouxasse no campo de batalha.

Por cima, o bushi de patente de atendente do marechal, “kyushu” ou “kosho”, vestia uma calça cerimonial típica ou “hakamá”. A maioria dos bushi vestia um par de “hakamá” similar, mas um pouco menor e mais curta, chamada de “Kobakama”.

Os guerreiros de classe mais baixa vestiam uma versão menor delas, chamada de “matabiki”, geralmente enfiada por debaixo da camisa.

Os bushi então vestiam um par de “tabi”, com uma divisão para o dedo maior.
Elas eram feitas de algodão (Mobien tabi), ou couro curtido (Kawatabi).

Por cima, geralmente vestia-se a “Kiahan” ou “habaki”, que vestia a parte referente à canela, e era feita de linho ou algodão forrado ou não.
Eram geralmente amarradas na panturrilha para impedir a fricção contra a proteção que se vestia sobre ela. Nós pés, o bushi de nível mais alto vestia uma espécie de sandália de pele característica, forrada com seda ou brocado, de nome “kegetsu”, “Kutsu” ou “Tsuranuki”. Possuía solado de couro grosso e o lado superior de pele de urso. Existiam vários estilos e modelos dessas sandálias, mas não mantinham relação com a patente ou nível hierárquico.

Clássicos como o “Gempei seisuiki”, por exemplo, nos dizem que “quando Kuro Yoshitsune, durante a guerra contra Kiso Yoshinaka, foi ao palácio Ho-o, ele vestiu ‘kuma no kawa no tsuranuki’, que são sandálias de pele de urso”. E os que o seguiam, vestiam sandálias de ‘ushi no kawa’, que eram feitas de couro de vaca.
Em períodos posteriores, guerreiros de patente menor vestiam sandálias “waraji”, de vários materiais como cânhamo, talos de mioga, fibras de palma e algodão.
Usualmente levavam um par extra na cintura.

Seus oficiais geralmente vestiam sandálias feitas de pequenas lâminas de couro ou ferro. As pernas, do joelho até o tornozelo, vestiam proteções chamadas de “sune ate” ou “shino zutsu”, geralmente moldadas em ferro ou couro na parte da frente e atadas atrás. Algumas peças eram feitas apenas de metal.
Em tempos antigos, cavaleiros montados costumavam vestir estas proteções com uma lâmina na parte de trás, para proteger contra ataques de espadas ou alabardas.

A maioria destas proteções, contudo, era feita de lâminas longitudinais dobráveis com as lâminas centrais cobrindo o joelho.
Todas geralmente incluíam uma proteção de couro “abumi zure” na parte de dentro para proteger contra o atrito. O joelho geralmente era protegido por uma espécie de cuia de metal abaulada que se chama “hiza yoroi kakuzuri”, que era parte integral da armadura ou uma peça separada.
Existem duas variedades desta espécie de joelheiras: yamagata e Juwa ga shira.

A parte superior das pernas era protegida pelo haidate, peça semelhante a um avental, sendo que a parte de cima era geralmente coberta com lâminas pequenas – Kozane – feitas de ferro, couro ou osso de baleia.
Esse avental partido no meio era esticado com cordas chamadas tsubo-no-o, que eram enroladas na cintura e amarradas na parte da frente.
Manuais antigos recomendavam que, para remover o avental quando se atravessava um rio ou pântano, era recomendado que se amarrassem as cordas do lado de fora do “Do” – parte que protege o tronco.
Havia outros tipos de proteções do quadril do guerreiro, assim como nos guerreiros europeus, que eram feitas com lâminas de metal enlaçadas com cordas de couro e seguras com uma pesada trama de seda ou couro chamada de “ita-haidate”.
Outras, construídas com lâminas de metal menores e mais leves amarradas com seda e chamadas de “igo-haidate”, eram preferidas pelos guerreiros montados, por serem mais flexíveis que o modelo usual.
Uma peça de armadura usada pelos homens da infantaria nos tempos de guerra, ou pelo bushi sob suas calças em tempos de paz, era chamada de “kussari kiahan” ou “kiahan suneate”, e cobria a perna inteira. Armadura do Período Momoyama

O guerreiro então vestia luvas – “yugake”, feitas de pele, e de preferência não-forradas e às vezes com um pequeno buraco na palma da mão.
Sobre elas, para proteger seus braços da mão até o ombro, ele vestia mangas justas feitas de seda, couro ou um outro tecido que tivesse consistência, cobertas com lâminas adicionais de metal.
A manga da armadura, chamada de “Kote Tegai” era protegida principalmente do lado externo por uma série de metais, que começava por uma lâmina “Kamori Ita”. Ela cobria o ombro sob a outra proteção da região, chamada de “sode”.
Duas cordas pesadas atavam a lâmina de cima ao peito e uma terceira atava a outra manga da armadura.

A parte superior do braço era protegida por outra grande lâmina de metal – a “gaku no ita” – enquanto o cotovelo era coberto por uma lâmina circular e côncava – “hijigane”.
O braço também era protegido desde a altura do cotovelo ao pulso por uma longa lâmina “ikada” ou por uma série de tiras de metal longitudinais. Às vezes, ela se apresentava encaixada em uma só peça de metal, furada e moldada, à qual era atada ao pulso uma outra peça que tinha por função proteger as costas da mão.
Essa peça era forrada com couro e possuía uma curvatura de forma que se ajustasse aos dedos do guerreiro. Nas armaduras antigas, peças para os dedos e anéis eram acopladas umas às outras por uma pequena corrente. Mais tarde, pesadas luvas de couro eram vestidas.

A porção interna do braço, que requeria menos proteção que a área externa, era coberta com um tecido pesado, ou o próprio couro, entremeado com seda ou tiras de couro. Entretanto, sua defesa era mais baseada nas habilidades do guerreiro de que propriamente pelas peças da armadura, uma vez que essa área se tornava exposta quando os braços eram levantados para aplicações de golpes com a espada.
Existiam técnicas que se tornaram famosas no Yari Jutsu e no Kenjutsu por visarem atingir essas áreas expostas e vulneráveis da armadura contra adversário em combate.

Havia uma quantidade fantástica de tamanhos, tipos, formas e materiais que o bushi podia selecionar para essa importante vestimenta. Um exemplo são as mangas da armadura coberta por uma malha feita de anéis e correntes de metal (kusari gote). Os braços eram, em seguida, protegidos por placas (tetsu gote). Havia um tipo de manga que protegia o braço cobrindo-o com uma larga placa (como um sode adicional), atada ao ombro (tsugi gote). Outras eram formadas por escamas sobre o bíceps (gaku no ita); outras ainda alternavam faixas dessas placas com a malha de metal (oshi no gote), ou eram totalmente feitas da malha à qual eram amarradas fortes placas de vários tipos (shino gote, echu gote, awase gote).

Ele também usava uma pequena proteção para o antebraço, coberta com as placas e malha, e depois com um tecido rústico (hansho gote). Essas mangas eram muito específicas de acordo com o tipo de propósito marcial desejado. Por exemplo, havia mangas especiais (yu gote) feitas de seda e brocado, sem qualquer proteção pesada, que eram vestidas aos pares, a partir dos ombros. Eram mais utilizadas pelos arqueiros, que precisavam de liberdade de movimentação para manejar seus arcos e flechas. Em certas ocasiões, os arqueiros usavam apenas uma dessas mangas, para proteger o braço direito, ombro e boa parte do peito e costas. Eram atadas em volta do corpo. Muitas das mangas de armadura consideradas leves eram usadas em tempos de paz, sendo vestidas sob o quimono, quando o bushi deveria estar preparado apenas para confusões de rua.

As articulações, que geralmente ficavam desprotegidas devido ao vão existente entre as mangas protetoras (kote) e as placas laterais (watagami) do corselete (do), eram reforçadas com camadas de malha de metal, placas e escamas (waki biki). Eram vestidas sob o corselete, separadamente ou ligadas umas às outras por uma faixa de metal (kusari waki biki). Podiam ser apertadas com botões (botan gake), ganchos (kohaze gake) ou cordas (himo tsuki). Um tipo especial de equipamento (manju nowa) combinava os waki biki com um colar e ombreiras.

O elemento central de uma armadura em qualquer país (junto com o capacete, claro) é o protetor de peito (do). No Japão, o estilo desses dois elementos representou e identificou a armadura de vários períodos da história do país – o pré-histórico (tanko, kachu, kisenaga), o antigo (yoroi) e o moderno (gusoku). A maior parte do corpo do bushi era vestida com um corselete feito de largas placas de metal, como os antigos corseletes (kaki yoroi, keiko) do século IV. Havia também corseletes de couro brilhante, forrados e cobertos com faixas de escamas bem atadas com seda ou cordas de couro. Como foi notado anteriormente, o couro era matéria-prima preferida dos confeccionadores de armaduras, e os vários tipos de couro utilizados, assim como os vários tipos de tratamento, originaram uma série de corseletes (kawa tsutsumi), assim como os de couro chinês (kara kawa tsutsumi), couro vermelho (aka kawa tsutsumi)e couro florido (hana gawa tsutsumi). Muitos dos corseletes das classes mais baixas eram feitos de couro preto (sewari gusoku). As placas que o cobriam, por sua vez, utilizavam pele de tubarão (same tsutsumi), casco de tartaruga (Moji tsutsumi) e osso de baleia, criando belas texturas e dando grande resistência à vestimenta.

Havia uma variedade aparentemente infinita de corseletes em uso no Japão em diversos períodos, e eles são divididos em duas categorias principais: a primeira e mais comum engloba as peças compostas por placas ou escamas e amarradas com fortes cordas (do), e a segunda, das peças inteiriças. Os mais recentes, chamados de placa “peito de pombo” (hatomune do) ou placa “peito de santo” (hotoke do), porque simulavam a curvatura do corpo humano, eram muito raros. Cobrindo o corpo do pescoço à cintura, eram usados no Japão dos séculos XVII e XVIII. Aparentemente copiados dos modelos europeus, podiam ter a abertura nas costas, ou nas laterais. Os que possuíam abertura frontal eram pouco comuns. Adotados pelas categorias mais baixas de samurais e seus ajudantes, certos modelos ajustáveis mais simples possuíam inúmeras derivações.

Alguns modelos incluíam dois soquetes aos quais era presa a bandeira da cavalaria. Os samurais de alto escalão vestiam peças adicionais, como a importante “se-ita”, ou “se-ita no yoroi”, que eram placas pequenas que protegiam as articulações dos ombros e parte superior do braço.

As mais antigas eram geralmente feitas de metal ou couro bem grosso, ricamente decoradas com detalhes em metal nas bordas. As mais recentes eram feitas com três placas grossas ou fileiras de escamas sobrepostas, protegidas com couro curtido. Nos últimos corseletes fabricados, os samurais de baixo escalão – que não eram autorizados a vestir as placas protetoras, vestiam proteção menores chamadas de “giyo yo ita”. Eram vários os modelos existentes dessa peça específica.

Em volta da cintura, o bushi vestia um cinto (uma-obi) feito de linho ou tecido, com ornamentos na frente. Quando ele cortava as pontas desse cinto e jogava fora a bainha de sua espada, que ele geralmente carregava presa ao cinto, sua intenção de morrer no campo de batalha era claramente manifesta aos seus inimigos e a natureza desesperada de sua luta era enfatizada.

Os ombros do bushi dos altos escalões eram protegidos nas laterais por duas grandes e características proteções (sode), cada qual feita de pequenas escamas arranjadas em várias faixas, firmemente amarradas com corda de seda, sobre um forro de metal ou couro. A escama do topo em ambas era sempre de metal maciço, fundida e ricamente decorada. Essa peça da vestimenta variava muito de acordo com a posição do guerreiro.

Uma outra placa adicional era amarrada em volta do corpo para proteger tanto o peito como as costas do indivíduo. À esquerda da vestimenta, o bushi punha então o suporte para qualquer tipo de espada que preferisse (koshi ate), para portar suas duas espadas (daisho), tanto a pequena ‘wakizashi’ como a longa ‘tachi’. Em tempos mais antigos, uma espada adicional era carregada, chamada ‘nodachi’, geralmente maior e mais pesada que a ‘katana’ original. A ‘nodachi’ era carregada nas costas.

Seu uso, que já havia sido universal em campo de batalha, tornou-se raro durante o período Tokugawa.

O pescoço do bushi era protegido por uma espécie de colarinho frontal (nodowa) feito de escamas ou pequenas peças firmemente amarradas juntas em forma de U. Essa peça parece ter sido elaborada no século XVI a partir de um colar antigamente vestido sob o ‘do’ e amarrado a um suporte chamado ‘eri-mawari’. No período Tokugawa, entretanto, era vestido sobre a armadura em uma grande variedade de estilos.

Bibliografia: Ratti, Oscar. Segredos do Samurai, As artes marciais do Japão Feudal. 1973